Vampiros saboreiam picolés de sangue no filme Amantes eternos

Cineasta Jim Jarmusch apresenta sua versão do vampirismo no século 21 ao retratar a reclusão de um casal de criaturas imortais

por Diário de Pernambuco 21/08/2014 15:01

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

RECOMENDAR PARA:

INFORMAÇÕES PESSOAIS:

CORREÇÃO:

Preencha todos os campos.
Paris filmes/ Divulgação
A atriz Tilda Swinton intepreta uma sofisticada vampira (foto: Paris filmes/ Divulgação)
Alguns artistas parecem vampiros de tão reclusos e vice-e-versa. Como se tivessem dificuldade de adaptar-se à vida comum dos meros mortais, eles não se misturam com as pessoas porque sabem que serão incompreendidos ou simplesmente por não se identificarem com um cotidiano normal de convivência social. Essa analogia é materializada no filme Amantes eternos, onde o submundo vampiresco é diretamente associado ao universo do rock sombrio.

O filme é contaminado por música desde as primeiras cenas, quando estrelas e corpos giram na tela intercalados pela imagem de um disco de vinil em rotação. Interpretado por Tom Hiddleston (o Loki de Thor e Os vingadores), o vampiro Adam vive sozinho em um apartamento escuro, onde grava suas canções instrumentais com equipamentos eletrônicos e uma coleção de guitarras antigas. Ele vive há centenas de anos e está prestes a reencontrar sua antiga amada Eve (perfeitamente encarnada pela presença pálida da atriz Tilda Swinton), que está em Marrocos e se comunica à distância por meio de seu iphone.

Amantes eternos atualiza o vampirismo para o século 21 por meio da visão de mundo do cineasta Jim Jarmusch, diretor celebrado por, entre outros motivos, contaminar seus filmes com referências culturais. Schubert, Jack White e William Shakespeare estão entre as figuras históricas que teriam suas obras direta ou indiretamente relacionadas a ações dos vampiros. Um personagem vivido pelo ator John Hurt, por exemplo, seria o verdadeiro autor de Hamlet. Mia Wasikowska (Alice no País das Maravilhas) interpreta uma jovem vampira cujo comportamento alerta sobre os riscos do contato com humanos recheados de sangue.

O clima soturno, com leves toques de humor (o casal chupa picolés de sangue), de Amantes eternos parece ter sido construído por vampiros em frente e atrás das câmeras. Apesar de ser ambientado nos dias atuais, seu estilo lembra mais Fome de viver (1983) do que a Saga Crepúsculo (2008-2012). O figurino tem a sofisticação de quem passou séculos dedicado às artes. Há ainda uma reflexão sobre a morte e a ressureição das grandes cidades, simbolizada pela Detroit que serve como cenário principal e pela eterna Tânger onde vivem alguns dos personagens.

Na trilha sonora, há a participação de nomes como Paganini, Black Rebel Motorcycle Club, Zola Jesus, White Hills e Yasmine Hamdan (os dois últimos aparecem na tela em cenas de shows). Também são tocadas músicas de SQÜRL, banda que tem o próprio Jarmusch como guitarrista. Seus filmes sempre têm fortes contribuições musicais, com Daunbailó (1986) e Flores partidas (2005) entre os exemplos mais famosos, que celebraram respectivamente canções de Tom Waits e Mulatu Astake, entre outros.

Veja o trailer:

MAIS SOBRE CINEMA