Julia Rezende se prepara para lançar três longas em 2015

Herdeira do clã Rezende, cineasta estreou com o sucesso 'Meu passado me condena' em 2013

por Walter Sebastião 10/02/2015 12:10

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Dan Behr/Divulgação
A diretora Julia Rezende com o ator Caio Blat, protagonista de 'Ponte aérea', que tem previsão de lançamento para março (foto: Dan Behr/Divulgação)
Quando Julia Rezende, de 28 anos, lançou seu primeiro longa-metragem, em 2013, ele se tornou o segundo filme nacional mais visto naquele ano. 'Meu passado me condena' teve 3,1 milhões de espectadores – o campeão de 2013 foi 'Minha mãe é uma peça', de André Pellenz (4,6 milhões de espectadores), segundo dados da Ancine (Agência Nacional do Cinema).


 Pode até ser que 2015 seja um ano de crise, mas, para a diretora, o ano começou a todo vapor, com a previsão de lançamento de nada menos do que três filmes. Até março, chega às telas 'Ponte aérea', com os atores Caio Blat e Letícia Colin, o segundo longa dela. Até junho, está previsto o lançamento de 'Meu passado me condena 2', também com direção de Julia Rezende, que ainda foi convidada para dirigir 'Um namorado para minha mulher', com previsão de lançamento para novembro.


“2015 promete”, diz ela, com bom humor. Faltando pouco para ver 'Ponte aérea' nas telas, a diretora experimenta uma mistura de satisfação e ansiedade. “É uma alegria botar um filme novo no mundo”, afirma, curtindo sua estreia também na função de roteirista ( a história foi escrita junto com G. Bayão e Rafael Pitanguy).


 “Mas lançamento de filme sempre é interrogação, você nunca sabe como vai ser a reação das pessoas”, afirma, apontando o motivo da ansiedade.


 A história de 'Ponte aérea' gira em torno de Bruno (Caio Blat), um artista plástico, e Amanda (Letícia Colin), jovem publicitária, tipos com perfis completamente diferentes, que vivem em mundo distintos.
 Eles se encontram num voo que, devido a uma tempestade, tem de fazer um pouso de emergência em Belo Horizonte. E o que começa como uma relação ligeira acaba se prolongando além do imaginado.


“É um filme sobre amadurecimento, sobre se tornar adulto e assumir responsabilidades”, diz ela. Ambientado em contexto (o da vida contemporânea) de aversão a compromissos, a cineasta afirma: “Estou falando de questões pungentes para a minha geração”. Sua fonte de inspiração foi o livro Amor líquido, de Zygmunt Bauman.


“Não dá para comparar 'Ponte aérea' com 'Meu passado me condena'. Ambos são comédias românticas, mas são filmes distintos na proposta, no tamanho, no modo de lançamento”, frisa Julia. 'Ponte aérea' vai ser lançado com 50 cópias, Meu passado … estreou com 400, exemplifica.
“Meu desejo é que Ponte aérea encontre o lugar dele, que, na minha opinião, é emocionar. Se vai ter milhares ou milhões de espectadores, é outra história”, afirma. A responsabilidade, entretanto, seja em filme pequeno ou grande, é a mesma e enorme, avalia a diretora. “Fazer um longa-metragem é um esforço grande para fazer as pessoas saírem de casa e irem ao cinema, o que não é simples”, explica.

COMPARAÇÕES  Julia Rezende atenua comparações com o primeiro longa, observando que 'Ponte aérea' é um projeto mais pessoal, voltado para questões de que gostaria de tratar no cinema. Mas recorda: “'Meu passado…' não nasceu pensando em milhões de espectadores, mas sim de modo despretensioso, a partir de uma série do canal Multishow. Foi filmado no sítio do meu avô. O Fábio Porchat ainda nem era o Fábio Porchat”, brinca.


