Filho de Washington Olivetto estreia na direção com filme de globais

Cauã Reymond, Sophie Charlotte e Luisa Arraes estão em 'Reza a lenda' que chega aos cinemas em janeiro

por Ana Clara Brant 21/12/2015 08:21

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São Paulo – Há pelo menos 20 anos, o diretor e roteirista Homero Olivetto está envolvido com o projeto do primeiro longa de sua carreira. Reza a lenda, com estreia marcada para 21 de janeiro, teve pré-lançamento na semana passada para convidados e imprensa no Rio de Janeiro e em São Paulo. Na capital paulista, ele conversou com o Estado de Minas sobre o filme
.

Inicialmente, Homero, de 42 anos, escreveu uma série de contos ambientados no Nordeste com personagens de diferentes gerações. O diretor tem ligação afetiva com a região, já que seu avô era sergipano e sempre lhe contava fábulas sobre o cangaço, Lampião e afins. “É uma história que eu tenho na minha cabeça há muitos anos. Mas eu nunca publiquei nada. Deixei os contos meio de lado e minha vida tomou outro rumo. Fui fazer faculdade de cinema, outros projetos e a coisa ficou adormecida”, recorda.

Marcos Camargo/Divulgação
Cauã Reymond é Ara, líder de cangaceiros modernos, e se envolve com Laura, papel de Luisa Arraes (foto: Marcos Camargo/Divulgação)


O diretor, que já se enveredou também pela publicidade, assim como o pai, Washington Olivetto, responsável por algumas das campanhas mais importantes da propaganda nacional, retomou o projeto em 2006, quando decidiu escrever o argumento e o roteiro que deram origem à produção. “Lembro direitinho que escrevi o roteiro ao som de manguebeat e pouco tempo depois de ter assistido Baile perfumado (filme que marcou a retomada do cinema pernambucano).


Na história de Homero, passada no sertão nordestino, um bando de motoqueiros armados acredita em uma antiga lenda e arrisca suas vidas em busca de justiça e liberdade. “Antes de rodar, cheguei a ir em algumas locações, como Piranhas, em Alagoas, mas acabamos escolhendo Petrolina, em Pernambuco, e Juazeiro, na Bahia, que é bem próximo. Eu queria mostrar aquela natureza forte e marcante da caatinga de alguma maneira”, frisa. Originalmente, a produção foi batizada de Língua seca, mas, após a finalização das filmagens, Homero Olivetto achou que o longa estava com cara de outro nome. “Eu até gostava de Língua seca, mas o filme foi indo para um outro caminho, uma coisa high speed, de plano aberto, e achamos que deveríamos mudar. Achei que Reza a lenda tinha mais a ver”, explica.

Marcelo Moscardi/Divulgação
O diretor Homero Olivetto só teve participações anteriormente no cinema como roteirista (foto: Marcelo Moscardi/Divulgação)

DÉBUT

Homero estreia na produção cinematográfica como diretor com pompa e circunstância. Além de contar com a toda poderosa Globo Filmes por trás do projeto, Reza a lenda já foi apresentado aos principais veículos de comunicação do país a um mês da estreia e ainda conta com um elenco estelar. Cauã Reymond, Sophie Charlotte, Humberto Martins, Luisa Arraes, além de atores com destaque na dramaturgia nacional recente, como Júlio Andrade e Jesuíta Barbosa. Como produtores, nomes de peso como Kiki Lavigne, Bianca Villar, sem contar o próprio Cauã e seu sócio, o assessor de imprensa Mario Canivello, que, dentre outras estrelas, assessora Chico Buarque. “É uma estreia com pé direito”, admite.


Diretor de cena e roteirista, Homero Olivetto começou sua carreira com o curta premiado Egonowhere, na Mostra de Cinema de São Paulo de 2000 e, desde então, vem trabalhando no mercado publicitário dirigindo de filmes intimistas a produções mais complexas. Em 2012, conquistou outra premiação, o Grande Prêmio do Cinema Brasileiro na categoria roteiro adaptado, por Bruna Surfistinha, escrito por ele, Antonia Pelegrino e José Carvalho. Também foi o responsável pelo documentário Maria Rita, sobre a cantora. Homero cursou cinema, roteiro e narrativa visual na New York Film Academy. Dirigiu diversas campanhas publicitárias nos últimos anos, ao mesmo tempo em que se dedicava aos próprios roteiros. “Já tenho um próximo longa encaminhado que também terá muita ação, como o Reza a lenda, mas não posso adiantar muita coisa”, revela.

