'O homem das multidões', de Cao Guimarães e Marcelo Gomes, estreia em BH

Longa conta a história de Juvenal, solitário metroviário de BH

por Gracie Santos 31/07/2014 07:00

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Cao Guimarães/Divulgação
(foto: Cao Guimarães/Divulgação)
'O homem das multidões', de Cao Guimarães e Marcelo Gomes, carrega uma série de significados e indagações. Tem inspiração no conto 'O homem da multidão', de Edgar Allan Poe, escrito em 1840, sobre um homem que tinha prazer em se sentir em meio à massa, sem qualquer interesse em interagir na intimidade. Evita qualquer relacionamento. Pode ser que a simples sensação de estar em meio a muitos o torne menos solitário. Ou o contrário: ao se colocar como mais um, sente-se acompanhado, sem “correr o risco” de se relacionar com alguém. Filme e personagem são universais. BH (onde foi rodado) pode ser qualquer cidade do mundo, os transeuntes da Praça Sete são iguais aos de qualquer metrópole e Juvenal (Paulo André) é como qualquer solitário convicto, alheio a emoções partilhadas.

 

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O metroviário que se enclausura num apartamento no Centro gosta de observar escadas rolantes cheias, sentir-se acompanhado, ter quem não tem no universo particular. O longa que inaugura feliz parceria entre os cineastas ousa na estética e valoriza a dramaturgia. Seja com a câmera fechada em closes invasivos ou com a opção por usar o aspect ratio de 3x3, proporção quadrada da imagem, que “encurrala” Juvenal e a controladora de trens Margô (Silvia Lourenço), de maneira quase claustrofóbica. Exige muito dos atores e tem resultado surpreendente.

Sobre a parceria, Cao Guimarães afirma que chegaram a resultado híbrido. Mas se recorda de detalhes que são um pouco dele e o marcaram: “A cena de pai e filha, um olhando para o outro... e aquela pocinha d’água escorrendo no chão do vagão. Do mesmo jeito que tem o sonho, no fim, do Marcelo”. E completa: “Ele tem um background em dramaturgia, roteiro. Ator e personagem é igual para mim. Marcelo tem o espírito de um diretor que lida com o circo ao redor e dá conta de tudo, eu enlouqueço, sou mais solitário. Foi uma troca gratificante, aprendi com ele, ele comigo. Pode haver coisas que vão se parecer um estilo Cao de filmar e outras que soem como marcelisses e seja exatamente o contrário. O filme foi muito transformador para nós dois. Muda a forma e não engessa o estilo, a gente ousa e se arrisca a sair do lugar”.

Assista ao trailer do filme:


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