'O quarto de Jack' mostra a relação de mãe e filho no espaço de um cômodo

Sob o doce olhar do menino de 5 anos, filme é um dos favoritos do Oscar

por Mariana Peixoto 18/02/2016 08:00

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UNIVERSAL PICTURES/DIVULGAÇÃO
(foto: UNIVERSAL PICTURES/DIVULGAÇÃO)
Último dos oito longas indicados ao Oscar de melhor filme a estrear no Brasil, O quarto de Jack entra em cartaz nos cinemas com fôlego para atingir a reta de chegada. Dirigida por Lenny Abrahamson (indicado a melhor diretor), a adaptação do romance homônimo da irlandesa Emma Donoghue (que assina o roteiro, também indicado) é basicamente um filme sobre a relação entre mãe e filho. Só que sob terríveis circunstâncias.


A sequência inicial resume, de maneira íntima e delicada, como se dá essa relação. Sob o som de uma respiração, somos apresentados ao mundo de Jack. Suas cadeiras, sua cama, seus desenhos, sua banheira, seu armário, são exibidos em enquadramentos fechados. A voz é sussurrada. Tudo é gasto, velho. Mas não aos olhos de um garotinho de 5 anos.



Jack (Jacob Tremblay, absolutamente notável) vive com Mamãe (Brie Larson, em sua primeira indicação ao Oscar) num quarto 10x10. Ela foi raptada, no final da adolescência, há sete anos. Nunca mais viu a luz do dia. Seu filho nasceu ali. Para suportar o cativeiro e fazer com que o menino tenha a melhor vida possível, criou um universo inteiro para ele.

Que é, guardadas as devidas proporções, muito semelhante ao da Alice de Lewis Carroll (o livro Alice no país das maravilhas é presença constante na narrativa). Mamãe explicou a Jack que o mundo se resume ao quarto. Tudo que está fora é espaço; o que o garoto vê na velha televisão é mentira; e há ainda o céu, que ele vê de uma claraboia, seu único contato com o exterior.

Jack, a despeito de tudo, tem uma infância feliz. Dá bom-dia às cadeiras, aos pratos, à banheira, os únicos companheiros que conhece. Sabe ler. Comemora seu aniversário. E, aconchegado à Mamãe, a ouve cantar antigas músicas. Só se fecha em seu armário quando o quarto recebe a visita semanal de Nick, um homem que sabe existir, apesar de nunca té-lo visto. Contar mais da narrativa é entregar o ouro, já que toda a história, que tem dois momentos bem distintos, vai se descortinando aos poucos.

Expressões Brie Larson, até então mais conhecida da TV – foi a filha de Toni Collette em United States of Tara – vai chegar ao dia 28 como favorita ao Oscar (venceu o Globo de Ouro, Screen Actors e Bafta). A personagem permite várias expressões – a mãe amorosa, a mulher deprimida, a jovem entrincheirada. E Brie consegue passear, com delicadeza, por todos os estados de humor que seu papel lhe proporciona.

O mundo-cão costuma revelar, de quando em vez, histórias escabrosas de longos cativeiros e abusos. Lenny Abrahamson não se descola da realidade, mas aponta sua lente para o lado menos óbvio. O quarto de Jack se configura mais como drama do que como thriller. Tampouco busca julgamentos rápidos e fáceis, tanto que a história deixa questões em aberto.

O mundo, na visão de O quarto de Jack, é enorme em possibilidades. Tudo depende da maneira com a qual você se relaciona com ele.


Premiadíssimo

O papel de Jack já rendeu a Jacob Trembley 12 prêmios, entre eles o de melhor ator jovem no Critics’ Choice Awards. Canadense. Irmão de uma atriz mirim (Emma Trembley, que participou de Elysium e O juiz), Jacob será um dos apresentadores do Oscar. Hoje, com 9 anos, o garoto virou sensação nesta temporada de prêmios. Fanático por Star Wars, vem garantindo milhares de curtidas em sua conta no Instagram (devidamente monitorada pelos pais) graças a selfies com Sylvester Stallone, Jennifer Lawrence e Lady Gaga. Com a carreira iniciada em 2013, até O quarto de Jack, ele era mais conhecido pela participação em Smurfs 2.

 

COTAÇÃO - MUITO BOM

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