'Straight outta Compton' narra nos cinemas a escalada meteórica do N.W.A

Em cartaz no Brasil, longa que narra as origens do gangsta rap foi sucesso de público e crítica nos Estados Unidos

por Ricardo Calil 01/11/2015 07:00

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Universal/divulgação
(foto: Universal/divulgação)

A força de 'Straight outta Compton – A história do N.W.A.' reside em ser uma trama de sucesso americano convencional com protagonistas pouco convencionais: rappers negros de um bairro pobre, vítimas de abuso policial. Sucesso de público e crítica nos EUA, o filme mostra criação, glória meteórica, brigas internas e dissolução precoce do N.W.A. (Niggaz Wit Attitudes), pioneiro do gangsta rap, coletivo em que se destacaram Eazy-E (Jason Mitchell), Dr. Dre (Corey Hawkins) e Ice Cube (O’Shea Jackson Jr.) – transformados em protagonistas do filme.

O primeiro era um ex-traficante que se tornou dono de gravadora; o segundo, DJ que virou um dos produtores mais importantes do rap; o terceiro, rapper que depois foi ator. Em 1988, eles lançaram Straight outta Compton, marcado pela música 'Fuck tha police', que denunciava abusos policiais, virou hino das ruas e alvo do FBI. Apenas três anos depois, o grupo estava desfeito por desentendimentos financeiros.


Entre os aspectos abordados pelo filme – a importância artística e política do N.W.A., a violência praticada contra eles e entre eles, os dramas pessoais –, o mais destacado é a questão monetária. 'Straight outta Compton' é menos a história de um grupo que confrontou o sistema e mais o triunfo capitalista de três inesperados ''self-made men'' que saíram do gueto para ostentar sucesso ao mundo. Assim, o filme se aproxima de uma biografia coletiva tradicional, dirigida de forma convencional (embora jamais burocrática) por F. Gary Gray, diretor de clipes de rap e saído de Compton.

Por vezes, o longa lembra uma versão ficcional e estendida de clássicos programas de TV biográficos. Algumas escolhas de Gray reforçam essa impressão, como atores que lembram fisicamente os retratados, mas que nem sempre seguram a carga dramática das cenas. A dramatização à  beira da pieguice de certas passagens, a demonização de alguns personagens (Heller e Knight) e a santificação de outros (Ice Cube e Dr. Dre, não por acaso produtores do filme) são outros pontos negativos.

Mas, apesar de perder o fôlego no final, o longa nunca deixa de entreter, carregado ora pela força da música, ora pelo contexto histórico, sempre pelo caráter idiossincrático de seus protagonistas. Não é todo dia que um filme tem como heróis um ex-traficante que morre em decorrência da Aids (Eazy-E), um produtor (Dre) que vira sócio de um gângster (Knight) e um rapper que manda a polícia se f***. (Ice Cube).

Nunca houve um filme capitalista tão negro quanto este. E a importância histórica desse fato garante a esse longa superestimado um lugar na história do cinema, apesar de suas limitações.


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