BH é a 10ª cidade a integrar o Clube do Professor, que chega ao Cine Belas Artes

Associados têm acesso a sessões especiais de cinema, sempre com entrada franca

por Gracie Santos 24/11/2014 00:13

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Marcos Vieira/EM/D. A Press
A produtora Simone Matos, o diretor Helvécio Ratton, Patrícia Durães e Adhemar Oliveira convidam para a próxima sessão, no dia 29 (foto: Marcos Vieira/EM/D. A Press)
Pouca gente vai ao cinema sozinha. A maioria gosta de assistir ao filme em boa (ou boas) companhia(s). Pensando nisso, quando criaram em São Paulo o Clube do Professor (www.escolanocinema.com.br), “um convite” ao educador para frequentar as salas de exibição, Adhemar Oliveira e Patrícia Durães, do grupo Espaço de Cinema, decidiram que a carteirinha de sócio daria direito a duas entradas. Hoje, Adhemar atribui grande parte do sucesso do projeto à possibilidade de o associado assistir ao filme com seu próprio convidado e, ainda por cima, de graça.


Funciona assim: o sócio tem entrada franca na sessão específica do clube, sempre aos sábados. De segunda a sexta, paga meia nas salas do grupo. Se no primeiro ano (2001) havia seis professores por sessão, hoje Adhemar e Patrícia se orgulham de reunir de 300 a 500 pessoas a cada sábado. “Isso nos meses plenos, fora das férias, somadas as quatro salas de São Paulo. No Rio e em Porto Alegre, por exemplo, a média fica em 200 pessoas”, contabiliza Patrícia. Treze anos depois do início, a iniciativa envolve quase 30 mil associados de Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Juiz de Fora e Santos.


Desde sábado, Belo Horizonte tornou-se a 10ª cidade a integrar o seleto clube. A primeira sessão, às 11h, no Belas Artes, foi também a de pré-estreia de O segredo dos diamantes, do diretor Helvécio Ratton, que no fim da exibição conversou com os cerca de 40 presentes. No próximo sábado, no mesmo horário, o programa se repete e a estimativa é de que o público cresça. “O projeto não tem imediatismo. É trabalho de conquista. Hoje, mais de uma década depois de ter começado, vemos os resultados nas cidades onde estamos”, afirma Adhemar.


O Clube do Professor não tem viés ideológico. “Pode exibir de Homem -Aranha a obras do cinema iraniano. Somos apenas fornecedores de conteúdo para que as pessoas façam suas opções. Queremos despertar o desejo pelo cinema nos professores”, ele explica. Nas nove cidades onde o clube atua, o público tem faixa etária e gosto variados, de dramas a comédias românticas. “É Woody Allen quem une as gerações nas salas”, garante Adhemar.

Bate-papo Bom mesmo é perceber, como revela Patrícia, que o cinema brasileiro e o documentário estão conquistando mais adeptos. “O projeto não traz cobranças pedagógicas e o resultado aparece a médio e longo prazos. Afinal, qualquer filme tem conteúdo que gera aprendizado, e isso vai contribuindo para educar o olhar. Ao mesmo tempo, o professor se sente sempre atualizado”, afirma Patrícia.


O projeto, com enfoque naturalmente voltado para a valorização do cinema brasileiro, agora vai investir ainda mais nisso, exibindo preferencialmente filmes em pré-estreia com a presença do cineasta, a exemplo do que ocorreu em BH: “O filme nacional nos permite convidar o diretor e conversar com ele ao fim da sessão e isso é ótimo”, avalia ela.

Nova lei Adhemar e Patrícia lembram que o Clube do Professor será ainda mais importante agora, para “guiar” educadores, já que as escolas terão que cumprir a Lei 13.006, que determina exibição de, no mínimo, duas horas de filmes e audiovisuais de produção nacional nas escolas de ensino básico. O projeto, sancionado em junho pela presidente Dilma Rousseff, é do senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Bombardeados por blockbusters, “muitas vezes, jovens só vão assistir a um filme nacional aos 16 anos, e aí é o filme brasileiro que lhes parece estrangeiro”, declara Helvécio Ratton, reforçando a importância do clube para formação de público.


A identificação da plateia com a obra é outro ponto importante quando se pensa no foco para a cinematografia brasileira. Tanto por isso, a escolha do filme de estreia em BH (na verdade reestreia, pois o projeto já passou por aqui, no Ponteio, há cerca de quatro anos) não poderia ter sido melhor. O segredo dos diamantes, de Ratton, tem o raro mérito de levar Minas para a tela, como ele mesmo diz, “sem estereótipos tão comuns do personagem meio bobão”.


Sem esses cacoetes e com belas imagens, além da trilha embalada por Samuel Rosa e o Skank, o longa mostrou que não tem como alvo apenas o público infantojuvenil. Desperta reflexões em torno da busca de verdadeiros tesouros (não apenas aqueles de diamantes). “Quis fazer um filme de ficção e fantasia com um pé na realidade, sobre a história de protagonismo e determinação de um garoto. É também uma trama de resgate da amizade e da solidariedade”, afirma o diretor.


Presente na sessão de sábado, Cirlei Anício de Brito, professora, presidente do Conselho Municipal de Educação de Ouro Branco e mãe do ator Matheus Abreu (que interpreta o jovem Angelo de O segredo dos diamantes) disse que “a transformação que a arte pode trazer é muito grande”, emocionando-se com o que fez pelo seu filho. Ela defende que o clube contribuirá para o educador se familiarizar com a linguagem e ajudar a despertar o interesse dos alunos pelo cinema.

 

 

2015 promete

O Belas Artes vai ganhar mais três salas. A casa ao lado do cinema já está alugada e Adhemar Oliveira declara: “A ampliação é importante até para acertarmos o jogo da programação. O espaço está garantido, faltam patrocinadores”. Também nos planos para o cinema, que está com novo café/espaço gourmet, a ampliação dos banheiros. Projetos ainda sem data para concretização.

 

Sinpro agita cineclube

 

Também o Sindicato dos Professores do Estado de Minas Gerais (Sinpro) tem projeto na área. A diretora de Cinema da entidade, Terezinha Avelar, que aprova o Clube do Professor e até convidou os integrantes do sindicato pela internet para a exibição de O segredo dos diamantes, conta que toda terça, às 19h, tem exibição no Cineclube Joaquim Pedro de Andrade, com capacidade para 60 pessoas (Rua Tupinambás, 179, 14º andar), com entrada franca. O Sinpro criou ainda
o projeto itinerante “Uma tela no meu bairro”, com exibição ao ar livre. Já o Cineclubinho permite ao professor agendar exibição de filmes para alunos na sede da Floresta (Rua Jaime Gomes, 1) com capacidade para 100 pessoas. “O gosto foi pegando e hoje somamos público de 3 mil pessoas que já assistiram às nossas sessões. Guardo a assinatura de todos num livro. E, o melhor, 70% da programação nas ruas são de filmes brasileiros”.

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