BH é cenário do longa 'Mão na luva', estrelado por Roberto Bomtempo e Miriam Freeland

Filme estreou na televisão antes de chegar às telas de cinema do país

por Walter Sebastião 04/11/2014 07:30

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Camisa Listrada/Divulgação
Roberto Bomtempo e Miriam Freeland discutem a relação no filme 'Mão na luva' (foto: Camisa Listrada/Divulgação)
Um casamento perfeito se enrola. Estopim da crise: o marido abandona os próprios sonhos, a mulher não aceita e o casal discute a relação. Assim é a trama de 'Mão na luva', filme dirigido por Roberto Bomtempo e José Joffily, adaptação de peça de Oduvaldo Vianna Filho, um dos criadores do seriado 'A grande família'. Totalmente filmada numa casa no Bairro Santa Lúcia, em BH, a produção conta no elenco com Miriam Freeland e Roberto Bomtempo, casados há uma década. Ano passado, o longa deu a ela o prêmio de melhor atriz e a ele o de melhor diretor no FestNatal, no Rio Grande do Norte.

 
“Este filme faz um relato humano que é de todos nós. Traz momentos jamais vistos de intimidade de um casal”, afirma José Joffily. O diretor tinha curiosidade em saber que impacto o fato de os atores serem casados teria sobre a interpretação. Situação fortalecida, aliás, pela presença na tela dos pais de Miriam e Roberto. Joffily conta que presenciou tanto a entrega dos intérpretes quanto o medo deles de se expor demasiadamente. A história coloca na tela “um pântano” em que a relação amorosa derrapa, compara.

Roberto Bomtempo comemora o filme original, bem fotografado e com som bem cuidado construído em parceria com Miriam Freeland. Como já dirigiu a mulher no teatro, ele diz que a missão foi fácil. Durante as filmagens, os dois alugaram um apartamento e moraram por quatro meses em Belo Horizonte. As conversas sobre o trabalho se estendiam pelo cotidiano. “Até a hora em que eu ou ela apagávamos”, brinca ele.

'Mão na luva', explica o diretor e ator, “traz uma situação que nunca se sabe como termina, pois relações amorosas são cheias de idas e vindas”. O filme aborda temas como a ética nas situações de afeto. “Temos e não temos culpa nas crises. Há momentos em que vem o sentimento de que pisamos na bola, fizemos besteira e fomos pouco generosos. Às vezes, constatamos que talvez a vida seja assim, é preciso entender que o amor acabou e seguir em frente”, argumenta. “Uma relação amorosa, mesmo quando dá certo, não é simples. Quando ficamos mais espertos, já estamos quase na hora da morte”, diz.

DESGASTE É o primeiro filme em que Roberto Bomtempo atua como ator e diretor – ele dirigiu 'Depois do baile' (2005), também rodado em BH. Assumir as duas funções não foi fácil, admite. “Na hora das filmagens, era desgastante, pois tinha de estar inteiro nas duas funções. Cheguei à conclusão de que me divirto mais só atuando ou só diriginho”, conta.

Roberto gosta de trabalhar em BH. “A cidade tem muitas belezas e a população recebe bem as filmagens, criando um clima mais tranquilo para trabalhar”, explica.

De olho no público

Antes de ser exibido no cinema, 'Mão na luva' foi disponibilizado na TV a cabo pela locadora Now. A oferta ocorreu em outubro, foi suspensa este mês e volta em dezembro. “Gostei muito da experiência. Perdemos alguns espectadores de cinema, mas ganhamos em divulgação”, afirma Roberto Bomtempo. Para ele, o diálogo com a TV é essencial. “Há muitos filmes prontos, inclusive premiados, que não terão janela de exibição”, observa.

José Jofilly também aprova a estratégia. De acordo com ele, 'Mão na luva' “está em faixa de risco”: não é comédia comercial e nem ensaio cinematográfico. “Apesar de a TV ter muita dificuldade de modificar a grade de programação, a parceria garante a exibição. Ela torna possível dividir o investimento e protege a produção nacional. É a única forma de o audiovisual sobreviver”, conclui.

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