Projeto de documentário mineiro é o grande vencedor do 6º Brasil Cinemundi

Filme dirigido por Marcos Pimentel aborda o significado da palavra Saudade nos países de língua portuguesa. Evento reuniu representantes de 10 países em BH

por Carolina Braga 19/10/2015 22:51

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Leo Lara/Universo Produção
Leo Ayres, Luana Melgaco e Marcos Pimentel, do projeto "Saudade" (foto: Leo Lara/Universo Produção)

Saudade, o projeto de documentário com direção do mineiro Marcos Pimentel e produção de Luana Melgaço e Leonardo Ayres foi o grande vencedor da 6ª edição do Brasil Cinemundi. O anúncio foi feito na noite desta segunda (19) durante o encerramento do evento voltado para o mercado de cinema dentro da programação da Mostra Cine BH.

Ainda em fase de desenvolvimento, Saudade recebeu o prêmio principal, 60 mil reais em materiais. Faturou também vagas para participação dos laboratórios de roteiro no Festival Ventana sur, em Buenos Aires e DocSP, marcado para o mês que vem em São Paulo. A produtora Luana Melgaço também ganhou uma vaga para participar do encontro de mercado no festival de Torino, na Itália.

"Estou feliz demais em saber que além do projeto ter avançado muito porque amadureceu durante estes dias e também porque existe a possibilidade que ele se concretize o mais rápido possível", disse o diretor de Juiz de Fora. Torcedor do Tupi, ao receber o troféu, Marcos Pimentel comparou a campanha do time com a do projeto do filme. "Tomara que assim como a gente ele também consiga vencer e subir para a primeira divisão", disse.

Desterro, com direção de Maria Clara Escobar, conquistou a outra vaga para o festival Ventana Sur, Mato seco em chamas, de Adirley Queirós, foi selecionado para o evento de mercado em Toulouse, na França e a produtora de A herança, com direção de Chico Teixeira, também vai para Torino, na Itália.

Participaram do 6º Brasil Cinemundi, 10 projetos de longas-metragens em fase de desenvolvimento de roteiro. Desde quinta-feira (15), produtores e diretores de dez filmes tiveram a oportunidade de reunir individualmente com representantes de países como Alemanha, Argentina, Chile, Colômbia, França, Noruega, Estados Unidos, Suíça, Uruguai e Espanha. Entre eles estavam programadores de festivais, curadores de fundos de coprodução e também agentes de vendas internacionais.

Consultora internacional do Cinema do Brasil, Marika Kozlovska participou dos encontros com os realizadores selecionados. Ela diz que o posicionamento da produção nacional no exterior é complexa pela especificidade do que é feito aqui. “Às vezes tem uma linguagem muito específica que não é compreendida pelo mercado”, analisa. O Cinema do Brasil é um programa mantido pelo Governo Federal com o objetivo de auxiliar a difusão das obras audiovisuais.

Eventos voltados para o mercado como aqueles realizados em Cannes, na França, Berlim, na Alemanha, e mesmo espaços dedicados à coprodução como em Rotterdam, na Holanda, tem alta concorrência. Como Brasil não existem muitos eventos de mercado, iniciativas como a Cinemundi ganham ainda mais importância.

Para Marika Kozlovska os projetos apresentados nesta edição demonstraram potencial. Ainda assim, ela acredita que os realizadores brasileiros ainda tem muito o que avançar no desenvolvimento de roteiro. “A imagem é legal, a técnica é muito boa, mas os roteiros se perdem. As histórias não seguem caminhos claros e esse é um ponto muito importante de se solucionar”, explica.

Séverine Roinssard, produtora Parati Films, coordenadora La Fabrique des Cinémas du Monde e colaboradora Brasil CineMundi na França concorda. Para ela o desenvolvimento dos roteiros precisa ser pensado dentro de um conjunto de estratégias. “Não pode fazer um projeto aqui, obter todos os fundos e achar que é bacana e vai bombar no mundo inteiro. Quando se confronta com um produtor do Chile, da Alemanha acaba se dando conta que a potência era, apenas, nacional”.

A colombiana Diana Bustamante, da produtora Burning Blue e uma das programadoras do Festival Internacional de Cinema de Cartagena acredita que o que falta aos novos realizadores é experiência no dinâmico – e disputado – mercado internacional. “Viagem para conhecer mais esse mercado”, recomenda.

Segundo ela, é preciso que as equipes de produção façam que seus filmes se tornem conhecidos. “Por isso a coprodução é tão importante. Vocês tem toda potência, todas as ferramentas, uma sensibilidade incrível, recursos e sobretudo uma linguagem audiovisual que é muito forte”, afirma. Sem revelar detalhes, confirma voltar para a Colômbia com interesse em negociar com projetos que conheceu em Belo Horizonte.

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