Cinemas brasileiros terão limite de salas para exibir blockbusters

Debate do setor resultou em reserva de 30% dos espaços para superproduções

por Fernanda Machado Agência Estado 19/12/2014 20:35

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Lionsgate/Divulgação
Franquias multimilionárias como 'Jogos vorazes' terão que ceder espaço a outras produções (foto: Lionsgate/Divulgação)
O debate venceu. Sob olhares da Agência Nacional do Cinema (Ancine), agentes econômicos do mercado cinematográfico brasileiro entraram em acordo para criar um limite autorregulador para evitar que grandes lançamentos ocupem mais salas de um mesmo estabelecimento do que foi considerado aceitável para distribuidores, produtores e, principalmente, exibidores.

 

E o limite adotado a partir de 1º de janeiro de 2015 de 30%, equivale, em média, ao mesmo que rege o mercado cinematográfico francês, usado como parâmetro desde o início do debate, marcado pela divulgação de uma notícia reguladora, em abril deste ano - o estudo apontava outros pontos a serem discutidos com o processo de digitalização do parque exibidor brasileiro.

As assinaturas do termo de compromisso chegam a 23 empresas exibidoras e 6 distribuidoras brasileiras. A distribuidora Paris Filmes, responsável por preencher 1,3 mil salas brasileiras com Jogos Vorazes: A Esperança - Parte 1, em novembro, que trouxe luz ao debate sobre a criação de limite no número de salas dedicadas ao mesmo filme em cada complexo, está entre as empresas que aceitaram o acordo. Exibidores como Kinoplex Severiano Ribeiro, Cinépolis e Cinemark Brasil também estão de acordo.

Os números, de acordo com Manoel Rangel, diretor-presidente da Ancine desde 2007, tendem a aumentar. "Houve uma coesão. É uma construção coletiva", disse ele, em entrevista exclusiva ao jornal O Estado de S. Paulo. "(Trata-se) de uma medida eficiente porque a Ancine pautou um problema, ofereceu um ambiente para o debate e os agentes construíram um autolimite."

Oito reuniões foram realizadas entre julho e o dia 10 de dezembro, quando a câmara técnica, formada por profissionais da indústria cinematográfica brasileira, chegou ao relatório final a respeito das questões levantadas pela Ancine em abril. "Todos concordaram que precisávamos chegar a um limite", opina André Sturm, diretor e proprietário do Caixa Belas Artes, integrante da câmara técnica. "É bacana criar uma conscientização. Ganham distribuidores, ganham exibidores e ganha o público", acrescenta.

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