Cine Sesc Palladium exibe cinco longas de John Cassavetes

Mostra fica em cartaz desta quinta até 21 de outubro

por Carolina Braga 01/10/2015 09:50

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Sesc MG/Divulgação
Segundo longa do diretor, 'Faces' retrata a decadência de um casamento (foto: Sesc MG/Divulgação)
Toda pesquisa que se faz em torno do nome do cineasta norte-americano John Cassavetes (1929-1989) começa com a seguinte informação: ele é considerado o pai do cinema independente americano. Ator – atuou em O bebê de Rosemary, de Polanski (1968) – e diretor, fez uma obra autoral e hoje é considerado um mestre. Seus dois primeiros filmes – Sombras (1959) e Faces (1968) – são considerados clássicos. Este mês, o projeto Cine Sesc Palladium homenageia o realizador com a mostra gratuita O cinema de John Cassavetes e exibe cinco longas produzidos entre 1959 e 1974.

“Escolhemos filmes que trazem características muito emblemáticas. O interesse pelo perfil psicológico dos personagens, a curva dramática dessas pessoas no jogo com o outro”, explica Siomara Gomes Faria, analista de artes e cultura do Sesc MG.

Diretor independente radicado em Minas, Dellani Lima tem em Cassavetes um exemplo. “Só irão sobreviver os que tiverem um grande nome ou os independentes de verdade, que produzem não só por dinheiro, mas por desejo, gana, paixão, amor mesmo. Principalmente hoje, num mundo repleto de crises de todas as camadas, da alma, do corpo e do bolso”, diz, acrescentando que é fã de como Cassavetes trabalha o corpo do ator e a mise-en-scène.

Para o crítico de cinema José Geraldo Couto, a característica mais forte permanente da obra do cineasta é justamente “a visceralidade, a radicalidade da sua entrega à exploração e expressão dos sentimentos humanos mais profundos e contraditórios”.

Cassavetes começou a carreira como ator em 1951, no filme Horas intermináveis, de Henry Hathaway. Também como intérprete atuou em seriados até 1957, quando começou a rodar Sombras (1959), longa que o consagraria como cineasta autoral. Ele morreu em 1989 deixando uma filmografia de 16 longas como diretor.

“Cassavetes merece destaque por ter feito um cinema radicalmente pessoal, à margem dos grandes estúdios e alheio às convenções estéticas e narrativas em voga em seu tempo (e ainda hoje). Com isso, abriu caminho para gerações inteiras de cineastas insatisfeitos com o modelo industrial e as fórmulas do cinema industrial americano”, explica Couto.

SERVIÇO
Mostra O cinema de John Cassavetes
De 1º a 21 de outubro. Cine Sesc Palladium. Av. Augusto de Lima, 420, Centro, (31) 3270-8100, Entrada gratuita, com retirada de ingressos 30 minutos antes da sessão.

PROGRAMAÇÃO

Dias 1º, 7 e 16/10
>> Sombras (Shadows, 1959)
Rodado entre 1957 e 1958, o primeiro longa foi filmado em 16mm por uma equipe muito pequena, como é básico no cinema independente. A história gira em torno de três irmãos negros, que convivem com amores e preconceitos. Os atores foram alunos do diretor.

Dias 2, 8 e 17/10
>> Faces (Faces, 1968)
Segundo trabalho independente, Faces é uma das obras mais emblemáticas do cineasta. A trama sobre o desmoronamento de um casamento da classe média-alta norte-americana foi indicada ao Oscar de melhor roteiro original.

Dias 3, 9 e 18/10
>> Uma mulher sob influência (A woman under
the influence, 1974)
Com este filme, Cassavetes foi indicado ao Oscar de melhor diretor. A atriz Gena Rowlands – mulher do diretor ao longo de 40 anos – é Mabel, dona de casa depressiva, dada como louca. Quando ficou pronto, Cassavetes não conseguiu quem o distribuísse. Ele próprio saiu com os rolos “debaixo do braço”, oferecendo-os aos cinemas. Martin Scorsese, fã do colega, mediou a indicação para exibi-lo no New York Film Festival.

Dias 4, 10 e 20/10

>> A morte de um bookmaker chinês (The killing of a chinese bookie, 1976)
Um dos poucos filmes da cinematografia de Cassavetes não protagonizados pela atriz Gena Rowlands. A trama faz uma reflexão sobre o poder e o dinheiro. A primeira versão, com 135 minutos e lançada em 1976, foi posteriormente editada e reduzida para 108 minutos.

Dias 6, 11 e 21/10
>> Noite de estreia (Opening night, 1977)
Mais um filme que Cassavetes teve problemas para distribuir. Estreou em circuito restrito nos EUA, com bilheteria ínfima para os padrões de Hollywood, mesmo tendo sido indicado ao Globo de Ouro de melhor filme. Só após a morte do diretor, em 1989, é que o longa foi comprado por uma grande distribuidora, relançado e projetado no mundo todo. Foi exibido fora de competição no Festival de Cannes de 1992.

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