Produção sueca 'Nós somos as melhores!' estreia em BH

No filme, garotas se unem nas diferenças para montar uma contestadora banda punk

por Mariana Peixoto 12/12/2014 08:00

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Zeta Filmes/Divulgação
(foto: Zeta Filmes/Divulgação)
Claramente intimidadas, duas adolescentes estão sentadas à mesa com a mãe de uma amiga, que lhes serve chá. A mulher mais velha, com muito jeito, fala com a dupla que em represália por terem cortado o cabelo da filha em estilo moicano, vai levar as meninas a acompanhá-la, por domingos seguidos, à missa. As garotas se negam veementemente, dizem que não fazem nada obrigadas. Pois a mulher, sabiamente, afirma que a intenção de levá-las à missa não é muito diferente de terem feito a filha cortar o cabelo.


'Nós somos as melhores!', produção sueca dirigida por Lukas Moodysson inspirada nos quadrinhos criados por sua mulher, Coco, é ambientada na Estocolmo de 1982. Quando o “mundo adulto”, por assim dizer, é tomado de assalto pela explosão da disco music e dos sintetizadores, duas adolescentes de 13 anos, Bobo e Klara, descobrem o universo punk. Mesmo sem saber tocar um acorde sequer, decidem montar uma banda de punk, a melhor do mundo, na opinião delas. Para tal, decidem chamar a garota sem amigos do colégio, Hedvig, exímia violonista de família cristã, que, para evitar o bullying, prefere o isolamento.

Nesse retrato sobre a adolescência, o diretor, apoiado por boas interpretações do trio central, apresenta temas que estão presentes neste período da vida de qualquer pessoa, independentemente de local e época. Bobo é uma garota que se julga sem maiores atrativos físicos, que sofre com uma mãe que pouco liga para ela e com o desinteresse do sexo oposto por ela. Klara é a contestadora do grupo. Com uma família extremamente liberal, não se detém diante de nada, e atua como uma líder natural, agindo sempre por impulso. Por fim, Hedvig, que serve como ponte entre Bobo e Klara, mostra-se uma garota determinante apesar da criação repressora.

Com uma câmera despojada, quase documental, Lukas Moodysson, que já retratou o universo jovem em outras produções (a descoberta da sexualidade em 'Amigas de colégio'; abuso sexual e tráfico humano em 'Para sempre Lilya'), faz de 'Nós somos as melhores!' um despertar leve, inteligente e bem-humorado para a adolescência. E, de quebra, traz uma trilha sonora deliciosa, que faz uma viagem no tempo fugindo dos lugares-comuns dos três acordes.

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