As várias faces de Cássia Eller são mostradas em documentário

Filme exibido em sessão fechada no Rio de janeiro estreia em janeiro

por Irlan Rocha 15/10/2014 10:42

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(foto: Reprodução)
“Nunca tive ilusão de fazer sucesso, mas era a coisa que eu mais queria na minha vida, que meu trabalho chegasse pra todo mundo. Mas não queria atochado goela abaixo dos caras. Quero que seja uma coisa natural”

“Eu tenho vergonha das pessoas. Tenho medo de gente. Música para mim foi uma fuga da minha incapacidade de viver socialmente com as pessoas”

“Meu trabalho é difícil de ser popular, mas eu sei que pelo jeito de eu falar, por meu jeito de ser, rola identificação com qualquer pessoa. Sou uma pessoa muito simples. Eu quero o que todo mundo quer. Eu quero é ser feliz. Quero sentar, rodar e gozar igual a todo mundo”

As declarações acima, reunidas por Paulo Henrique Fontenelle no documentário 'Cássia', contribuem para dar contornos à personalidade de Cássia Eller e revelam a estrela do rock nacional em estado bruto. O filme, exibido como hors concours em sessão de gala do Festival de Cinema do Rio de Janeiro, no último dia 6, chega ao circuito comercial em janeiro próximo. “Adoraria fazer o lançamento em Brasília, ponto de partida da carreira da nossa heroína”, diz o diretor, que assina outras produções do gênero, como o premiado 'Loki', sobre o eterno mutante Arnaldo Baptista.

Na realização de Cássia, Fontenelle colheu depoimentos de pessoas que fizeram parte da vida da roqueira, entre as quais a jornalista Deborah Dornellas, o crítico musical Tárik de Souza, os artistas Oswaldo Montenegro, Zélia Duncan, Nando Reis e Dora Galesso e, obviamente, a companheira Maria Eugênia e o filho, Chicão.

“Sempre admirei Cássia, mas não a conheci pessoalmente. Quando, em 2010, tive a ideia de fazer o documentário e passei a realizá-lo, me senti íntimo dela. A primeira pessoa que procurei para falar da minha decisão foi Eugênia, que me deu carta branca para levar adiante o projeto. Ela estabeleceu apenas uma condição: que fossem focalizadas todas as facetas de Cássia, sem nenhum tipo de restrição”, conta Fontenelle.

Arrepio
Ao cineasta, Eugênia disse: “No palco, eu tinha a sensação de que ela recebia um santo, mesmo. Era uma coisa doida aquilo ali! Cássia se transformava, não era a mesma pessoa”. Vai mais ou menos nessa linha o depoimento colhido de Deborah Dornellas, produtora da cantora, no início da carreira. “A lembrança que não me sai da memória é a de Cássia no palco. Quando ela começava a cantar, eu ficava toda arrepiada. Como é que ela conseguia cantar com aquela voz, com aquela emoção?”, diz.

Bastidores de momentos tristes da biografia da cantora também são destacados no filme. Um deles é a exaustiva especulação em torno da morte da cantora— não faltou quem atribuísse a uma overdose de drogas. O outro é o da luta de Eugênia para manter a guarda de Chicão. O pais de Cássia haviam entrado na Justiça para obter a guarda do neto, à revelia do restante da família. A vitória da companheira da artista se transformou em emblema, por ter reconhecidos os direitos de um casal homossexual no país.

Produzido pela Migdal Filmes, em parceria com o canal de tevê GNT, o documentário, que será distribuído pela H2O Filmes, ficou pronto somente em setembro último. “Conseguimos imagens raras de Cássia, em seu ambiente familiar, principalmente as dela com o filho, Chicão, e de shows e espetáculos de teatros em Brasília, antes da fama e do sucesso”, anuncia Fontenelle.

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