ELENCO

Estreando como produtora associada, Sophie Charlotte tem uma carreira mais consolidada na televisão, mas foi descoberta pelo cinema há pouco tempo. Um dos papeis de maior destaque na telona foi a prostituta Tereza em Serra pelada. Agora, ela vive mais um personagem feminino forte, a nordestina Severina, parte do bando de motoqueiros que luta por justiça e é guiado pela fé. Com aparência meio andrógina, Severina disputa o amor de seu 'homem' com Laura, interpretada por Luísa Arraes. “Esse embrutecimento, essa masculinização e essa dureza eram necessários para o personagem. Quando li o roteiro, fiquei encantada. Foi um desafio e, ao mesmo tempo, o máximo fazer um filme tão diferente”, declara a atriz, que acaba de se casar com o ator mineiro Daniel de Oliveira e não se importou em adiar a lua de mel. “Queria estar envolvida em todos os processos do filme. Desde a feitura, a produção, a divulgação e, por isso, fiz questão de estar aqui nesse pré-lançamento”, assegura.


Luisa Arraes é a única personagem do longa-metragem que não é nordestina, uma ironia, já que a atriz, revelada na novela Babilônia como Laís, nasceu no Rio, mas é filha dos pernambucanos, a também atriz Virgínia Cavendish e o diretor Guel Arraes. "Sou muito pernambucana, muito nordestina, apesar de ter nascido no Rio. Passo as férias e as festas de fim de ano lá, adoro o sotaque, as comidas. Durante as gravações em Petrolina (PE), consegui uma brecha para visitar a família no Recife. Foi um presente fazer o Reza a lenda", celebra. Por falar no Nordeste, intérprete de Ara, o líder do bando de motociclistas, Cauã Reymond brincou que já está virando uma especialista na região. Além de Cordel encantado, trama das seis que se passava na cidade fictícia de Brogodó, no sertão nordestino, um dos seus trabalhos mais comentados dos últimos tempos foi a minissérie Amores roubados, em que fez Leandro, um sommelier apreciador de mulheres e de vinhos da região do Vale do São Francisco. “Tenho curtido muito gravar no Nordeste. Meu avô era paraibano e morreu há três anos. Eu era muito ligado a ele e, por isso, em todos esses projetos que faço e que têm alguma ligação com o Nordeste, parece que estou criando algum tipo de conexão com o vovô, que foi uma figura muito forte na minha formação. Ano que vem, devo voltar para lá provavelmente com uma série”, adianta.

 

 

Marcelo Moscardi/Divulgação
Cauã tirou carteira de moto para fazer Reza a lenda e chegou a levar alguns tombos (foto: Marcelo Moscardi/Divulgação)

Três perguntas para Cauã Reymond

1 -  Você chegou a declarar que, com Reza a lenda, você passou a dialogar de maneira diferente com sua espiritualidade. Como foi isso?


Sou católico, fui batizado, mas na minha família têm algumas pessoas que seguem o espiritismo, que eu também creio. Cheguei a ir em alguns centros e recebi feedbacks muito precisos, fortes e que me ajudaram durante algum tempo. E também acredito na questão da física quântica, da matemática. Acho que tudo isso também é uma questão de energia. O espírito, na verdade, não deixa de ser uma matemática de coisas que estão aqui do lado, em volta da gente, de uma energia que a gente, de certa forma, chama. Cada um tem sua religião e isso não se discute, assim como política e futebol. Mas acredito em tudo, contanto que faça bem e que você tenha tolerância com o próximo.

 

2 - Você tem participado como coprodutor em alguns filmes que participa (Alemão, Tim Maia, Reza a lenda). Como isso funciona?


 Ajudo na captação, participo de reuniões com patrocinadores, participo de grande parte do projeto. Não estou num filme por grana. Ninguém faz cinema brasileiro hoje em dia pra ganhar dinheiro. A gente pensa num ideal, em algo que vai entreter o público. Na produção, é legal ter essas conversas sobre que rumos o filme vai ter, o tipo de tratamento, mas quem dá a palavra final é o Homero e as produtoras, a Kiki Lavigne e a Bianca Villar. Estou aprendendo a produzir, tanto que tenho um projeto, que é um filme sobre dom Pedro I, da Laís Bodanzky, que sou produtor junto com meu sócio, o Mario Canivello. É um projeto para o fim de 2016 e o começo de 2017.

3 - Em que você se inspirou para compor o Ara?

No silêncio. Ele é o personagem mais silencioso que já fiz e esse era o grande desafio. O Ara tinha que se expressar de outras maneiras. E, como ele é motoqueiro, tirei habilitação de moto para o filme. Cheguei a levar um tombo. Vacilei e acabei caindo (risos). Voltei pro Rio cheio de vontade de comprar uma moto, mas amarelei. É muito perigoso. Lá era mais tranquilo de pilotar. Mas, numa cidade como o Rio de Janeiro, em que ninguém usa seta, fica complicado. Uma das coisas mais gostosas desse filme foi um desses momentos easy rider. Andei nuns lugares, numas estradas ermas, sem ninguém. Tinha a paisagem maravilhosa da caatinga.

 

A REPÓRTER VIAJOU A CONVITE DA IMAGEM FILMES

 

 

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