'Pequeno dicionário amoroso 2' chega aos cinemas dezoito anos depois do primeiro filme

Estreia desta semana traz de volta os mesmos personagens do longa-metragem que a cineasta carioca Sandra Werneck dirigiu em 1997

por Mariana Peixoto 10/09/2015 09:04

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Douglas Nascimento/Divulgação
Andrea Beltrão e Daniel Dantas reassumem os personagens Luiza e Gabriel, agora mais maduros e com a vida (quase) resolvida (foto: Douglas Nascimento/Divulgação )
Dezoito anos após estrear na ficção com 'Pequeno dicionário amoroso', a diretora Sandra Werneck volta aos mesmos personagens, Luiza (Andrea Beltrão) e Gabriel (Daniel Dantas). O lançamento de 'Pequeno dicionário amoroso 2', que estreia hoje em 55 salas de Belo Horizonte, Rio, São Paulo, Brasília e Recife, mostra tanto o reencontro do ex-casal, agora na idade madura, quanto explicita as mudanças da produção nacional nas últimas duas décadas.
 
 
 
Ao contrário de muitos colegas cineastas, Sandra Werneck não estava parada no início da década de 1990. A produção cinematográfica brasileira havia praticamente acabado com a extinção da Embrafilme pelo governo Collor (1990/1992), mas ela, com verba estrangeira, filmava o documentário 'A guerra dos meninos' (1991), sobre o assassinato de menores no país, a partir de denúncia feita pelo jornalista Gilberto Dimenstein no livro homônimo.

Desafio

Até então com a carreira voltada para o documentário, Sandra Werneck assistiu, como todo o meio cinematográfico, ao retorno da produção nacional com 'Carlota Joaquina, princesa do Brazil', de Carla Camurati, que em 1995 levou 1,3 milhão de pessoas aos cinemas. Era possível, mais uma vez, fazer cinema no Brasil.

Era também hora de estrear na ficção. Depois de um experimento documental, com uma série de entrevistas sobre relacionamentos amorosos, Sandra Werneck pensou em um projeto de mais fôlego. Só que a atriz escolhida para protagonizar o filme engravidadou. Esperou um ano até que Andrea Beltrão fosse liberada.

Com R$ 1 milhão – e um só patrocinador, que bancou um décimo do montante –, pegou um apartamento vazio, convocou sua própria cozinheira para preparar as refeições da equipe (não mais do que 20 pessoas) e filmou, em locações bem conhecidas do Rio de Janeiro, a história de amor de Luiza e Gabriel.

Lançado em janeiro de 1997, 'Pequeno dicionário amoroso' era um tiro no escuro. Comédia romântica em um país que não tinha tradição nesse gênero, também fugia ao happy end dos filmes de Meg Ryan, a estrela desse segmento em Hollywood. A forma criada pelos roteiristas Paulo Halm e José Roberto Torero era algo inédito: o começo, meio e fim da relação é contada por meio dos verbetes de um dicionário, de A a Z.

O sucesso surpreendeu todos os envolvidos. “Tinha fila na porta dos cinemas”, relembra Sandra Werneck. Lançado com 29 cópias, 'Pequeno dicionário amoroso' ficou 29 semanas em cartaz. Teve 490 mil espectadores, desdobrou-se em livro e espetáculo teatral. A cineasta acabou se interessando pela comédia romântica. Seu filme posterior foi 'Amores possíveis' (2001).

Mercado

Também estreando no meio, Bruno Wainer, então à frente da distribuidora Lumière, fez com 'Pequeno dicionário amoroso' seu batismo em produções brasileiras. “O filme foi uma surpresa pelo sucesso que fez e pelo tamanho que tinha na época. A estratégia de lançamento foi praça a praça, quase que como uma carreira de peça de teatro”, comenta ele, que, agora à frente da Downtown, também é o responsável pela distribuição da sequência.

Numa época em que as comédias rasgadas protagonizadas por nomes populares da TV dominam o mercado, Wainer não faz nenhuma previsão de números pela sequência. “Prefiro não arriscar. O mercado está mudando, o perfil do público é outro. Quando você tem um grande comediante como protagonista, o filme tem um tamanho 10 vezes maior do que este”, diz ele, que distribuiu 'O candidato honesto', com Leandro Hassun, a mais bem-sucedida produção brasileira de 2014 – foi lançada em 595 salas e teve 2,23 milhões de espectadores.

“Com o 'Pequeno dicionário 2' estamos indo contra a corrente. É importante que haja uma diversificação, precisamos alargar o gênero. Não é só a grande comédia, mas temos que experimentar outros gêneros”, acrescenta Wainer.

De A a Z

CINELUZ/DIVULGAÇÃO
O primeiro filme, rodado em 1997, surpreendeu pela boa bilheteria (foto: CINELUZ/DIVULGAÇÃO)
Os verbetes agora são outros, e as formas de amar também. 'Pequeno dicionário amoroso 2' começa com “Alucinação” e termina com “Zelo”. Ao final da narrativa há mais um verbete, “Apostar”, que serve como um epílogo para o que pode vir pela frente.

Na nova história, Luiza está no terceiro casamento, enquanto Gabriel engata, sem nenhum entusiasmo, mais um “namoro sério” com uma garota com idade para ser sua filha. O reencontro, muitos anos depois, se dá da maneira mais inusitada possível: Gabriel vai ao enterro do padrasto de Luiza.

O primeiro encontro gera um segundo e um terceiro. Frustrados com a própria vida, cada um vê nesta aparição do passado um motivador para sair do lugar. Mas são pessoas com jeito e vivências bem diferentes.

Luiza quer dar uma sacudida na vida. Gabriel, mais acomodado, faz o gênero “antes mal acompanhado do que só”. Não é difícil imaginar o que ocorre entre eles. Do elenco do filme original, outro nome presente é o de Glória Pires, que faz a ex-mulher de Gabriel, com quem mantém uma relação de amizade.

Nesta sequência há ainda um núcleo jovem. Alice (Fernanda Vasconcellos) é a filha de Gabriel que procura novas formas de amor. E Pedro (Miguel Arraes), o filho adolescente de Luiza, faz da internet a ferramenta para a descoberta do sexo.

A história é diferente, mas o formato parecido. Para os fãs do primeiro filme, a mudança mais marcante na forma é que desta vez os personagens não conversam com a câmera, recurso que Sandra Werneck afirma ter herdado da época de documentarista.

Para Andrea Beltrão, a Luiza de agora é uma pessoa mais leve. “Ainda que o final do filme não deixe tudo muito claro, o caminho escolhido para a personagem é mais maduro, lúdico. Acho que acima de tudo ela tem que estar bem com ela. Nunca funciona essa história de uma pessoa depositar demais a felicidade apenas no relacionamento amoroso.”

Como os tempos são outros, depois de sua carreira no cinema, 'Pequeno dicionário amoroso 2' vai chegar à televisão em um formato de minissérie, com exibição no canal pago GNT, ainda sem previsão de estreia.

EM DUAS FRENTES

Vantoen Pereira Junior/Divulgacao
(foto: Vantoen Pereira Junior/Divulgacao )
Sandra Werneck (foto), que desde o filme de 1997 vem intercalando a produção ficcional com a documental, está com dois projetos em andamento. O mais adiantado é o documentário 'Os outros', que acompanha três covers (de Roberto Carlos, Ivete Sangalo e Cazuza) para investigar “alguém que vive a vida dos outros”, explica a diretora. Na seara da ficção, está em fase de roteiro uma nova comédia romântica, 'Amores virtuais', que vai tratar das relações na era da internet.

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