Cineclubistas se mantêm ativos em BH, mas pecam pela dispersão

Victor de Almeida, recém-eleito diretor-executivo do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG), alega que movimento está pulverizado e desorganizado

por Ailton Magioli 29/03/2015 09:28

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Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Sessão no Cineclube Café com Cinema, no Espaço Aberto Pierrot Lunar, na última quarta. Além de assistir ao filme, público tem direito a um café (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press )
Pulverizado, desorganizado e disperso. Esse é o estado do movimento cineclubista na capital mineira, na opinião do jornalista Victor de Almeida, recém-eleito diretor-executivo do Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG), entidade que marcou a formação de gerações de cineclubistas em Belo Horizonte.

O CEC-MG existe há 64 anos e seu próximo projeto é o Cinema falado, que deve promover sessões seguidas de conversas como crítico e cineasta Geraldo Veloso nas tardes de sexta-feira, na sala multimídia da Imprensa Oficial de Minas Gerais (IOMG).

“Na estreia, no dia 17 de abril, vamos exibir O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade, que, junto de A hora e a vez de Augusto Matraga, de Roberto Santos, foi coincidentemente filmado em Minas Gerais há 50 anos”, anuncia Geraldo Veloso. O crítico lembra que o filme de Joaquim Pedro inaugurou uma nova etapa da cinematografia mineira, quando jovens diretores como Carlos Alberto Prates Corrêa, Schubert Magalhães e Neville de Almeida estreavam. Foi também a época em que o próprio Veloso debutou no cinema, como assistente de produção de O padre e a moça, que é inspirado em poema de Carlos Drumond de Andrade.

Antes do lançamento do Cinema Falado, porém, o CEC-MG e a Mostra Udigrudi Mundial de Animação (Múmia) inauguram, no próximo dia 7, exposição de cartazes e outra de curtas-metragens premiados na mostra em 1994, sob a curadoria de Sávio Leite.

EXUBERÂNCIA Veloso diz ter notícia de um cineclube novo a cada dia em Belo Horizonte. “Está tudo muito disperso, mas a própria ação do Cine Humberto Mauro, do Palácio das Artes, que advém do cineclubismo, tornou-se exuberante demais nos últimos anos. Sobretudo com a realização do Festival Internacional de Curtas, além do Indie Festival e do Fórum.Doc.”
A dispersão a que se refere Veloso resulta num número significativo de cineclubes, porém, em sua maioria, com atividades restritas. Somente a UFMG tem quatro iniciativas do gênero. O Centro Cultural UFMG exibe duas vezes por semana (às terças e quintas) mostra temática, mensal, priorizando o público do entorno da região central.

“No início, chegamos a receber até 30 espectadores por noite. Agora são de 15 a 18 pessoas”, contabiliza a coordenadora Adriana Machado, lembrando que gêneros como faroeste, comédia, musical e filmes de guerra são exibidos no local gratuitamente. “Além de moradores da região, recebemos também estudantes da UFMG.”

As faculdades de Letras e de Ciências Econômicas da universidade também abrigam cineclubes. E há três anos surgiu o Cineclube Olaria, que funciona na Estação Ecológica da UFMG, no câmpus Pampulha, mais precisamente no antigo forno de uma olaria dos anos 1940. A capacidade instalada é de 100 lugares.

“Além da exibição de cinema, realizamos palestras e festas”, diz o professor Celso D’Amato Baeta Neves, diretor da Estação, anunciando que a próxima sessão será no dia 24 de abril. Além de três curtas-metragens nacionais, com a presença de diretores e atores, há sempre um debate, seguido da apresentação de um show ao ar livre. “Há ainda um boteco para molhar a palavra”, acrescenta.

Segundo Baeta Neves, com o corte de 30% no orçamento da universidade, imposto pelo governo, o Cineclube Olaria partiu para a busca de parceria. O Cineclube Beto, no Santa Efigênia, é outro que considera seguir a trilha do patrocínio.
Formado por artistas, jornalistas, pedagogos, professores e produtores culturais que contribuem com R$ 10 para a manutenção do espaço, o cineclube presta homenagem a Carlos Alberto Soares de Freitas, o Beto, militante assassinado pela ditadura militar, há 33 anos, na Casa da Morte de Petrópolis (RJ).

