Filmes 'Boa sorte' e 'Foxcatcher' são destaques do Festival de Cinema de São Paulo

Na 38ª edição do evento, que continua até o dia 29, interpretação dos atores chama a atenção do público

por Carolina Braga 21/10/2014 07:30

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Imagem Filmes/Divulgação
"Como comecei a fazer cinema muito mais consciente da artista que quero ser, da obra que quero deixar e das mensagens que quero passar, acho que escolho com muito mais cautela. A televisão ainda não me permitiu essas personagens tão densas", Déborah Secco, atriz sobre a personagem Judite (foto: Imagem Filmes/Divulgação)
São Paulo
– Déborah Secco parece firme no propósito de fazer do cinema lugar de afirmação profissional. Judite, sua personagem de 'Boa sorte', filme de Carolina Jabor, é daqueles trabalhos que a tiram do lugar-comum, da mocinha, da mulher fatal ou da engraçada espalhafatosa. Na produção exibida em pré-estreia durante a 38ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, ela é sedutora, óbvio, mas de um jeito bem diferente ao interpretar a dependente química, portadora de HIV e hepatite.


“Como comecei a fazer cinema muito mais consciente da artista que quero ser, da obra que quero deixar e das mensagens que quero passar acho que escolho com muito mais cautela. A televisão ainda não me permitiu essas personagens tão densas”, reconhece a atriz.

O longa de ficção de estreia da cineasta, filha de Arnaldo Jabor, narra a história de amor de Judite e João (João Pedro Zappa), adolescente também internado na clínica de recuperação que encontra na mulher um outro modo de olhar a vida, por mais que ela esteja ciente da proximidade da morte.

'Boa sorte' é baseado no conto “Frontal com fanta”, de Jorge Furtado. O próprio autor – que domina tanto a literatura quanto o cinema –, em parceria com o filho Pedro Furtado, cuidou da adaptação cinematográfica, o que fez bem ao projeto. O resultado é a organicidade com que o tom fantástico que a narrativa carrega se apresenta na tela, ainda que tenha alguns exageros dramáticos.

“A semente do conto está no filme mas quando você adapta precisa de mais coisas para ter uma autoria. Outras coisas foram aparecendo, pesquisas foram surgindo. Intensificamos o assunto abordado na literatura e ampliamos a discussão sobre o uso dos remédios e aprofundamos também o papel da avó (Fernanda Montenegro)”, comenta Carolina Jabor.

Na história, João acredita que tomar o ansiolítico Frontal com Fanta laranja faz com que ele fique invisível aos olhos dos outros. O argumento já carrega uma crítica à sociedade de hoje, em que cada um fica encarcerado em seu próprio mundo, sem dar conta de olhar para o lado. Tanto ele como Judite são marcados por histórico familiar de pouca atenção e afeto.

O curioso é que o filme se passa em uma clínica de recuperação, local onde supostamente as pessoas ficam presas e é ali dentro que João se dá conta de sua visibilidade. “É um encontro improvável de duas pessoas. Queria falar um pouco do mundo em que os valores estão mudados e sobre como é importante o afeto e o amor para um jovem se colocar na vida”, justifica Carolina Jabor. Boa sorte tem estreia no circuito comercial em 20 de novembro.

Indicações Ainda que seja precipitado – e preliminar – apostar, Steve Carell é um dos fortes candidatos a levar uma indicação de melhor ator na próxima edição do Oscar. Em 'Foxcatcher: uma história que chocou o mundo', filme que deu a Bennet Miller o prêmio de direção na última edição do Festival de Cannes, o ator interpreta o milionário John Du Pont.

As quatro sessões do longa na Mostra Internacional de SP foram das mais disputadas, ao lado de outros badalados como 'Wintersleep', de Nuri Bilge Ceylan, vencedor da Palma de Ouro em Cannes, o russo 'Leviatã', de Andrey Zvyagintsev, e o belga 'Dois dias, uma noite', dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne. Todos com ingressos esgotados.

'Foxcatcher' é baseado na história real dos lutadores medalhistas olímpicos Mark e David Shultz. O primeiro é convidado a treinar na equipe patrocinada por Du Pont, o que acaba iluminando conflitos familiares, disputas pessoais e frustrações. Assim como já fez em Capote, Bennet Miller é econômico ao narrar os fatos e profundo ao vasculhar as raízes dos conflitos vividos pelos personagens.

O elenco tem uma surpresa atrás da outra. A primeira é Carell, conhecido por papéis de comédia como o Andy em 'O virgem de 40 anos', em uma bem-sucedida incursão no drama. É até difícil reconhecê-lo. Mark Ruffalo também. Como David Shultz ele está bem mais forte e com um jeito de falar que em nada lembra suas passagens anteriores na telona. Já Channing Tatum é denso como Mark, mas nada que surpreenda tanto quanto seus colegas de cena.

A 38ª Mostra Internacional de São Paulo termina no dia 29.

*A repórter viajou a convite da Mostra Internacional de São Paulo.

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