Cinema uruguaio mostra sua força com 'Mr. Kaplan'

Longa estreia neste fim de semana na capital

por Carolina Braga 27/02/2015 12:01

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Pandora Filmes/divulgação
Pandora Filmes/divulgação (foto: Pandora Filmes/divulgação)
Não é um cinema tão expressivo, como também não o são as fronteiras do Uruguai. Mas, assim como o charmoso país vizinho, o cinema produzido por lá tem personalidade e vem atraindo cada vez mais a atenção em outros cantos. Não é diferente por aqui, por mais que o intercâmbio entre os países latino-americanos dê repetidas mostras de que não funciona como deveria. 'Mr. Kaplan', produção que estreia neste final de semana no Cine Belas Artes, é mais uma chance para aumentar o repertório sobre a instigante e crescente cinematografia do país. O longa chega ao Brasil com a credencial de ter sido “o” escolhido pelo Uruguai para tentar uma vaga no Oscar. Assim como o brasileiro 'Hoje eu quero voltar sozinho', ficou de fora da lista dos cinco indicados e segue carreira no mundo.


É o segundo longa da carreira de Álvaro Brenchner, diretor de 39 anos. Ele estreou em 2009 com o elogiado 'Mau dia para pescar'. Do universo da luta livre passa a explorar, agora, as dificuldades de um aposentado em aceitar sua nova condição. Na trama, Jacobo Kaplan (Héctor Noguera) resolve preencher a rotina com uma investigação por conta própria sobre o passado de um ex-nazista que vive em sua pacata cidade. Pelo viés do humor, o longa fala sobre as contradições de uma sociedade que amadurece sem se preparar para o envelhecimento.

A comédia dramática, focada na crítica social, é uma característica da atual produção do Uruguai. Pablo Stoll e Juan Pablo Rebella foram os primeiros a chamar a atenção para o cinema do país neste século. Em 2003, lançaram 'Whisky' (2003), que virou um fenômeno. Foi reconhecido 10 anos depois como o melhor filme latino-americano dos últimos 20 anos pelo Festival de Valdivia, no Chile.

Depois dele, também se destacaram 'La vida útil' (2010), de Federico Veiroj, 'Norberto apenas tarde' (2010), do ator e diretor Daniel Hendler, '3' (2012), também dirigido por Stoll, 'Tanta água' (2013), de Ana Guevara Pose e Leticia Jorge Romero. Entre as coproduções com o Brasil estão 'O banheiro do papa' (2007), de César Charlone (fotógrafo de Fernando Meirelles em 'Cidade de Deus', 'O jardineiro fiel' e 'Ensaio sobre a cegueira') e 'Além da estrada' (2010), road movie dirigido pelo brasileiro Charly Braun. É um cinema independente focado em temas humanos e universais. Filmes que ganham projeção por contar boas histórias, mas de maneira simples.

 

Assista ao trailer de 'Mr. Kaplan':

 

 

 

POINT

O Cine Belas Artes anda fazendo as vezes de point do cinema de língua não inglesa. Além de 'Mr. Kaplan', continuam em cartaz nas salas da Rua Gonçalves Dias longas como o polonês 'Ida', vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, e 'Dois dias, uma noite', dos irmãos Jean Pierre e Luc Dardenne. Além disso,  tem o badalado argentino 'Relatos selvagens', de Damián Szifron. O longa está em cartaz desde 23 de outubro, caso raro para o limitado circuito alternativo de BH.

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