Documentário 'Minha memória é aqui' ganha exibição no Cine Humberto Mauro

Filme sobre os personagens do Parque Municipal é resultado da oficina do Festival Cinememória

por Shirley Pacelli 10/12/2015 09:55

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Minha memória e aqui/Reprodução
Minha memória é aqui, documentário sobre o Parque Municipal, foi produzido na oficina do festival Cinememória (foto: Minha memória e aqui/Reprodução)
Há cerca de 50 anos, Márcia vende pipocas no Parque Municipal. Ivanildo, há 34, constrói e dá manutenção nos barquinhos do lago. O jovem Mateus, com 26, cresceu no local: é filho de Vera, responsável pelos passeios com burrinhos. Os personagens, que têm a história de vida confundida com a do tradicional espaço público de lazer de Belo Horizonte, compõem o documentário Minha memória é aqui. A produção é resultado da oficina do Cinememória, festival de cinema que começou na terça-feira na capital mineira. O filme será exibido hoje, dia de encerramento, dentro da programação da mostra paralela.

O evento tem como temáticas a memória como processo de construção de identidade, patrimônio material e imaterial, além do meio ambiente natural e urbano. A primeira edição do festival é realizada na Sala Humberto Mauro, no Palácio das Artes. Na mostra principal de hoje, o público poderá conferir o longa Os arturos (2003), de Thereza Jessouroun, que retrata a comunidade quilombola de Contagem (MG). Após as sessões, haverá debate com a plateia.

Ana Beatriz Mascarenhas, coordenadora do Cinememória, conta que a proposta é realizar uma ação de educação patrimonial que compreenda o público em geral, por isso a escolha pelo formato de mostra de cinema. “O conceito de patrimônio dos modernistas caiu por terra desde a década de 70. Hoje, envolve patrimônio imaterial, danças folclóricas, festas e também engloba a discussão do meio ambiente”, explica Ana Beatriz.

Patrimônio

Para Ana Beatriz, além do viés documental, por meio da oficina, o cinema no festival serve como instrumento de abertura ao oferecer a oportunidade de produção própria ao público. “Um exemplo é o rompimento da barragem em Mariana. As pessoas sem a rua onde moravam... Está tudo ligado: patrimônio, memória, identidade e meio ambiente. Percebo certa pasteurização do mundo. Os centros culturais são voltados para o turismo e pouco para a própria população. Existe esse processo de museificar a cidade”, explica.

Na mostra paralela de hoje, serão exibidos diversos filmes que retratam ofícios que carecem de mão de obra e são pouco valorizados. Na grade de programação estão Barba, cabelo e bigode, de Danilo Vilaça e Janaína de Andrade, Alfaiates de Belo Horizonte, de Silvia Godinho e Ana Luísa Santos, e Os sapateiros de BH – O passo a passo de uma tradição, de Fred Carvalho.

Lucas Fabrício Araújo, diretor do curta Minha memória é aqui, produzido na oficina do festival, diz que a ideia é apresentar a história do Parque Municipal por meio do olhar dos antigos trabalhadores locais, como os fotógrafos lambe-lambe. “Acho que temos que pensar na memória feita da concretude do espaço, mas também das relações que se constroem ali”, destaca.

Cinememória
Nesta quinta-feira, no Cine Humberto Mauro, no Palácio das Artes (Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro). Filmes da mostra oficial às 20h e da mostra paralela a partir das 14h. Entrada franca. Programação completa em www.festivalcinememoria.com.

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