Drama social dá as caras no Festival de Cannes

Longa francês 'La loi du marché' mostra um homem de meia-idade em sua tentativa de voltar ao mercado após ser demitido. Sessão para a imprensa foi desprestigiada

por Estado de Minas 19/05/2015 08:00

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ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP
O produtor Christophe Rossignon, o ator Vincent Lindon e o diretor Stephane Brize, de 'La loi du marché', chegam para a sessão oficial do filme, que disputa a Palma de Ouro no Festival de Cannes (foto: ANNE-CHRISTINE POUJOULAT/AFP)
Demorou, mas finalmente aconteceu. Os tradicionais filmes sociais europeus carregados de realismo e culpa que sempre aparecem no Festival de Cannes fizeram sua estreia no evento nesta segunda-feira, abrindo a segunda semana de competição.

E, talvez prevendo esse subgênero e pelo fato de o filme estar em cartaz na França, os jornalistas e convidados evitaram ir de manhã cedo assistir ao francês 'La loi du marché' (A lei do mercado), de Stéphane Brizé, premiando o drama com a primeira sessão esvaziada da programação oficial.

Deve ter sido uma troca vantajosa, por exemplo, se escolheram prestigiar a segunda parte de 'As mil e uma noites', do português Miguel Gomes, exibido na Quinzena dos Diretores, no mesmo horário.

'La loi du marché' é basicamente um filme de um personagem apenas, um senhor de meia idade (Vincent Lindon, ótimo) tentando se reajustar ao novo mercado de trabalho depois de ser demitido.

Durante 93 minutos de close-ups acompanhamos a vida de Thierry cuidando do filho com problemas mentais, tendo aulas de dança de salão, passando por sabatinas humilhantes, pedindo empréstimos e, por fim, a vida no novo emprego como segurança de loja.

Brizé faz o típico longa para fazer o europeu elitista se sentir culpado, mas revela uma realidade que deixaria o brasileiro de baixa renda feliz: o banco empresta 2.000 euros (poderia ser mais, mas ele recusa), Thierry tem uma casinha na praia que precisa vender – um apartamento próprio –, cursos grátis de reciclagem e seu filho está prestes a ir à universidade.

No fim, troca a análise do personagem pela velha lição de moral – e isso é o que o diferencia dos mestres do gênero, os belgas Jean-Pierre e Luc Dardenne – jogada sem sutileza na cara do espectador.

Talvez emocione quem viva distante da realidade, mas 'La loi du marché' não deve cair nas graças em territórios com problemas bem mais sérios. E, ironicamente, essa é a lei de mercado.

Novo longa da Pixar é encantador

A Pixar, empresa de animação mais premiada da história, passou os últimos cinco sendo questionada pela queda na qualidade dos seus longas. A boa notícia é que 'Divertida mente', exibido fora de competição sob fortes aplausos em Cannes, ontem, traz todas as qualidades que transformaram a Pixar em um fenômeno não apenas de bilheteria, mas de crítica: é engraçado, emocionante e ainda traz uma importante mensagem sem ser didático, algo que não acontecia desde 'Toy story 3' (2010).

Um dos segredos foi trazer de volta o diretor Pete Docter, que comandou 'Up - Altas aventuras', uma das obras-primas do estúdio.

'Divertida mente', que estreia em junho no Brasil, reveza entre a vida “real” da garotinha Riley (voz de Kaitlyn Dias) e suas quatro emoções internas: Alegria (Amy Poehler), Tristeza (Phyllis Smith), Medo (Bill Hader) e Nojo (Mindy Kaling).

“Eu sabia que a ideia era especial desde que a ouvi pela primeira vez, mas sabia também que era algo difícil de criar porque todo mundo conhece as emoções, mas ninguém é capaz de vê-las”, explicou John Lasseter, diretor de criação da Pixar/Disney.

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