Helvécio Ratton dedica estreia de 'O segredo dos diamantes' em Gramado a Manoelita Lustosa

Atriz que morreu no último dia 1º não chegou a ver o resultado de sua atuação no longa

por Gracie Santos 04/07/2014 11:23

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Estevam Avellar/Divulgação
Para Ratton, perda da atriz perto de estreia nacional ''torna o momento ao mesmo tempo muito triste'' (foto: Estevam Avellar/Divulgação)
Feliz com a inclusão de seu novo longa na mostra competitiva nacional do 42º Festival de Gramado, que ocorre de 8 a 16 de agosto na cidade da Serra do Rio Grande do Sul, o cineasta mineiro Helvécio Ratton aproveita a sessão de exibição, que será a de estreia nacional de 'O segredo dos diamantes' (o filme chega aos cinemas em 18 de dezembro) para prestar homenagem à atriz mineira Manoelita Lustosa (que morreu no dia 1º) em seu último trabalho. Além da dor da perda (“que torna o momento ao mesmo tempo muito triste”), o diretor sente por Manoelita não ter assistido ao longa. Eles chegaram a marcar uma sessão, mas não houve tempo.

Em 'O segredo dos diamantes', a veterana atriz mineira é a avó do personagem central, Ângelo (Matheus Abreu), na aventura sobre a lenda de um tesouro de diamantes que pode salvar a vida do pai do jovem depois de um acidente. Também no elenco, a atriz Dira Paes lamentou ontem a morte de Manoelita, contando que teve “uma tremenda empatia com ela graças à sua inteligência e vivacidade”. Dira afirmou que “a homenagem em Gramado será um louvor a essa grande atriz” e disse que vai torcer para que a agenda permita sua presença no festival.
Juarez Rodrigues/EM/D.A Press
Pela quarta vez em Gramado, Ratton comemora participação: ''a cidade respira cinema e este ano o festival foi revitalizado'', destaca o diretor mineiro (foto: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press)

Os outros longas brasileiros em competição na edição deste ano são: 'A despedida', de Marcelo Galvão (SP); 'A estrada 47', de Vicente Ferraz (RJ); 'A luneta do tempo', de Alceu Valença (RJ), que tem assistência de direção do mineiro Luiz Felipe Fernandes; 'Esse viver ninguém me tira', de Caco Ciocler (DF); 'Infância', de Domingos Oliveira (RJ); 'Os senhores da guerra', de Tabajara Ruas (RS); e 'Sinfonia da necrópole', de Juliana Rojas (SP), que também integra a mostra competitiva do Paulínia Film Festival, promovido de 22 a 27 deste mês.

Não é a primeira vez de Helvécio Ratton em Gramado. O cineasta já esteve presente com 'Em nome da razão' (1979), 'A dança dos bonecos' (de 1986 – “muito bem recebido”) e 'Uma onda no ar' (2002). “O evento é muito bom, a cidade respira cinema e este ano o festival foi revitalizado. No ano passado, Rubens Ewald Filho e José Wilker (curadores) já haviam feito trabalho de renovação.

Ratton diz que 'O segredo dos diamantes' é um filme muito diferente, uma aventura dedicada ao público infantojuvenil, gênero que o Brasil produz pouco e no qual não tem a menor tradição. “Aliás, não temos tradição de praticamente nenhum gênero, além das comédias, que dão certo por ter a Globofilmes por trás.”

 

O diretor afirma que está formando espectadores, tentando fazer com que os garotos se interessem pelo cinema brasileiro. “Fizemos um filme bem transado, com conteúdo brasileiro desse segmento com o qual os norte-americanos se empenham tanto. Que é para eles a galinha dos ovos de ouro. Para nós, no Brasil, falta estímulo”, lamenta.

A presença quase sempre tímida de longas mineiros em festivais pelo país é atribuída por Ratton à falta de apoio do poder público. “Acho que a vocação do estado para o audiovisual é extremamente maior do que o incentivo do governo estadual. Existe uma quantidade enorme de jovens por aqui querendo estudar e fazer cinema e o programa do governo de Minas é feito com recursos federais da Lei do Audiovisual. O resultado disso reflete nas telas”, afirma, lamentando também que não há investimentos da prefeitura no setor.

