Com quatro longas previstos para este ano, Daniel Oliveira acentua carreira no cinema

Enquanto filma, o artista também se dedica a conhecer lugares inusitados

por Ana Clara Brant 26/04/2015 00:13

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Alexandre Baxter/Divulgação
O ator Daniel Oliveira em cena do longa A festa da menina morta (2008), pelo qual ganhou o Kikito de melhor ator no Festival de Gramado (foto: Alexandre Baxter/Divulgação)

Desde 1998, com a estreia na novela Brida, da extinta TV Manchete, os espectadores estão acostumados a ver o rosto do ator Daniel Oliveira na televisão. Mas esse belo-horizontino, que completa 38 anos no próximo mês de junho, está cada vez mais imprimindo sua marca no cinema.

Ele, que já foi Cazuza, em Cazuza - O tempo não para (2004), de Sandra Werneck , Frei Betto em Batismo de sangue (2006), de Helvécio Ratton, e Santinho no longa que marcou a estreia na direção do ator Matheus Nachtergaele, A festa da menina morta (2008), está no elenco de quatro longas que devem chegar às telas até o final do ano.

Com o diretor pernambucano Lírio Ferreira (Árido movie) ele filmou Sangue azul, em Fernando de Noronha e no Recife. Com Guilherme Coelho (Fala tu) rodou Órfãos do Eldorado. De Vicente Ferraz (O mamute siberiano) aceitou o convite para Estrada 47 e com Jorge Durán filmou Romance policial.

Quando se dedica ao cinema, Daniel Oliveira aproveita para dar vazão ao seu espírito de aventura. No caso de Sangue azul, ele cismou de ir de barco de Recife para Noronha. “Foi quando conheci o Vartinho, um camarada lá do porto, que tentou de tudo pra eu ir de barco, mas não teve jeito. Teve uma final de uma regata, e não tinha barco. E acabei indo de avião. Mas fiquei cinco dias em Olinda, e o Vartinho ficou meu amigão. Conheci a esposa dele, a mãe, comi um sururu na casa dele. Quando ele vem ao Rio, ele me visita”, conta.

Outra produção que proporcionou uma aventura foi o Órfãos do Eldorado. O ator despencou do Rio de Janeiro para Belém de carro – a distância é de cerca de 3 mil km - ao lado do ator Roger Gobeth e de um amigo norte-americano que é fotógrafo e decidiu registrar toda a viagem, que durou seis dias. “Foi sensacional. Quando se está mais folgado, a gente se entrega mais. Chegamos a ficar dois dias no Jalapão (Tocantins) e foi ótimo. Fomos desbravando o país”, afirma.

Enquanto Sangue azul estreia em junho, Órfãos do Eldorado só deve chegar aos cinemas no segundo semestre. Estrada 47, sobre os pracinhas brasileiros que foram lutar na Segunda Guerra Mundial, tem lançamento previsto para o próximo dia 7. “É uma coprodução entre Brasil, Portugal e Itália. É um trabalho incrível do diretor Vicente Ferraz”, entusiasma-se o ator.

Já Romance policial mistura suspense e triângulo amoroso e deve chegar às telas ainda neste semestre. “Este projeto é especial, porque o Jorge Durán voltou a filmar no Chile, o país dele, após 39 anos. Nós rodamos no deserto do Atacama e foi lindo. Meu personagem é o único brasileiro que tem no filme”, afirma.

TELEVISÃO Apesar da prioridade ao cinema, Daniel não abre mão da TV. Na Globo desde 1999, ele está no elenco da série Amorteamo, de Claudio Paiva, Guel Arraes e Newton Moreno, com direção-geral de Flavia Lacerda, com estreia prevista para 8 de maio. Daniel será Chico, amante de Arlinda (Letícia Sabatella). O marido dela, Aragão (Jackson Antunes) descobrirá a traição e matará Chico, mas o galanteador voltará da morte para se vingar de seu algoz. Desse amor proibido, vai nascer Gabriel (Johnny Massaro).

