Don Cheadle mergulha na obra do camaleão Miles Davis para cinebiografia

Premiado ator se divide entre interpretar o músico e dirigir o filme

por Gabriel de Sá 21/07/2014 10:53

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Divulgação
A caracterização de Cheadle como Miles (à esquerda) impressionou os admiradores (foto: Divulgação)
Após três décadas e meia de trabalho intenso, Miles Davis precisava de descanso. A partir de 1975, durante seis anos, o trompetista norte-americano, um dos mais influentes músicos de jazz de todos os tempos, tirou o time de campo. Durante o período, deixou seus instrumentos um pouco de lado, mergulhou ainda mais nas drogas e conviveu até com rumores de que havia morrido. Em 1979, sentiu que era o momento de retomar a carreira.

A volta de Miles Davis ao batente, após os anos que ficariam conhecidos como “período silencioso”, será abordada em 'Miles ahead', cinebiografia independente estrelada pelo ator Don Cheadle, cujas filmagens se iniciaram na última semana, nos Estados Unidos. A imagem da caracterização de Cheadle como Miles, divulgada há alguns dias, impressiona. O longa ainda não tem previsão de lançamento.

O intérprete do trompetista, que também dirige o longa e diz estar investindo parte de seu patrimônio na produção, foi indicado ao Oscar de melhor ator em 2005, pelo filme 'Hotel Ruanda'. Acabou não levando a estatueta — naquela ocasião, foi Jamie Foxx, que deu vida a Ray Charles na cinebiografia sobre a lenda da soul music, o laureado. A julgar pela caracterização minuciosa, Cheadle parece estar, assim como Foxx, em um mergulho profundo em direção ao personagem. E, como é sabido, a Academia tem grande apreço por filmes sobre personagens históricos.

Via internet

Cheadle estreia como diretor e se diz um grande apreciador da obra de Davis. O ator, inclusive, toca saxofone, desde os 10 anos, o que deve dar mais veracidade às cenas em que viverá o ídolo do jazz. “Eu era muito fã de Charlie Parker e Cannonball Adderley. Através de Cannonball, eu conheci Miles”, disse o intérprete a uma revista. Ele lançou uma campanha via internet, em um site de financiamento coletivo, visando coletar verbas para a produção. Em apenas 33 horas, já havia conseguido US$ 17 mil. A meta, estipulada em US$ 325, foi atingida e ultrapassada com o suporte de cerca de 2 mil admiradores.

A família de Miles, além das gravadoras pelas quais o músico lançou seus trabalhos, apoiou a escolha de Cheadle para o papel. E, sem a colaboração deles, não seria possível fazer o filme, segundo o ator. “Não poderíamos usar as músicas, por exemplo, se eles não as tivessem liberado”, declarou. O filme conta também com a participação, entre outros, de Ewan McGregor, que dará vida a um repórter não confiável da revista Rolling Stone.

AFP Photo
Don Cheadle (foto: AFP Photo)
Música social


Nascido em 26 de maio de 1926, em Santa Monica, Califórnia, Miles Dewey Davis Jr iniciou a carreira em meados dos anos 1940 e esteve à frente de quase todos os desdobramentos estéticos que o jazz teve ao longo da segunda metade do século 20 — do bebop ao cool jazz, passando pelo modal e o fusion. O termo “jazz”, entretanto, o incomodava: preferia dizer que fazia “música social”. Miles teve a técnica questionada em alguns momentos da trajetória, mas foi insuperável no quesito originalidade. Tocaram com ele, e despontaram para o mundo, mestres como Herbie Hancock, John Coltrane, Wayne Shorter, John McLaughlin e Chick Corea, entre outros. Morreu em 1991, aos 65 anos, tendo lançado 48 álbuns de estúdio.

Estreia na direção


Conhecido pelo papel principal do filme 'Hotel Ruanda' (2005), o ator Don Cheadle, de 49 anos, destacou-se também nos longas 'Diabo veste azul' (1995) e 'Crash' (2004) e no segundo e terceiro episódios da franquia 'Homem de ferro'. Desde 2012, ele é o protagonista da série televisiva 'House of lies', na qual dá vida ao personagem Marty Kaan. Conhecido também como produtor, ele estreará na direção de filmes em 'Miles ahead'.

Rumo à eternidade


Quem quiser ser enterrado ao lado de Miles Davis deve desembolsar uma quantia equivalente a R$ 13,3 mil. É esse o valor que alguns norte-americanos têm pagado para passar a eternidade ao lado de ídolos como Duke Ellington e Coleman Hawkins, além de Miles, todos enterrados no Cemitério Woodlawn, em Nova York (foto). Tem sido grande a demanda de reles mortais com o desejo de que seus túmulos fiquem próximos aos de grandes artistas, tanto que, segundo o jornal britânico The Telegraph, a administração do local planeja construir mais de 2 mil covas entre os mausoléus de Miles, Ellington e da estrela latina Celia Cruz.

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