“Fizemos o filme porque acreditávamos que era um bom projeto. Todos os envolvidos aprenderam muito fazendo o filme. E foi uma maravilha que ele tenha sido tão bem recebido”, afirma. “O filme me mostrou o que o público quer ver cinema brasileiro. As comédias estão reaproximando as plateias do cinema nacional”, observa.


Não passa despercebido à diretora que as comédias, no contexto da produção nacional, tornaram-se uma fórmula. Júlia Rezende não atribui o fato nem aos diretores nem ao público. “O que há é uma tendência de se investir em filmes que deem retorno financeiro. Os exibidores e os distribuidores arriscam pouco. O cinema brasileiro, de maneira geral, produz muito, tem filmes para todos os públicos”, argumenta, sonhando com dias em que haja clima de maior ousadia. E também articulação de agentes envolvidos com o cinema para colocar toda a diversidade do cinema brasileiro nas telas.

 

Primeira cena foi aos 7 anos

 

Dan Behr/Divulgação
Julia Rezende e sua mãe, Mariza Leão, nas filmagens de 'Ponte aérea', ambientado em BH (foto: Dan Behr/Divulgação)
Julia Rezende é filha da produtora Mariza Leão e do diretor Sérgio Rezende ('Canudos', 'Zuzu Angel', 'Salve geral') . Aos sete anos, já estava em set de filmagem, levada pelo pais, com direito a uma pequena participação no filme 'Lamarca'.

“Eu me diverti, mas foi minha primeira e última participação como atriz. Sempre fui super tímida. Quando o filme ficou pronto, eu me lembro de que, na estreia, meu pai me deixou entrar no cinema para ver apenas as minhas cenas”, conta. “Admiro, nos meus pais, a paixão pelo cinema”, diz.

O começo das atividades cinematográficas de modo profissional foi aos 15 anos, fazendo curtas com turma de amigos que conheceu na escola, atuando como diretora de arte.

Aos 17, fez um estágio na produção argentina 'Perigosa obsessão', filmada no Rio de Janeiro. Julia Rezende é formada em História. “Fiz o curso em busca de uma formação pessoal. História me deu bagagem, gosto pela leitura”, afirma. Estuda roteiro na Escola de Cinema Darcy Ribeiro com Paulo Halm e Jorge Duran.

A estreia na direção foi com o curta 'Elke' (2007), seguido de 'Nesta Data Querida' (2009), eleito o melhor curta segundo o júri popular no Festival Paulínia de Cinema. “Sempre soube que queria dirigir filmes. Mas também sabia que isso é um processo. Cada função que ocupei, cada vez que participei da equipe de um filme, aprendi um pouco”, diz. A função que mais admira, depois de dirigir filmes, é escrever roteiros. “Acho difícil, mas é um prazer enorme.”

Cinéfila de carteirinha, Julia diz que adora ir ao cinema. “É uma experiência única, especial, um acordo coletivo de ficar em silêncio, na sala escura, prestando atenção ao que está sendo projeto na tela. É muito diferente de estar em casa vendo filme, parar para atender telefone, ir ao banheiro etc. Por isso, acho que as pessoas vão querer, sempre a experiência da sala de cinema.”

Os cineastas que ela admira são Nelson Pereira dos Santos, Lais Bodansky, Wong Kar-wai, Sofia Coppola, Vladimir Carvalho, Kim Ki-duk.

Julia é também fã dos atores brasileiros: “São tantos e tão bons, no cinema, no teatro, na televisão que nem dá para apontar apenas um ou dois”, afirma.

Para a televisão, dirigiu as séries 'Adorável Psicose' (2010), 'Cara Metade' (2011), 'Meu Passado me Condena' (2012 e 2013) e 'Cê Faz o Quê?' (2013) para o canal Multishow, e o programa 'Santa Ajuda' (2011) para o GNT. Uma série para a TV, escrita por Jô Bilac e Diogo Liberano, é o projeto da diretora para 2016.

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