Longa 'Obra' é tedioso e sonolento

Com o filme, o cinema paulista retorna à sua grande paixão: São Paulo, a metrópole

por Inácio Araújo 16/08/2015 11:30

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SUPERFILMES/DIVULGAÇÃO
Os atores Irandhir Santos e Júlio Andrade em cena de 'Obra', longa de estreia de Gregório Graziosi (foto: SUPERFILMES/DIVULGAÇÃO)
O mundo pode estar caindo, a economia, no buraco, a bomba H prestes a estourar, as últimas árvores da Amazônia, mirrando. Nada, o que importa é São Paulo.

'Obra' instaura, no meio dessa vida frenética, uma figura estranha: calma, pouco falante, um tanto depressiva. Um arquiteto que ora nos fala de implosões, ora cuida do restauro de uma igreja, ora acompanha a gravidez da mulher, ou a morte lenta do pai.

De passagem, descobre ossadas no solo da igreja em que trabalha e cujo terreno foi propriedade da família. Quem foram essas pessoas? Talvez isso levasse o filme a algum lugar, mas o arquiteto sofre uma crise de coluna (ou similar) e vai fazer ressonância magnética. E se acomoda no aparelho. E vamos às fotos da coluna. Horas de fotos. Diagnóstico, a quem possa interessar: hérnia.

'Obra' nos conduz a um passeio, assim, ao mundo encantador da ressonância magnética, dos corredores de treme-treme, doenças terminais, construção civil. Talvez eu tenha dormido na hora, mas não vi o metrô. Inova-se.

No que dá a colheita de ossos no terreno? No que dá o restauro? Não é fácil manter os olhos abertos.

A promessa de alguma tensão chega quando temos mais de meia-hora de filme, quando um diálogo tenso se anuncia entre o arquiteto e seu irmão, a quem visita depois de muito tempo.

O irmão bate a porta na cara dele: fim. O irmão some do filme. O protagonista vai embora se arrastando pelo corredor soturno.

Voltamos à metrópole, ao concreto, à gravidez da mulher, à fatalidade da morte.

Falta dizer que o arquiteto tem uma mulher que fala inglês (o que comprova nossa vocação de metrópole extranacional). E que o filme é em preto e branco.

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