Depois de quatro longas com orçamento mínimo, Leonardo Amaral busca editais

Para o sócio da produtora El Reno Fitas, o processo de trabalhar sem dinheiro pode se tornar vicioso

por Mariana Peixoto 26/04/2015 00:13

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Daila Coutinho/Divulgacao
Cenas do longa-metragem Jubileu, dirigido por Leonardo Amaral e Samuel Marotta, sócios na produtora El Reno Fitas. O filme foi rodado sem uso de leis de incentivo e ainda não está finalizado (foto: Daila Coutinho/Divulgacao )

Fazer cinema com pouco dinheiro é possível, mas com muito pode ser bem melhor. Depois de quatro longas-metragens realizados com quase nenhuma verba, o realizador Leonardo Amaral quer dar um basta na penúria e começar a ir atrás de editais públicos para financiar seus projetos.


“O grande problema de se fazer filmes dessa forma (sem dinheiro), que às vezes é a única maneira de se trabalhar, é que você acaba dependendo da boa vontade de muita gente. E o processo pode se tornar vicioso”, afirma ele, sócio da produtora El Reno Fitas.

Todos os longas de Amaral são projetos com um pé (se não os dois) no underground e dirigidos por mais de um realizador. O mais radical deles é justamente o primeiro, Estado de sítio, que tem oito amigos assinando a direção. Na iminência do fim do mundo, o octeto (todos se desdobraram nas funções de atores, câmeras, produtores etc) vai parar num sítio e fica à espera do que vai acontecer. Amaral acredita que, na época, 2011, não foram gastos mais do que R$ 2 mil para a filmagem, feita com câmeras emprestadas e num sítio da família de um dos diretores.

Para seus dois projetos posteriores, Semana Santa e Jubileu, ambos codirigidos com Samuel Marotta, seu sócio na El Reno, a realização foi semelhante, mas não tão radical. Filmes-irmãos, ambos tiveram Dores do Turvo, zona da mata mineira, como principal locação. O primeiro mostra a encenação da Paixão de Cristo, o segundo, o jubileu de Nossa Senhora das Dores, padroeira da cidade.

“Semana Santa não é documentário nem ficção. A melhor definição (para o filme) é falar de uma construção ficcional. Filmamos os atores de lá, mas tanto eu quanto o Samuel participamos como personagens que transitam pela cidade”, explica Amaral.

Jubileu, que ainda não foi finalizado, é um projeto mais ousado. “Num primeiro momento, ele seria um filme feito com dinheiro. Chegamos a entrar em alguns editais, mas, como tínhamos que filmar num período eleitoral municipal, não podíamos esperar até 2016.” Parte das filmagens foi realizada em 2012, com apoio familiar e de alguns amigos. Para a parte que tem Belo Horizonate como cenário, Amaral e Marotta entraram no Catarse, site de financiamento coletivo, e conseguiram R$ 15 mil.

“Essa verba foi para filmagem e montagem. Agora vamos tentar entrar num edital para finalizar o longa e pagar a equipe”, conta ele, que lançou, em janeiro, na Mostra de Tiradentes, outro filme, Aliança (codirigido com Gabriel Martins e João Toledo), também projeto feito na base da cara e da coragem. No caso deste longa, que reúne dois amigos que, no decorrer de um dia, tentam contar para o terceiro que sua noiva o está traindo, também houve muito azar. Durante as filmagens em BH, parte do equipamento foi roubado. O carro que servia como cenário teve problemas, adiando em dois dias as filmagens. A mixagem de som foi realizada via edital do Centro Técnico Audiovisual (CTAv), órgão ligado ao Ministério da Cultura.

GARGALO NA LEI

A situação do principal mecanismo de fomento às artes no estado é crítica. De acordo com a Secretaria de  Cultura, no mês passado, foi atingido o teto de captação de patrocínio via isenção do imposto ICMS autorizado pelo governo para o ano de 2015. Anualmente, são liberados cerca de R$ 80 milhões. Estima-se que os projetos autorizados ao uso do benefício somem R$ 300 milhões. Como propostas aprovadas pela lei que não conseguirem captação num ano fiscal têm o direito de tentar novamente no ano seguinte, a secretaria considera que a verba reservada à lei de incentivo em 2016 também já esteja comprometida.

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