Filme conta a história de Irmã Dulce, que dedicou a vida aos pobres

Bianca Comparato e Regina Braga interpretam a freira. Estreia nacional do longa está marcada para dia 27

por Carlos Herculano Lopes 13/11/2014 09:00

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Ique Esteves/divulgação
(foto: Ique Esteves/divulgação)
Salvador
– Os 100 anos de Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, que ficou conhecida em todo o Brasil como Irmã Dulce, O Anjo Bom da Bahia, foram coroados na segunda-feira à noite, em 12 salas lotadas do Shopping Iguatemi, em Salvador. Bianca Comparato e Regina Braga dividem o papel principal no filme 'Irmã Dulce', dirigido por Vicente Amorim e produzido por Iafa Britz. O elenco reúne Malu Valle, Patrícia Oliveira, Amaurih Oliveira e Caco Monteiro.


Nesta quinta-feira, o longa entrou em cartaz nas capitais do Norte e do Nordeste. Dia 27, Irmã Dulce estreia nas outras regiões do país. L.G. Bayão e Anna Muylaert assinam o roteiro. A produção conta com participações especiais de Irene Ravache, Fábio Lago e Glória Pires, além de contar com os atores convidados Gracindo Júnior, Marcelo Flores, Renato Prieto e Zezé Polessa.

Rodado em Salvador durante seis semanas, o longa foi viabilizado pela captação de R$ 9,5 milhões por meio das leis de incentivo cultural. Diretor de 'Corações sujos' e 'Caminho das nuvens', o cineasta Vicente Amorim diz que seu contato com a história de Irmã Dulce começou na adolescência, quando ouvia o avô, o médico Oswaldo Nazareth, contar casos da religiosa. “Simpatizante do Partido Comunista, ele também fazia trabalhos de filantropia e vivia elogiando a freira, com quem se identificava muito. Para fazer esse filme, além passar vários dias em Salvador conhecendo os lugares onde ela viveu, fiz uma imersão nessa história fabulosa. Nunca dirigi um filme tão intenso, que mexesse tanto comigo”, diz Vicente, de 48 anos.

Irmã Dulce, diz ele, “foi só amor e doação ao próximo, além de mulher ativa, que sabia onde queria chegar para atingir seus objetivos”. Amorim garante ter feito o filme que quis, abordando aspectos delicados como a relação nem sempre amena da baiana com a Igreja Católica. “Ninguém tentou interferir no meu trabalho. Minha relação com a família e com a Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, ordem à qual ela pertencia, foi ótima”, informa.

A atriz Bianca Comparato interpretou a religiosa na época da juventude. Para ela, Irmã Dulce foi de uma coragem extraordinária, sem preconceito. “Ela era diferente, e todo o mundo aqui na Bahia tem uma história para contar a seu respeito. Pude ouvir isso de pessoas comuns, andando pelas ruas. Irmã Dulce era uma espécie de mãe da Bahia. Espero que o filme possa ajudá-la a ficar mais conhecida no resto do Brasil. Sua história me motivou muito”, diz.

Regina Braga faz o papel de Irmã Dulce madura e abatida pela doença que a levou, aos 77 anos, em 14 de março de 1992. Sua morte causou comoção em Salvador: 20 mil pessoas saíram às ruas para se despedir dela. A atriz conta que esse foi o mais intenso dos papéis que interpretou. “Bianca e eu saímos pelas ruas vestidas de freiras, conversamos com alguns mendigos, levamos quentinhas para eles. Tudo para tentar nos sentir na pele dessa pessoa maravilhosa”, diz.

Para a jornalista Maria Rita Lopes Pontes, sobrinha da religiosa e superintendente da instituição Obras Sociais Irmã Dulce, que assiste milhares de pessoas na capital baiana, o mérito do filme é divulgar a vida e a obra da tia. “Revolucionária, ela quebrou paradigmas e não poupou esforços para ajudar o próximo. Assisti ao filme com a maior emoção. Toda a família gostou muito”, diz Maria Rita, autora do livro Irmã Dulce dos pobres.

O repórter viajou a convite da produção do filme

BEM-AVENTURADA

Em 2000, a Igreja Católica deu início ao processo de beatificação e canonização de Irmã Dulce. Em 10 de dezembro de 2010, o papa Bento XVI assinou o decreto de reconhecimento de um milagre atribuído a ela. Maria Rita Pontes passou a se chamar Dulce quando ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, em 1933. A cerimônia de beatificação ocorreu em 22 de maio de 2011, quando o Anjo Bom da Bahia recebeu o título de Bem-Aventurada Dulce dos Pobres.


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