Curta instigante
Outro representante de Minas no festival, só que na mostra competitiva de curtas, é André Amparo, conhecido artista plástico que trabalha com instalações. 'Max Uber', como explica o diretor, é um filme que aproxima o cinema das artes plásticas. “O curta fala sobre o que vemos hoje na arte contemporânea, a mercantilização. Você não sabe o que é bom ou ruim, belo ou feio. Então, é sinal de que alguma coisa está estranha”, diz. André Amparo aborda o endeusamento da figura do artista, as obras multimilionárias. Max Uber (uber em alemão significa o máximo, daí o sobrenome do personagem) é pseudônimo do artista (interpretado por Delani Lima) que cria a obra na internet, inventa uma biografia e uma carreira com exposições importantes. “Tudo é uma grande farsa”, revela o diretor.

André Amparo chama a atenção para o que ocorre hoje também no meio de cinema: “Tem muita coisa envolvida. Para se dar bem, o cineasta tem que pensar lá na frente, na distribuição, na exibição, num elenco interessante que atraia o público, mesmo que isso não tenha nada a ver com o filme”. A seleção de 'Max Uber' para Gramado, na opinião dele, tem a ver com o fato de o filme abordar tema atual, que provoca discussões sobre a arte de mercado e não aquela do artista que cria por que quer criar, mas do que faz o filme para dar certo, passando por cima de coisas importantes. Prova de que se pode correr por outras raias é exatamente a presença dos filmes de Amparo e Ratton no festival.

Estevam Avellar/Divulgação
Aventura infantojuvenil, 'O segredo dos diamantes' é passo do autor no nicho; ''não temos tradição de praticamente nenhum gênero, além das comédias, que dão certo por ter a Globofilmes por trás'' (foto: Estevam Avellar/Divulgação)

SAIBA MAIS: GRAMADO
São quatro mostras em disputa: longas brasileiros, longas estrangeiros, curtas nacionais e curtas gaúchos. Ao todo, 794 títulos foram inscritos para participar da mostra competitiva. Entre as novidades da edição, um dos destaques é a confirmação da premiação em dinheiro para as produções vencedoras. Com a morte do curador José Wilker, o evento modificou o formato da curadoria e passou a ter uma representante estrangeira, a atriz, diretora e produtora argentina Eva Piwowarski, que trabalha ao lado de Marcos Santuario e Rubens Ewald Filho. Veja a programação completa em www.festivaldegramado.net.

Mostras competitivas

Longas estrangeiros

'Algunos dias sin musica', de Matías Rojo (Argentina/Brasil)
'El critico', de Hernán Guerschuny (Argentina)
'El lugar del hijo', de Manuel Nieto (Uruguai)
'Esclavo de dios', de Joel Novoa (Venezuela)
'Las analfabetas', de Moisés Sepúlveda (Chile)

• Curtas nacionais

'A pequena vendedora de fósforos', de Kyoko Yamashita (RS)

'Brasil', de Aly Muritiba (PR)
'Carranca', de Wallace Nogueira e Marcelo Matos de Oliveira (BA)
'Carta a uma jovem cineasta', de Luiz Rosemberg Filho (SC)
'Castillo y el armado', de Pedro Harres (RS)
'Compêndio', de Eugênio Puppo e Ricardo Carioba (SP)
'Contínuo', de Carlos Ebert e Odécio Antônio (PB)
'História natural', de Júlio Cavani (PE)
'La llamada', de Gustavo Vinagre (SP)
'Max Uber', de André Amparo (MG)
'O clube', de Allan Ribeiro (RJ)
'O coração do príncipe', de Caio Ryuichi Yossimi (SP)
'O que fica', de Daniella Saba (SP)
'Se essa lua fosse minha', de Larissa Lewandowski (RS)
'Sem título #1: Dance of Leitfossil', de Carlos Adriano (SP)

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