“No (seriado) Rebu, fiz um morto que voltava em flashblacks. Mas não desse jeito, que é um morto-vivo. Nunca tinha feito algo assim. Chico, que era um conquistador, morreu com um tiro pelas costas e retorna para aterrorizar. Volta por amor, mas volta muito por vingança também. Vem puxar a perna do personagem do Jackson”, brinca.

Empolgado com o universo de fantasmas e afins, ele diz não ter medo de nada. “Graças a Deus, nunca tive superstições e sempre vi com humor essas coisas, até com relação à morte. A morte tem um lado engraçado também, apesar de tudo. A série tem uma coisa meio cômica. Os personagens da Guta Stresser e do Aramis Trindade, por exemplo, são figuraças. Até no meu núcleo rola um pouco de humor. Mesmo naquele drama, é um melodrama que acaba ficando um pouco divertido. Dá para brincar com várias coisas, com o exagero e carregar nas tintas”, analisa.

Amorteamo se passa no Recife do século 19 e, para ajudar na composição de seu papel, o ator procurou ler a obra do sociólogo e escritor pernambucano Gilberto Freyre. Mas conta que se lembrou bastante das histórias de assombrações que sua avó, Suzana Eva de Oliveira, de 80 anos, contava em Pompéu, no interior de Minas.

“Tinha a da mão cabeluda, a da luz que acompanhava o cara no cemitério. São histórias diferentes das do Nordeste, mas, de uma certa forma, elas se juntam. Foi minha avó que me deu essas asas do terror. Ela sempre gostou muito”, destaca. Um desses causos o marcou especialmente. Há uns oito anos, ele e um primo foram ao matadouro de Pompéu e ficaram chocados com a maneira como os animais eram abatidos. “Lembro de um boi especificamente que morreu olhando para mim. Fiquei com aquela cena na cabeça. Isso parece até história de assombração, porque fiquei sonhando com aquele boi um tempão. Aquele olhar me impressionou muito. Foi horrível”, recorda.

Sobre os próximos trabalhos, diz que “talvez tenha um outro projeto de série este ano ainda”. Novelas não figuram nos seus planos, mas ele compara o ritmo de O rebu ao de um folhetim. “Apesar de ter tido apenas 36 capítulos, ela matou a saudade de fazer uma novela. O ritmo era bem intenso. Tinha o Villamarin (José Luiz Villamarim, diretor), com quem eu havia trabalhado em Cabocla e foi sensacional. Ficamos um mês na Argentina e depois no Rio, no Alto da Boa vista. Tudo deu certo.”

Foi durante as gravações de O rebu que Daniel de Oliveira e Sophie Charlotte engataram um namoro. Outra paixão que o ocupa, além de Sophie, é o Atlético. E ele não vê a hora de estar em Belo Horizonte, não só para rever a família e os amigos, mas também para torcer pelo Galo. “Sempre que posso vou a BH. As gravações de Amorteamo estão no fim e vou dar uma chegadinha lá. Mineiro não dá conta de ficar muito tempo longe. Às vezes é algo até físico. Terra natal é uma coisa muito importante. Você pisar na sua terra, ver a paisagem que você estava acostumado a ver quando criança, adolescente, jovem... Saí de lá quando tinha 19, 20 anos, mas vivi muita coisa importante da minha vida em Belo Horizonte.”

A repórter viajou a convite da TV Globo

FÃ DE SALGADO

Mais fã de cinema, Daniel Oliveira não é muito de assistir a TV. O último filme a que assistiu foi O sal da terra, de Wim Wenders e Juliano Ribeiro Salgado, que conta a trajetória do fotógrafo Sebastião Salgado. Impressionado com o que viu, o ator ficou com vontade de conhecer Aimorés, a cidade natal de Salgado. “Achei incrível o que fizeram na terra dele. O reflorestamento, o modo como a terra precisa dessa ajuda do ser humano para vingar de novo. É muito emocionante a relação dele e da esposa, sua trajetória e experiência de vida. Fiquei realmente impactado. Suas fotos já representam muita coisa. Imagine o que ele viveu, o que trocou com essas pessoas do mundo inteiro, de todas as raças, de todas as cores. Sebastião Salgado é um cara que representa muita coisa e ainda é mineiro (risos)”, comenta.

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