Belo Horizonte recebe mostra de cinema japonês em março

Com entrada franca, filmes serão exibidos no Cine Humberto Mauro. Exposição começa nesta sexta-feira

por Mariana Peixoto 06/03/2015 10:22

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Fundação Japão/divulgação
'Harakiri', filme do diretor Masaki Kobayashi, um dos destaques do evento destinado ao cinema japonês realizado em BH (foto: Fundação Japão/divulgação)
No fim da Segunda Guerra Mundial, o Japão tinha 845 cinemas. Já nos últimos anos da década de 1950, o número de salas nipônicas chegava a seis mil. Ao contrário dos países ocidentais, cujas cinematografias entraram em crise no pós-guerra com o advento da televisão, a produção japonesa floresceu no período.

Em torno dessa cinematografia, centrada nas décadas de 1950 e 1960, o Cine Humberto Mauro dá início hoje à sua nova mostra. Realizada com acervo da Fundação Japão em parceria com o consulado geral honorário do Japão em Belo Horizonte, a 'Mostra Cinema Japonês – Parte 1' vai exibir, até dia 26, 19 obras em película de oito diretores.

“A partir dos anos 1950, a produção daquele país ganhou reconhecimento internacional”, afirma o curador Bruno Hilário. Ele se apropria de uma reflexão de André Bazin para destacar a importância dos filmes realizados naquele período. “A revelação do cinema japonês é, seguramente, o acontecimento cinematográfico mais considerável desde o neorrealismo italiano”, afirmou o fundador da revista francesa 'Cahiers du Cinéma'.

De acordo com Hilário, uma característica comum dos longas exibidos é a contemplação. “Os filmes buscavam lançar um olhar aprofundado para o sujeito comum, diferentemente do cinema ocidental, que tem na figura do herói sua sustentação. Também não há dramatização excessiva. Por vezes, com olhar mais distraído, o espectador pode achar que nada está acontecendo, pois os filmes não têm glamour. Eles mostram o cotidiano para que se enxergue o que há de extraordinário no ordinário”, afirma.

CLÁSSICOS

Dois diretores ganham destaque na mostra: Yasuhiro Ozu (com cinco filmes) e Kenzi Mizoguchi (seis produções). Cada um terá dois dias de exibição – amanhã e domingo para Ozu; terça e quarta-feira para Mizoguchi. Os longas serão exibidos em ordem cronológica. “Do recorte feito para a mostra, esses dois são os que melhor representam as características do período”, acrescenta Hilário.

O curador destaca também 'De onde se avistam as chaminés' (1953), de Heinosuke Gosho. O longa, que será exibido hoje, às 21h, difere-se dos demais “porque mostra o processo de reconstrução do Japão não a partir da classe média, mas da popular, que vive na periferia de Tóquio”.

Mais conhecido cineasta japonês, Akira Kurosawa, que começou a filmar ainda durante a Segunda Guerra, terá dois trabalhos em cartaz: A luta solitária (1945), que abre a mostra hoje, às 17h, e Juventude sem arrependimento (1946). São longas raros. A maior parte da produção de Kurosawa será exibida na segunda parte do evento, no próximo semestre. A intenção é exibir um recorte da cinematografia japonesa a partir dos anos 1970 até a produção mais contemporânea.

PROGRAMAÇÃO

SEXTA – 'A luta solidária', de Akira Kurosawa (1945), 17h; 'Vida de casado', de Mikio Naruse (1951), 19h; 'De onde se avistam as chaminés', de Heinosuke Gosho (1953), 21h.

SÁBADO – 'Filho único', de Yasuhiro Ozu (1938), 16h; 'Pai e filha', de Yasuhiro Ozu (1949), 18h; 'Era uma vez em Tóquio', de Yasuhiro Ozu (1953), 20h.

DOMINGO – 'Fim de verão', de Yasuhiro Ozu (1961), 16h; 'A rotina tem seu encanto' (uma tarde de outono), de Yasuhiro Ozu (1962), 18h; 'Portal do inferno', de Teinosuke Kinugasa (1953), 20h15.

MOSTRA CINEMA JAPONÊS
Desta sexta a 26 de março. Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes, Avenida Afonso Pena, 1.537, Centro, (31) 3236-7400. Entrada franca.

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