Tablets e smartphones não ameaçam o cinema, avalia diretor do Festival de Berlim

Dieter Kossilick acredita que ''Nossa sociedade tem muito a ganhar caso se desacelere um pouco''

por AFP 28/01/2016 19:02

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Os festivais de cinema têm um bom futuro, apesar do advento dos smartphones e dos tablets, avalia o diretor da Berlinale, Dieter Kossilick, que ainda acredita no atrativo da grande tela em um mundo que vive muito depressa. "Nossos números em vendas de entradas demonstram que sempre há um grande desejo de ver filmes em uma sala de cinema, na companhia de outras pessoas, para depois trocar impressões", explica Kosslick, diretor do festival de cinema de Berlim, cuja edição de 2016 ocorre entre 11 e 21 de fevereiro.

No ano passado, foram vendidas e distribuídas cerca de 500 mil entradas para a Berlinale, o único grande festival que permite ao grande público assistir a todas as projeções.

O responsável afirma estar convencido de que o fenômeno do "binge watching" - maratonas de séries ou filmes normalmente de uma mesma saga pela televisão - desencadeará uma recuperação do apetite pelo cinema em grande formato, por filmes "que tomam seu tempo para contar uma história completa".
AFP / John MACDOUGALL
Diretor da Berlinale acredita que o público vai se desapegar dos aparelhos com o tempo (foto: AFP / John MACDOUGALL )
"Nossa sociedade tem muito a ganhar caso se desacelere um pouco", afirma. "Haverá um fenômeno inverso. Não é possível que todo mundo se mantenha enganchado a pequenas máquinas que podem ser levadas no bolso", continua Kosslick, que relançou a Berlinale com sucesso, desde que assumiu sua direção em 2001.

Aproveitando a onda de popularidade das séries, o festival apresentará também na grande tela produções televisivas danesas, britânicas, americanas e israelenses.

Aos olhos de Kosslick, os festivais não estão condenados a desaparecer, posto que os cinéfilos necessitam da atmosfera das estrelas, lantejoulas e almofadas vermelhas.

A Berlinale também exibirá o novo filme dos irmãos Coen, Ave César, e projetará longa metragens, fora e dentro da competição, com grandes nomes em cartaz como Colin Firth, Nicole Kidman, Jude Law, Emma Thompson, Don Cheadle, Kirsten Dunst, Gérard Depardieu e Adam Drive.

 

O 'fator' Meryl Streep
Uma seleção de documentários, assim como uma grande diversidade de línguas e culturas, também estarão presentes na vasta seleção de filmes chineses, belgas, franceses, neozelandeses, americanos e tunisianos, entre outros. Outro fator que atrairá o público, do qual Kosslick não esconde seu orgulho, será a presença de Meryl Streep, três vezes ganhadora do Oscar, como parte do jurado do festival nesta edição.

"Meryl Streep foi convidada do festival em várias ocasiões. Quando recebeu o 'Urso de Ouro' pelo conjunto da carreira, em 2012, disse-me que gostaria de ficar mais tempo em Berlim", comentou. "Sem dúvida, para o diretor de um festival, isso queria dizer: 'peça-lhe!'. Ela poderia ter dito não, mas tivemos sorte", comemora.

Em sua opinião, sua vinda também está relacionada com a reputação da Berlinale por se tratar de um festival comprometido, como foi demonstrado no ano passado, quando o principal prêmio foi para "Taxi", do iraniano Jafar Panahi, um filme realizado apesar da proibição das autoridades.

"Se você conhece sua carreira (de Meryl Streep), saberá que é uma atriz comprometida, por isso é possível que ela diga que não é um festival ruim para sua primeira vez na presidência de um jurado", acrescenta Kosslick. Por outro lado, o diretor alemão admite que os festivais também devem fazer todo o possível para corrigir as desigualdades entre homens e mulheres no mundo da sétima arte.

 

Somente dois dos 18 filmes na competição nesta Berlinale foram dirigidos por mulheres. Ademais, nenhum dos grandes festivais contam com mulheres na direção.

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