Wagner Moura é indicado ao Globo de Ouro pelo papel em Narcos

Criticado no Brasil por seu sotaque, o ator foi indicado ao prêmio. 'Narcos' também disputa prêmio da crítica estrangeira em Hollywood

por Carolina Braga 11/12/2015 10:09

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Se Wagner Moura não fosse um homem educado, era a hora de jogar na cara de todos os detratores a indicação que recebeu ontem ao Globo de Ouro de melhor ator em série de drama. O papel de Pablo Escobar em Narcos (Netflix) rendeu a ele um lugar na seleta lista da Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood. A despeito de todas as críticas sobre seu sotaque, a atuação do brasileiro agradou ‘a mídia internacional.


O diretor José Padilha também se sai bem, já que Narcos, dirigida por ele, compete ao prêmio de melhor série de drama com Empire, Game of thrones, Mr. Robot. e Outlander. Os rivais de Moura na disputa são Jon Hamm (Mad men), Rami Malek (Mr. Robot), Bob Odenkirk (Better call Saul) e Liev Schreiber (Ray Donovan).

DANIEL DAZA/NETFLIX/DIVULGAÇÃO
Pelo papel do traficante colombiano Pablo Escobar em 'Narcos', Wagner Moura foi indicado a melhor ator em série dramática (foto: DANIEL DAZA/NETFLIX/DIVULGAÇÃO)
KEVINWINTER/AFP
O ator Bob Odenkirk, que disputa o Globo de Ouro com Wagner Moura, recebeu o prêmio da Escolha da Crítica, em maio passado, por seu papel em Better call Saul (foto: KEVINWINTER/AFP)

 

Mais uma vez, o Globo de Ouro sinaliza o fim das fronteiras entre as grandes produções para TV ou cinema e projetos pensados para outras plataformas. Foram ao todo oito indicações para produções da Netflix. Além de Narcos, os sempre frequentes Orange is the new black e House of cards competem entre as séries. Desta vez, a empresa de vídeos on-line expande seus tentáculos para o lado dos longas-metragens. Beasts of no nation, primeiro filme produzido pela Netflix, marca presença com uma indicação – a de Idris Elba como melhor ator coadjuvante.

 

O anúncio dos indicados ao Globo de Ouro funciona como a abertura oficial da temporada de prêmios. A lista divulgada ontem reforçou o burburinho que já se insinuava sobre a distribuição de troféus no ano que vem, sobretudo o Oscar – há carência de francos favoritos. Isso indica que a disputa, monótona demais nos últimos anos, tende a ser bem mais interessante.

 

A estatueta entregue pela imprensa estrangeira já foi um sinal forte para as bolsas de apostas do Oscar. Se o Globo de Ouro vinha perdendo essa vocação, este ano ainda mais. Spotlight: segredos revelados foi o grande vencedor do Gotham Awards, dedicado ao cinema independente. Ganhou os prêmios de filme, roteiro e ainda o prêmio especial do júri. Já na lista de indicados do Sindicato dos Atores (Screen Actors Guild), Trumbo: lista negra, sobre o universo de Hollywood, lidera, com três indicações.

 

A julgar pela escolha da crítica especializada, são pelo menos 12 concorrentes potenciais nesta temporada. Entre eles, Carol, de Todd Haynes, se destaca com cinco indicações, seguido por A grande aposta (Adam McKaye), Perdido em Marte (Ridley Scott) e Steve Jobs (Danny Boyle), com quatro cada um. No bloco dos que têm três indicações há oito filmes, entre eles pesos-pesados como Os 8 odiados, de Quentin Tarantino, que estreia em janeiro no Brasil, e novamente Spotlight, de Tom McCarthy.

 

BIS

Se há pulverização entre as produções, há repetições nas disputas individuais em relação aos anos anteriores. Depois da bem-sucedida campanha de Birdman no ano passado (nove indicações ao Oscar), o diretor mexicano Alejandro González Iñárritu se destaca novamente com O regresso. Ele disputa com Todd Haynes (Carol), Tom McCarthy (Spotlight), George Miller (Mad Max: A estrada da fúria) e Ridley Scott (Perdido em Marte) o Globo de Ouro de melhor diretor.

 

Entre os homens, o ator Eddie Redmayne – que em 2015 arrasou com A teoria de tudo (2014) – é forte candidato pela interpretação da transsexual em A garota dinamarquesa. A disputa é apertada, porque estão no páreo Leonardo DiCaprio (O regresso), em sua décima nomeação ao Globo de Ouro, e Michael Fassbender como Steve Jobs. Correm por fora, Will Smith (Concussion) e Bryan Cranston (Trumbo).

 

VALÉRY HACHE/AFP
A atriz Cate Blanchett, indicada por seu papel em Carol, no tapete vermelho do Festival de Cannes, em maio passado (foto: VALÉRY HACHE/AFP)
Entre as mulheres, Carol, que estreia no Brasil em janeiro e aborda um romance lésbico nos anos 1950, garantiu presença na categoria melhor atriz em drama para as duas intérpretes: Cate Blanchett e Rooney Mara. O filme ainda concorre em direção, trilha sonora e drama. Num ano de disputa equilibrada, é a produção que, por enquanto, larga em vantagem.

 

SURPRESAS

Massacrado pela crítica, Sylvester Stallone virou o jogo. Está indicado como melhor ator em papel coadjuvante por Creed: nascido para lutar. Também surpreende a ascensão da atriz Alicia Vikander. Recebeu duas indicações: melhor atriz de drama (por A garota dinamarquesa) e atriz em papel coadjuvante (por Ex-Machina).

 

Entre os esnobados, Steven Spielberg e Tom Hanks vão precisar amargar o desprezo a Ponte dos espiões. O longa obteve apenas uma indicação – para Mark Rylance como ator coadjuvante. A situação fica literalmente cômica porque a comédia A espiã que sabia de menos emplacou duas: melhor comédia e melhor atriz para Melissa McCarthy.

 

A entrega do Globo de Ouro será em 10 de janeiro.

 

ESTRANGEIRO

Diferentemente do Oscar, os longas estrangeiros que concorrem ao Globo de Ouro não são indicados por seus respectivos países. Ainda assim, havia expectativa em relação à indicação de Que horas ela volta?, de Anna Muylaert, pelo bom desempenho do longa brasileiro em festivais internacionais. Não rolou. O chileno O clube, de Pablo Larraín, é o representante latino-americano. Concorre com o húngaro O filho de Saul, a comédia francesa Le tout nouveau testament, o finlandês Miekkailija e o turco Cinco graças.

 

Veja a lista completa dos indicados ao Globo de Ouro 

 

• Calendários de prêmios

 

• 10 de janeiro – Globo de Ouro

• 14 de janeiro – Critics’ Choice Awards

• 23 de janeiro – Producers Guild Awards (Sindicato dos Produtores)

• 30 de janeiro – Screen Actors Guild Awards (Sindicato dos Atores)

• 6 de fevereiro – Directors Guild Awards (Sindicato dos Diretores)

• 13 de fevereiro – Writers Guild Awards (Sindicato dos Roteiristas)

• 14 de fevereiro – BAFTA Film Awards

• 27 de fevereiro – Spirit Awards

• 28 de fevereiro – Oscar



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