Filme 'Lulu nua e crua' aposta em um feminismo discreto mas determinado no enredo

Longa conta a história de mulher que, após fracassar em uma entrevista de emprego, resolve sair pelo mundo atrás de histórias

por Ricardo Calil 13/10/2015 08:00

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BONFILM/DIVULGAÇÃO
Karin Viard, o esteio de 'Lulu nua e crua' (foto: BONFILM/DIVULGAÇÃO)
A sensação de déjà-vu é inevitável no começo de Lulu nua e crua. A ideia da mulher que abandona tudo e cai no mundo para se redescobrir tem ecos de Pão e tulipas e Bagdad Café, entre outros. Mas, de forma lenta e por vezes titubeante, o filme da diretora Sólveig Anspach, baseado em HQ de Étienne Davodeau, consegue driblar os clichês e firmar uma personalidade própria.

A protagonista é Lucie (Karin Viard), chamada por todos de Lulu, talvez por sua canina bonomia. Na primeira cena, ela se dá mal em uma entrevista de emprego. De sopetão, decide não voltar para o lar, deixando marido e filhos à espera. O motivo nunca fica claro e essa ambiguidade se revela como um dos trunfos do filme.

Em suas perambulações, Lulu encontra um simpático ex-detento que se apaixona por ela (Bouli Lanners), uma senhora que não quer morrer solitária (Claude Gensac), uma garçonete abusada pela patroa (Nina Meurisse). São todos claramente simbólicos, representações de caminhos que se abrem para Lulu: a paixão (e um novo compromisso), a solidão (ou a fuga dela), o abuso (ou a sua recusa).

A personagem vaga sem rumo entre essas possibilidades – e essa indefinição por vezes contamina Lulu. Há toda uma subtrama bufona, ligada aos dois irmãos do ex-detento, deslocada em relação ao eixo do filme. Mas a atuação afinada de Viard segura o prumo, dá um rosto peculiar ao filme e garante o encanto de sua mensagem final, de um feminismo discreto, mas determinado. (Folhapress)

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