'As sufragistas' acerta o tom histórico da luta pelo voto feminino

Diretora conduz ficção e personagens reais em trama sobre batalha das mulheres no Reino Unido

por Mariana Peixoto 24/12/2015 11:17

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No Brasil, o voto feminino foi conquistado em 1932, durante o primeiro governo de Getúlio Vargas. A conquista, no entanto, foi parcial. Só podiam votar mulheres casadas que fossem autorizadas pelos maridos e as viúvas e solteiras que tivessem renda própria – tais barreiras caíram apenas dois anos mais tarde. A conquista brasileira é, por exemplo, posterior à neozelandesa (que permitiu o voto feminino em 1883, o primeiro no mundo) e à norte-americana (1920). No entanto, é anterior à suíça (1971) e à sul-africana (1994).

 

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Tal questão, que remonta a outras ainda discutidas na segunda década do século 21 – desigualdade de salários entre homens e mulheres é a mais premente delas –, faz de As sufragistas filme absolutamente atual, mesmo com narrativa ambientada um século atrás.

Universal/Divulgação
Carey Mulligan vive Maud, mulher que se descobre envolvida no movimento sufragista de 1912 (foto: Universal/Divulgação)
Dirigido por Sarah Gavron a partir do roteiro de Abi Morgan (A dama de ferro), o filme acompanha a luta pelo voto feminino na Inglaterra. Em 1912, Maud Watts (Carey Mulligan), empregada de uma lavanderia industrial, casada e mãe de um garoto, entra quase que por acaso no movimento sufragista.

Como sua colega se viu impossibilitada (havia apanhado do marido) de fazer um discurso no Parlamento britânico durante campanha pelo voto feminino, Maud vai em seu lugar. Sem qualquer engajamento ou cultura política, ela acaba, com franqueza, envolvendo os deputados e sendo envolvida pela luta.

AÇÕES
A narrativa mistura personagens ficcionais com históricos. Meryl Streep, ainda que o cartaz do filme dê bastante destaque, aparece pouco como Emmeline Pankhurst. Em 1903, ela fundou a União Social e Política das Mulheres (WSPU, na sigla em inglês), partido que, sob o lema ‘Ações, não palavras’, deu voz às sufragistas. Os livros de história dão conta de 12 detenções de Emmeline naquele 1912 – no filme, na cena de mais forte teor com a personagem real, ela reúne centenas de mulheres para um discurso impactante.

 

 

Outra mulher essencial para a história, que representa um modelo para Maud, é Edith Ellyn (Helena Bonham Carter), farmacêutica sufragista que só não se tornou médica por causa das proibições para as mulheres da época.

Fazendo ficção a partir de um fato histórico, Sarah Gavron acerta no tom. Com uma câmera na mão, que acompanha com muita proximidade suas personagens, ela não doura a pílula. O filme é todo acinzentado, indo de encontro com a dura vida da protagonista.

 

Filha de uma empregada de lavandeira e criada no ambiente, Maud repete a vida da mãe e não vê qualquer perspectiva. Chega a perguntar ao marido que vida ele imaginaria para uma menina, caso eles tivessem uma filha.

O engajamento crescente da protagonista acompanha sua deterioração familiar. Nas mãos de outro diretor, tal história poderia ganhar tintas um tanto sentimentalistas, deixando o espectador mais envolvido com o drama pessoal de Maud. Gavron, no entanto, de maneira bastante objetiva e sóbria, não deixa qualquer espaço para que o público se esqueça da luta sufragista, que só seria vencida 16 anos mais tarde, quando o voto feminino na Inglaterra foi conquistado.

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