Cinquenta tons de cinza divide opiniões em BH

Estreia do filme Cinquenta tons de cinza, baseado no livro homônimo que vendeu mais de 100 milhões de exemplares no mundo, divide opiniões de espectadores em Belo Horizonte

por Jefferson da Fonseca Coutinho 13/02/2015 08:14

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.

Universal Pictures/Divulgacao
Longa mostra o romance sadomasoquista entre os personagens Christian Grey e Anastasia Steele (foto: Universal Pictures/Divulgacao )

Os belo-horizontinos andam bastante serelepes com a estreia de Cinquenta tons de cinza nos cinemas. Ingresso só para as sessões da tarde e olhe lá. Não é para menos. O best-seller erótico de E.L. James, que deu origem ao filme homônimo, conta mais de 100 milhões de livros vendidos em todo o mundo. E a inspiração da autora britânica vem de outro blockbuster: a série Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Na obra de E.L. James, os personagens Edward Cullen e Isabella Swan dão lugar a Christian Grey e Anastasia Steele. Nada de vampiros e lobos voadores. Em Cinquenta tons de cinza, chamado nas redes sociais de “pornô para mamães”, sexo light. Bem soft. E, claro, muitas grifes em fantasia sadomaso. Bom? Ruim? Há controvérsias.

A sala estava pela metade no Boulevard Shopping ontem. As duas amigas conseguiram uma tarde de folga para não perder a estreia. Antes da sessão, a mais animada usou o celular para provocar alguém: “Vou mandar um ‘whats’ (mensagem) pra ela. Vou matar ela (sic) de raiva. Falei que a gente ia conseguir. Ela não veio porque não quis”, disse para a companhia. Nas cadeiras, casais, jovens e pessoas de meia idade. Durante o filme, uma senhora parecia ter desistido da sessão. Ela demorou, mas votou ao assento. Foram muitas as manifestações do público. “Uis, uis” quando o moço arrancou a camisa pela primeira vez e burburinho nos excessos da ostentação. As caras e bocas do tal Grey, de Cinquenta tons de cinza, bem que lembram o ar insosso do vampiro Edward, de Crepúsculo. Herança maldita.

A servidora pública Marina da Silva, de 51, gostou do filme. Leitora e estudiosa da obra de E. L. James, Marina tem outro olhar para o filme. “O filme começou com uma brincadeira com Crepúsculo. Faltava sexo entre Edward e Bella. Aí, a autora começou a escrever e teve muita leitura. Li os livros e o filme é muito fiel ao texto”, defende. Marina elogia a leitura fácil e a pegada “sem excessos” do longa. De acordo com a leitora, os detalhes estão todos lá. “O luxo, as marcas de sucesso, os carros, os vinhos. O contrato de dor. É o príncipe moderno, abusado, que não pede a princesa em casamento. Ele não quer amor, não gosta de romance. Quer sexo”, diz. De acordo com a funcionária pública, o enredo é uma grande sacada da autora. “O homem tem dado cada vez menos atenção à mulher. Na história, o foco está no prazer da mulher”.

‘VAGO’ Rogério Lucas, de 25, achou o filme “péssimo, desnecessário”. A assistente administrativo levou a namorada, Geisa Ceraso, de 22. Ela não considerou o filme tão ruim quanto ele. Achou “vago”, apenas. Os dois não leram o livro. Decidiram aproveitar a tarde livre para ver o que seria o “filme tão esperado”. Nada demais para o casal. Os dois não tiveram nem vontade de ler o livro. Rogério, frequentador assíduo das salas de cinema, ainda trouxe Lars Von Trier – famoso cineasta dinamarquês – para a conversa. “Este filme é uma cópia romântica de Ninfomaníaca”, criticou. Para Geisa, a diretora Sam Taylor-Johnson amenizou as cenas de sexo e sadomasoquismo para atrair os mais jovens. Perguntados se se sentem provocados pelo que acabaram de assistir, Rogério e Geisa sorriram e nem pensaram muito para responder: “Absolutamente, de jeito nenhum”. Abraçaram-se e, enamorados, deixaram a sala.

VÍDEOS RECOMENDADOS

MAIS SOBRE CINEMA