Desde 2012, quando foi inaugurado, o cineclube é gerido com recursos próprios, mas a coordenadora Priscila Piotto pensa em inscrevê-lo nos editais das leis de incentivo à cultura. As sessões são mensais, às quintas (19h) ou sábados (17h), dependendo da disponibilidade dos diretores convidados para debate com o público após a exibição do filme. A capacidade do espaço é de 26 lugares.

Uma das poucas entidades de classe a manter um cineclube na capital além do Joaquim Pedro de Andrade, que funciona na sede do Sindicato dos Professores de Minas Gerais, o Sinpro promove também o cineclube itinerante Uma Tela no Meu Bairro, que leva a sétima arte à periferia de BH.

ITINERANTE
“Ganhamos o equipamento na primeira gestão do ministro Juca Ferreira”, recorda a professora Terezinha Lúcia de Avelar, diretora do sindicado que reúne professores da rede particular de ensino. Na sede do Sinpro MG, o Cineclube Joaquim Pedro de Andrade exibe filmes toda terça-feira, às 19h, para até 60 espectadores. Já o projeto itinerante, que passeia pela cidade, tem público ampliado diante da facilidade de acesso à rua.

“Além da altura (14º andar de um edifício no Centro), a existência da portaria acaba inibindo a presença de público nas sessões do sindicato”, lamenta a professora Terezinha. Segundo ela, além de cinéfilos inveterados, o Cineclube Joaquim Pedro de Andrade recebe professores e público de associações parceiras, como Apae e Associação dos Cegos.
“Os convites feitos às escolas ajudam a atrair, porque somos uma categoria muito grande”, diz. A manutenção dos cineclubes é feita com recursos próprios. “Mas nós temos parceiros como a Mostra Múmia, que nos fornece filmes”, afirma a professora.

Moradora do Saudade, na regional Leste, Terezinha leva Uma Tela no Meu Bairro ao local de dois em dois meses, dada a facilidade de acesso ao ponto de luz de sua própria casa. “O da Prefeitura tem custos”, justifica ela, lamentando ainda a demora de cerca de 15 dias da PBH em liberar a licença para a exibição de filmes em bairros.

No Espaço Aberto Pierrot Lunar, da companhia teatral homônima, cuja sede funciona no Bairro Floresta, também na regional Leste, além de assistir a um filme da safra recente (anos 2000) mineira o público é convidado a se servir de cafezinho, pipoca e sucos gratuitos.

Realizada este mês, às quartas-feiras, a promoção denominada Cinema, direção e ator – Mineiros foi ao encontro da ênfase que a Cia. Pierrot Lunar pretende dar a suas investigações teatrais este ano. Na última quarta, a atração foi o longa Família, de Guilherme Reis. Depois de sediar e perder salas como os cines Floresta e Odeon, há cerca de cinco anos, o bairro passou a abrigar o cineclube, que recebe público de 60 pessoas em média.


CINEMA DE GRAÇA

Confira endereços de cineclubes que
promovem sessões gratuitas em BH

Centro de Estudos Cinematográficos de Minas Gerais (CEC-MG)

Sala multimídia da Imprensa Oficial de Minas Gerais, Av. Augusto de Lima, 270, Centro, (31) 3237-3400.

Cineclube Beto
Av. Brasil, 248/1.102, Santa Efigênia, (31) 8899-0201

Cineclube Café com Cinema

Espaço Aberto Pierrot Lunar, da Cia. Teatral Pierrot Lunar, Rua Ipiranga, 137, Floresta, (31) 3658-8743

Cineclube do Centro Cultural da UFMG Cinecentro
Av. Santos Dumont, 174, Centro, (31) 3238-1079

Cineclube Joaquim Pedro de Andrade
Sindicato dos Professores de Minas Gerais (Sinpro), Rua Tupinambás, 179/14º, Centro, (31) 3115-3000

Cineclube Olaria
Estação Ecológica da UFMG, Av. Antonio Carlos, 6.627, Pampulha, (31) 3409-2295

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