Programação da mostra Indie é aberta nesta quarta com filme sobre Nick Cave

Longa '20 mil dias na Terra' mostra o cotidiano do músico australiano que já se aventurou com sucesso pelo cinema e a literatura

por Mariana Peixoto 03/09/2014 08:35

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Indie/Divulgação
Os fãs vão ter a chance de acompanhar Nick Cave na intimidade do lar e em plena produção criativa (foto: Indie/Divulgação )
Nick Cave completa 57 anos no próximo dia 22. Mas no final do século passado, quando mal havia entrado na casa dos 40, ele já não se sentia um ser humano. É a partir desta observação que tem início o longa-metragem 'Nick Cave – 20 mil dias na Terra', de Iain Forsyth e Jane Pollard, misto de documentário e ficção que abre nesta quarta-feira, às 20h, no Cine Belas Artes, a 14ª edição do Indie – Mostra do Cinema Mundial. Até dia 10, serão exibidos 28 filmes de 18 países.

O título do filme de Forsyth e Pollard faz referência a um verso que o músico australiano havia anotado na época em que gravava 'Push the sky away' (2013), seu mais recente álbum com seu grupo Bad Seeds. Naquele período, Cave havia completado seus 20 mil dias na Terra. No entanto, aqueles que o cultuam vão concordar: Nick Cave nunca foi deste planeta.

Muito além A partir de um pressuposto aparentemente simples – o tal dia na vida de Nick Cave –, o filme vai se abrindo em camadas, fazendo um retrato íntimo de seu processo criativo. O espectador o acompanha acordando ao lado da mulher, Susie, em sua casa em Brighton, cidade litorânea da Inglaterra. Também o vemos em seu escritório, defronte à sua máquina de escrever. Dali parte para seu primeiro compromisso do dia, uma sessão de análise. Na sequência, um novo encontro, com os responsáveis por seu próprio arquivo.


Esses são os fatos corriqueiros do mundo de Cave, que é também o narrador. Em cada um dos cenários há uma digressão acerca do tempo – a intenção maior do filme é preservar a memória, que na opinião do músico é o que ele mais teme perder. Entre essas cenas “reais”, Cave roda em seu carro pelas ruas de Brighton, bate um papo com o ator Ray Winstone e com a conterrânea Kylie Minogue – que gravou com ele, em 1995, a canção Where the wild roses grow, o momento mais pop da carreira de Cave.


Mas suas maiores observações vêm do encontro com o companheiro de Bad Seeds Warren Ellis. Primeiro Cave, depois Ellis, ambos comentam a única vez em que estiveram com Nina Simone, já no fim da vida dela. Em meio a doses de champanhe, cocaína e nacos de linguiça, assistiram a uma mulher que incitava o medo no camarim mudar-se completamente no palco, domando a plateia e transformando todos os que estavam ali, função primeira de um artista em cena.


O que é documentário, o que é ficção, isso pouco importa em '20 mil dias na Terra'. Nick Cave tem pelo menos quatro décadas dedicadas à música, principalmente, mas também ao cinema e à literatura. Sua obra, sempre intensa, versa sobre religião, morte, crimes, violência e amor. Pois o longa abrange todos eles, sem nunca cair na mesmice nem tampouco tornar-se refém deles. A intenção é fazer um retrato de um artista e mostrar quão transformadora pode ser a arte. Nisto, o filme vai além de Cave, sua vida e obra, falando de questões existenciais que também atingem o espectador.

 

NICK CAVE – 20 MIL DIAS NA TERRA
O filme abre a programação do Indie, hoje, às 20h, no Cine Belas Artes. Ingressos serão distribuídos na bilheteria a partir das 19h (entrada sujeita à lotação das salas). Haverá sessão também no domingo, às 21h20, no Belas 1. Informações: www.indiefestival.com.br

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