Trabalhos de 21 países compõem a maratona cinéfila do 15º Indie BH

Documentário sobre Ingrid Bergman, que abre a mostra, utilizou diários e filmagens feitos pela atriz sueca

por Mariana Peixoto 03/09/2015 08:30

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Fotos: Indie festival/divulgação
'Eu sou Ingrid Bergman' foi sugerido por Isabella Rossellini, filha da estrela do clássico 'Casablanca' (foto: Fotos: Indie festival/divulgação)
“Por que você não faz um filme sobre mamãe?” A pergunta pegou de surpresa o cineasta e crítico sueco Stig Björkman, de 76 anos. A interlocutora era, no caso, a atriz Isabella Rossellini, que presidia o júri do Festival de Cinema de Berlim quatro anos e meio atrás. Björkman exibia no festival seu mais recente documentário, 'Fanny, Alexander e eu', sobre a obra de Ingmar Bergman, que havia ganhado uma mostra no evento alemão. Nunca tinha trocado uma palavra com Isabella, tampouco com “mamãe”, a atriz Ingrid Bergman, que havia visto en passant em 1968.

A despeito disso, os quatro filhos da atriz – as gêmeas Isabella e Ingrid, e Roberto, da relação com Roberto Rossellini, e a primogênita Pia Lindström, do casamento com Petter Lindström – deram total acesso a Björkman aos arquivos de Ingrid, então sob a guarda da Universidade Wesleyan, em Connecticut, EUA. Foi a partir desse material que nasceu o documentário 'Eu sou Ingrid Bergman', que abre nesta noite, para convidados, no Cine Belas Artes, a 15ª edição do Indie Festival. O filme terá outra sessão, aberta ao público, no domingo, às 21h30, no mesmo cinema. Além do Belas Artes, o evento vai até 9 de setembro com exibições no Humberto Mauro e no Sesc Palladium. Serão apresentados 65 filmes de 21 países, a maior parte deles inédita em Belo Horizonte.

Lançado em maio no Festival de Cannes, onde recebeu menção especial, 'Eu sou Ingrid Bergman' celebra ainda o centenário da atriz, nascida em Estocolmo em 29 de agosto de 1915. Björkman reconstitui a trajetória na primeira pessoa, já que utilizou como principal fonte os diários (escritos por ela desde a infância), cartas e imagens (sete horas ao menos) de filmagens caseiras que a própria atriz realizou entre os 20 e 30 anos.

O material, algo em torno de sete a oito horas de registros em Super-8 e 16mm, é um dos trunfos do realizador, que, além da família, entrevistou as atrizes Liv Ullmann e Sigourney Weaver. “Como o material é muito rico, minha visão sobre Ingrid mudou muito ao longo do processo. Descobri uma pessoa muito moderna, corajosa, uma mulher muito à frente de seu tempo.”

Para o diretor, a carreira vinha em primeiro lugar para a atriz. “Depois, vinham a família e as crianças. Mas todos os filhos foram muito amorosos ao falar dela, mesmo que estivesse ausente boa parte do tempo. Ela viveu intensamente nos anos 1940 e 1950, vejo-a como uma feminista, ainda que não tenha tido nenhum envolvimento político durante a vida”, acrescenta Björkman. Na última sexta-feira, Eu sou Ingrid Bergman fez sua estreia comercial na Suécia. O resultado vem surpreendendo o diretor. Em cartaz em 160 salas, o documentário ocupa o segundo lugar nas bilheterias de seu país.



DIVERSIDADE

O filme sueco integra a Mostra Mundial, principal janela do Indie, que exibe outras 24 produções. Curadora da mostra, Francesca Azzi destaca outras produções que tiveram boa carreira internacionalmente. “'Cemitério do esplendor' é o novo filme do Apichatpong Weerasethakul (cineasta tailandês, queridinho do Indie). Foi exibido em Cannes e conseguiu trazer em primeira mão para cá. Outro que também esteve lá foi 'O tesouro', do (romeno) Corneliu Porumboiu”, diz ela. Para os fãs do cinema do sempre polêmico Larry Clark, o evento exibe 'The smell of us'. Desta vez, o diretor americano, que estreou 20 anos atrás com 'Kids', foi a Paris investigar o universo dos garotos de programa.

Nesta edição, o Indie realiza duas retrospectivas de dois diretores formados na antiga União Soviética e pouco conhecidos no país: Kira Muratova, nascida na Moldávia e hoje radicada na Ucrânia e Sharunas Bartas, da Lituânia. “A Muratova tem hoje mais de 80 anos. Produziu filmes a vida toda, experimentando vários tipos de linguagem. Já o Sharunas, que tem 50, é muito comparado ao (húngaro) Béla Tarr, pois faz um cinema mais contemplativo”, acrescenta Francesca.

Braço nacional do evento, o Indie vai exibir dois programas. Um com seis filmes inéditos, com destaque para o documentário 'My name is now, Elza Soares', da mineira Elizabete Martins Campos (inédito em BH) e 'Trago seu amor', do paraibano radicado na capital mineira Dellani Lima.

Como explica a curadora Daniela Azzi, desde a edição 2014 o Indie procura, além de lançar a produção contemporânea brasileira, também lançar um olhar para o passado. Neste ano, promove retrospectiva dedicada ao crítico e cineasta paulista Jairo Ferreira. Os filmes foram selecionados por Marcelo Miranda.


Homenagens no centenário

O centenário de nascimento de Ingrid Bergman está sendo comemorado com uma retrospectiva em Nova York, inaugurada no fim de semana com a exibição do clássico Casablanca, apresentado por Isabella Rossellini e Pia Lindstrom para homenagear sua mãe. “Mamãe gostaria de ser recordada como uma artista. O que poderia ser melhor do que estar aqui, no MoMA, apresentando esta retrospectiva”, declarou Rossellini, de 63 anos, ao inaugurar a mostra no Museu de Arte Moderna.

'Ingrid Bergman: uma celebração centenária' ficará aberta ao público até 10 de setembro e faz parte das várias homenagens à grande atriz sueca, que nasceu em 29 de agosto de 1915 e morreu no mesmo dia, em 1982, aos 67 anos. Além disso, Londres e Paris apresentarão em setembro e outubro, respectivamente, um espetáculo intitulado Ingrid Bergman tribute.

Bergman, um dos grandes nomes da época de ouro de Hollywood, teve uma carreira prolífica de quase 50 anos, nos quais ganhou vários prêmios, entre eles três Oscar, dois como melhor atriz e um como atriz coadjuvante. Entre seus filmes, o mais celebrado é 'Casablanca', de Michael Curtiz e com o ator Humphrey Bogart, filmado em 1942. “'Casablanca' foi um acidente”, recordou Pia Lindstrom, meia-irmã de Isabella Rossellini.

Jornalista de televisão, Lindstrom, de 76 anos, explicou que sua mãe não queria fazer o filme, assim como Bogart, que estava exausto de um intenso ano de filmagens. Além disso, Max Stirner, autor da trilha sonora, “odiava a música que havia composto”. (AFP)

INDIE FESTIVAL
Desta quinta a 9 de setembro, nos cines Belas Artes (salas 1 e 2), Humberto Mauro e Sesc Palladium. Entrada franca. Os ingressos serão distribuídos nas respectivas bilheterias meia hora antes de cada sessão. A programação completa está disponível no site www.indiefestival.com.br

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