'Quase Samba' marca estreia de Ricardo Targino em longas-metragens

por Alexandre Agabiti Fernandez 21/06/2015 00:13

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BANANEIRA FILMES/DIVULGAÇÃO
(foto: BANANEIRA FILMES/DIVULGAÇÃO)
Diretor de alguns bons curtas, Ricardo Targino estreia no longa cercado de expectativas. Quase samba, que entrou em cartaz na última quinta, escrito e dirigido por Targino, é um drama ambientado em alguma periferia do Brasil contemporâneo. Com história e personagens de corte realista, a narrativa sofre constantemente a interferência de outro registro, o da fantasia poética, o que é nocivo à qualidade do resultado.

Teresa (Mariene de Castro) é uma cantora cuja carreira não decola. Grávida do segundo filho, vive rodeada por três personagens muito diferentes: a transexual Shirley (Cadu Fávero), que a ajuda a criar o primeiro filho; Charles (João Baldasserini), um jovem gentil com o qual teve um caso recente e pode ser o pai do futuro bebê; e o ex-namorado Fernando (o cantor Otto), um policial rude.

O filme oscila o tempo todo entre a apresentação da vida dos personagens e momentos em que pretende atingir o sublime com intervenções descoladas do eixo narrativo, não motivadas pelo avançar da história.

Essas intervenções ocorrem nas passagens em câmera lenta, na cena das crianças correndo pela rua com bombas de fumaça colorida nas mãos, na voz em off de um locutor de rádio, nas várias cenas em que os personagens se afastam da ação, embalados pela trilha sonora (assinada por Pupillo, do Nação Zumbi, com parcerias de Arnaldo Antunes e Céu, Otto e Roberta Miranda).

A busca pelo sublime soa forçada, formalista e não enriquece a história. Ao contrário, acaba atrapalhando as relações entre os personagens, sempre misteriosos, e confunde o espectador. Para piorar, Targino quis abarcar muita coisa no filme, do cotidiano da periferia à diversidade sexual, passando pela condição feminina, a violência contra a mulher e a corrupção policial. Faz até menção às manifestações de junho de 2013, posteriores à rodagem do filme, algo dispensável.

Targino não se decide entre o olhar realista e o poético, entre narrar e divagar, entre a crítica social e a experimentação formal. O filme fica no quase. (Folhapress)

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