Festival de Berlim premia neste sábado os melhores do cinema em 2014

Chile, Guatemala e Brasil chamaram a atenção no festival alemão, que divulga hoje os nomes de seus vencedores. El club, filme de Pablo Larraín, fez barulho com ácidas críticas à Igreja Católica

14/02/2015 12:20

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AFP PHOTO
Wim Wenders recebe o Urso de Ouro de Honra de Dieter Kosslick, coordenador do festival alemão (foto: AFP PHOTO)

Berlim – Serão conhecidos hoje os vencedores da 65ª edição do Festival de Berlim. O evento termina oficialmente amanhã, mas esta noite serão divulgados os nomes dos ganhadores dos Ursos de Ouro e de Prata. Dezenove produções estão em competição.

Independentemente de quem levar os principais prêmios da Berlinale, esta edição vai ter como marca forte a crítica à Igreja Católica. Mais polêmico filme em competição, El club, do chileno Pablo Larraín (que assinou No, indicado ao Oscar de filme estrangeiro em 2012), é uma das narrativas mais vigorosas sobre abuso sexual da história recente do cinema. Um grupo eclético de sacerdotes convive com uma freira em uma casa na costa chilena. Quando não estão rezando, eles treinam seu cachorro para a próxima corrida. O que será que os levou até ali, praticamente no meio do nada? Quando um novo sacerdote se muda para lá, um homem começa a lhe fazer fortes acusações. Uma das cenas impactantes do longa traz um personagem, aos berros, descrevendo com detalhes a maneira como foi abusado por um padre. “A Igreja vai ignorar o filme, é o que acho que vai acontecer”, afirmou Larraín.

Além do barulho causado por esse longa, a América Latina se fez bem representada com filmes como o guatemalteco Ixcanul e pelo diretor chileno Patricio Guzmán, com El botón de Nácar.

O Brasil, fora da competição oficial, fez bonito nas paralelas. Depois de ter elenco premiado em Sundance (Regina Casé e Camila Márdila), Que horas ela volta?, de Anna Muylaert, sobre a vida de babás nos grandes centros urbanos, teve boa recepção na Alemanha. Já Filipe Matzembacher e Marcio Reolon, diretores de Beira-mar, sobre dois adolescentes gays, foram muito aplaudidos durante sua primeira exibição.

Não custa nada lembrar: na edição do ano passado do festival, Hoje eu quero voltar sozinho, de Daniel Ribeiro, sobre um adolescente cego e gay que descobre o amor, deixou o festival alemão com dois prêmios em mostras paralelas.

Berlim, como todos os grandes festivais europeus, teve seu momento de Hollywood. Vários astros desfilaram no tapete vermelho, James Franco com uma constância (está no elenco de quatro produções) que virou até piada. Mas ninguém foi mais notícia do que os protagonistas de Cinquenta tons de cinza, Dakota Johnson e Jamie Dornan. Com première no festival alemão, o filme, a despeito da fraca recepção crítica, movimentou a Berlinale.

Até Robert Pattinson, que participou do festival com Life, de Anton Corbijn, falou sobre a produção, pois o personagem Christian Grey teve como inspiração o seu vampiro Edward Cullen de Crepúsculo. “Realmente, não li o livro, mas acho que deve ser muito, muito diferente. Não vejo como isso possa funcionar se não for diferente”, afirmou.

WENDERS
Berlim prestou as devidas homenagens a um dos cineastas alemães mais conhecidos: Wim Wenders recebeu de Walter Salles o Urso de Ouro de Honra, tributo do festival a “um dos grandes artífices do cinema de autor de nossos dias”, conforme destacou o diretor do evento, Dieter Kosslick. Durante o festival, foi exibida tanto uma retrospectiva de sua obra quanto seu mais recente filme, Tudo vai dar certo, protagonizado por Charlotte Gainsbourg e James Franco.

A homenagem alemã, a uma semana do Oscar, só veio reforçar o nome de Wenders para o prêmio máximo da indústria cinematográfica. Indicado outras vezes na categoria documentário – por Buena Vista Social Club e Pina –, o cineasta, que completa 70 anos em agosto, é o nome forte da categoria neste ano. Concorre por O sal da terra, sobre o fotógrafo mineiro Sebastião Salgado, documentário que teve como codiretor Juliano Ribeiro Salgado. “Não a perderia (a cerimônia em Los Angeles) nem se tivesse certeza de que não vou ganhar”, disse Wenders.

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