Terror psicológico 'Corrente do mal' estreia nesta quinta nas salas de BH

Longa tem sido apontado pela crítica internacional como um dos melhores do gênero lançados na última década

por Carolina Braga 27/08/2015 08:30

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CALIFÓRNIA FILMES/DIVULGAÇÃO
(foto: CALIFÓRNIA FILMES/DIVULGAÇÃO)
Incensado na Semana da Crítica do Festival de Cannes, 'Corrente do mal' é, de fato, competente naquilo que deveria ser premissa básica de todo filme que se diz de terror: construir o medo no espectador. Mas, aqui, não há nenhum apelo à tecnologia ou ao susto gratuito. É por isso que o longa tem sido apontado pela crítica internacional como um dos melhores do gênero lançados na última década.


Escrito e dirigido por David Robert Mitchell, cria uma maldição ligada à sexualidade que, metaforicamente, se conecta com a sociedade de hoje. Toda a trama gira em torno de um mal que é transmitido de um ser humano para outro, e assim forma-se a corrente. É uma analogia das doenças sexualmente transmissíveis.

 

 

 

'Corrente do mal' flerta abertamente com a produção do gênero feita nos anos 1970 e 1980. É terror psicológico de categoria, cuja tensão está naquilo que não é obvio.

Jay (Maika Monroe), uma moça de 20 e poucos anos, leva uma vida normal, até que conhece Hugh (Jake Weary). O que aparentava ser um encontro romântico e uma transa adolescente dentro do carro se revela uma maldição. O rapaz é contaminado por um feitiço e só poderá ser curado quando passar o “vírus” para a frente. Uma vez amaldiçoada, Jay começa a ser perseguida por zumbis. Ou seja, para viver em paz, também precisa transar com parceiros variados.

Ela se recusa a fazer parte da corrente e conta com a ajuda de quatro amigos para se livrar da maldição. O jovem elenco, formado principalmente por rostos ainda pouco conhecidos em Hollywood, é homogêneo. A trilha sonora composta por Rich Vreeland é equilibrada, fundamental para pontuar a emoção de cada cena.

Apesar de tratar o sexo como elemento-chave do roteiro, Corrente do mal é bastante assexuado. As cenas de transa são insípidas. A nudez, quando há, passa longe da sensualidade. Os personagens chegam a se cobrir durante o ato, o que não deixa de ser inusitado – e repressor – para um filme que tem o sexo como chaga.

A câmera de Mitchell, pelos enquadramentos escolhidos, passa a sensação de que todos ali estão sendo observados. Como todo bom terror psicológico, a tensão está no vazio, o que é mais angustiante. 

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