Filme '24 semanas', sobre aborto, retrata situação vivida por muitas grávidas no Brasil

Dirigido pela jovem Anne Zohra Berrached, longa deve ter distribuição restrita por questões religiosas

por Rui Martins 18/02/2016 16:10

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Festival de Berlim/Divulgação
Atores que estrelam o filme (foto: Festival de Berlim/Divulgação)
O filme 24 Semanas, dirigido por uma jovem cineasta da antiga RDA comunista, Anne Zohra Berrached, terá sua distribuição comercial restrita, admitiu seu produtor no encontro com a crítica. O tema, o aborto, é tabu em numerosos países por questões religiosas, cristãs e muçulmanas, agravado por tratar de um aborto por questões médicas além dos prazos limites, na verdade quase perto do parto.

É a história de Astrid, uma atriz, espécie de one woman show, na Alemanha, mãe de um filho de nove anos, que trabalha junto com o marido produtor. Tudo começa com a alegria do casal diante da gravidez, mas nos exames de ecografia ficam sabendo que o bebê é portador do síndrome de down, trisonomia 21 ou mongolismo. O choque parece reunir o casal que, depois de muito refletir se considera capaz de assumir esse nascimento.

Mas a situação se agrava quando, em outra ecografia, se constata uma anomalia no coração – o bebê tão logo nasça deverá passar por uma série de operações, dolorosas para o bebê e com resultados não garantidos. Depois de visitar uma maternidade, onde bebês prematuros e deficientes estão nas incubadoras, Astrid fica em dúvida quanto à sua responsabilidade de deixar nascer um bebê condenado a uma existência anormal e limitada. E igualmente se o casal e seu filho de nove anos poderão suportar sem sequelas essa situação, além das consequências no trabalho, pois esse filho exigirá, dcurante toda sua vida, cuidados constantes e dedicação plena.

 

Primeiro sinal negativo, a babysitter do filho de nove anos se demite ao saber do próximo nascimento do bebê excepcional.

Na maioria dos países europeus existem dois tipos de abortos, o que se pode fazer por decisão voluntária da mãe até as 12 semanas e o aborto por questões médicas, chamado de interrupção médica da gravidez, sem um limite definido mas sujeito à comprovação dos problemas de formação do feto.

A indecisão de Astrid provoca crise no casal, pois o marido julga serem capazes de enfrentar juntos esse desafio. Astrid, finalmente, é mais realista e opta pelo aborto do feto já formado e quase a termo para o parto. Neste caso, o aborto exige a interrupção da vida do feto por uma injeção que atravessa a placenta e se aplica na cabeça, causando morte instantânea. A seguir, a mãe tem um parto induzido.

Coincidentemente, o filme é bastante atual para a situação vivida por muitas mães grávidas brasileiras portadoras de bebês com microcefalia em gravidez avançada. Na Alemanha, 98 % das mães decidem abortar quando se constata qualquer anomalia ou deficiência no feto.

 

Para a realizadora Anne Zohra Berrached, o tratamento da questão do aborto é mais realista, pois foi criada na antiga Alemanha oriental, onde o governo marxista, desvinculado de religiões tinha legalizado e garantido o aborto em qualquer situação, se a mãe assim desejasse. O mesmo não acontece na Polônia, país vizinho, onde a probição do aborto foi reintroduzida por pressão da Igreja católica. No Brasil, além dos católicos e evangélicos, também os espíritas condenam o aborto.

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