Michel Joelsas atua com Regina Casé em filme premiado em festivais no exterior

O garotinho solitário de 'O ano em que meus pais saíram de férias', agora vive um adolescente que se sente mais amado pela babá do que pela mãe em 'Que horas ela volta?'

por Mariana Peixoto 06/09/2015 06:00

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BUENA VISTA INTERNATIONAL/DIVULGAÇÃO
Michel Joelsas contracena com Regina Casé no longa Que horas ela volta?, de Anna Muylaert; ele é Fabinho, que se prepara para o vestibular (foto: BUENA VISTA INTERNATIONAL/DIVULGAÇÃO)
O ano de 2013 não foi nada fácil para Michel Joelsas. Estudando sem parar, o ator paulista só pensava no vestibular para administração de empresas. No meio do cursinho, já no final do segundo semestre, foi convidado para fazer um teste para um filme de Anna Muylaert. Passou. Como também na primeira fase da Fuvest, um dos vestibulares mais concorridos do país.

Quando teve início o período de dois meses de ensaio para a produção, Michel estava em meio às provas. De certa maneira, o que se passava na sua vida ocorria também na ficção – seu personagem em Que horas ela volta?, Fabinho, é um pré-vestibulando.

“Apesar dessa semelhança com a vida estudantil, o vestibular mais atrapalhou do que ajudou (na construção da personagem). Sempre acreditei que excesso de informação limita a criatividade”, diz Michel, hoje com 20 anos.

Ele passou no vestibular para administração. Fabinho, não. Garoto da família rica do Morumbi onde mora Val (Regina Casé) – a antiga babá que o trata como filho e que tem dificuldades em lidar com a própria filha – vive em confronto com a própria mãe. Com Que horas ela volta?, premiado nos festivais de Sundance e Berlim, Michel Joelsas está de volta à tela grande, quase dez anos depois de ter feito sua estreia no cinema em outra produção nacional que deu o que falar.

Ele tinha dez anos quando uma produtora de elenco foi até sua escola para escolher meninos que protagonizariam um filme de Cao Hamburger. Em O ano em que meus pais saíram de férias (2006), Mauro é um garoto deixado pelos pais aos cuidados do avô. O ano é 1970, o avô morre, e ele passa a viver com um vizinho, um judeu solitário. Louco por futebol, Mauro compensa a ausência paterna com a alegria de acompanhar a Seleção Brasileira na Copa de 70.

Sem nunca ter pisado num palco, ele começou a participar da seleção do filme de Hamburger. Eram mil meninos, e Michel, mesmo tendo passando no primeiro funil (que selecionou 50) e no segundo (que chegou a três) nunca acreditou que seria o escolhido. Uma das roteiristas do filme de Hambuger é Anna Muylaert, a diretora de Que horas ela volta?

EXPERIÊNCIA


“Foi uma experiência muito forte. Foi um trabalho, mas me diverti muito, principalmente com as relações criadas no set”, diz Michel que, ao contrário de Mauro e Fabinho, tem pais bastante presentes. Tanto que, terminadas as filmagens de O ano em que meus pais saíram de férias, a preocupação deles era não transformá-lo num ator mirim, mas sim seguir a vida, como qualquer menino de dez anos.

“Voltei para a escola como se não tivesse acontecido nada. O filme não tirou nada da minha infância.” Veio a adolescência e Michel, já começando a seguir os próprios passos, continuou com o mesmo pensamento. Estudar, sair com os amigos. Mas, de vez em quando, fazer alguns trabalhos. Fez curtas, participou da minissérie Maysa (foi Jayme Monjardim quando jovem), de uma série para o Nickelodeon (Julie e os fantasmas) e outra para a Globo (Malhação) e ainda do longa A suprema felicidade, de Arnaldo Jabor.

Mas são Mauro e Fabinho seus papéis mais relevantes. O “príncipe” da babá Val teve uma interação muito rápida e forte com Regina Casé. A relação se fortaleceu na preparação do filme, em cenas que não estão no longa de Muylaert. Uma delas, Michel relembra, foi de uma viagem para o Guarujá, quando os pais foram na frente do carro e ele, no banco de trás com a babá.

“O Fabinho tem essa dependência da Val que vai ter que ser vencida em algum ponto”, comenta Michel, que acredita ser marcante o momento em que ele se despede, já dentro do carro (imagem que ilustra esta página), e diz “Val, te amo”.

Ao longo dos quase dez anos que separam seus dois principais trabalhos, Michel não estudou muito atuação. O mais relevante foi um curso que fez em Belo Horizonte, com o ator Rick Alves. “Não queria me preocupar com minha carreira profissional antes da hora. Tinha receio de perder a infância e a adolescência, um tempo que não volta. Hoje, sinto não um atraso, mas uma falta de ter me entregado mais cedo para o meio teatral. Mas não me arrependo, pois nunca é tarde para estudar e falo de boca cheia que aproveitei minha adolescência ao extremo.”

O curso de administração, um ano depois, Michel trancou. Não era o que esperava. “Por enquanto, não tenho nada certo. Vou me entregar ao teatro, estudar, estudar e correr atrás de trabalho, mas de maneira secundária. Quero evoluir mais, entender meus próprios processos antes de ter uma chuva de métodos Stanislavski e Grotowski.”

Sonha ainda fazer cinema, escrever e dirigir. “Sei que dirigir é para poucos, e não sei se sou um desses poucos. Mas tenho que arriscar”, acrescenta. E aí aparece o Fabinho de novo, já que Michel, neste fim de ano, vai voltar a fazer vestibular para cinema. “Volta o drama, mas, da segunda vez, vai ser mais fácil. Tenho muita coisa guardada na cabeça.”

PAIS PROBLEMA

Confira outros personagens de Michel Joelsas com conflitos familiares

O ano em que meus pais saíram de férias (2006)

Em 1970, Mauro é deixado pelos pais aos cuidados do avô, que morre logo após receber o garoto. Ele fica aos cuidados de um velho judeu solitário, enquanto acompanha a Seleção Brasileira na Copa.

Malhação (2014)

Henrique não foi criado pelo pai, e vai atrás dele para que possam viver juntos. Só que acaba se decepcionando, já que o pai está envolvido com vários crimes, inclusive no desaparecimento de uma pessoa.

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