Fernando Coimbra estreia no cinema com o thriller 'O lobo atrás da porta'

Filme parte de história real e se firma como cinema urbano e maduro

por Mariana Peixoto 06/06/2014 09:04

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Imagem Filmes/Divulgação
Leandra Leal dá dimensão humana ao sofrimento de sua personagem, Rosa, em 'O lobo atrás da porta' (foto: Imagem Filmes/Divulgação)
O Brasil não tem tradição de cinema de gênero, quanto mais de thriller. Conseguir manter o fôlego até o fim da narrativa de 'O lobo atrás da porta' já se configura um mérito e tanto para o longa-metragem de estreia de Fernando Coimbra. Mas há muitos outros neste suspense suburbano inspirado numa história real – a chamada “Fera da Penha”, ocorrido em 1960 no subúrbio do Rio de Janeiro; se não tiver ouvido falar e quiser fugir de spoilers, faça a pesquisa depois do filme.


Coimbra, por sinal, não faz questão alguma de relacionar o longa com o caso real (que já foi explorado pelo extinto 'Linha direta', da Globo). Nos créditos iniciais, não há qualquer menção à história. Posto isto de lado, o que acompanhamos em pouco mais de uma hora e meia é o que existe por trás do desaparecimento de uma criança. A partir do sumiço de uma menina, chegamos aos três protagonistas, não por acaso personagens de um tórrido triângulo amoroso.

Bernardo (Milhem Cortaz) é marido de Sylvia (Fabíula Nascimento) e amante de Rosa (Leandra Leal). No início da narrativa, o trio é levado para uma delegacia para tentar esclarecer o que ocorreu com a menina, filha do casal. A partir de dois pontos de vista – de Bernardo e Rosa – somos levados a um emaranhado de mentiras e casos mal contados que vão culminar na versão verdadeira do que ocorreu.

O cenário aqui é raro no cinema nacional recente. É o subúrbio, com suas casas antigas, descuidadas, com cara de cidade do interior. É a linha de trem, o estacionamento de ônibus. Com muitas locações e pouco de estúdio (as cenas internas foram rodadas num hospital desativado transformado em cenário), o cineasta trabalha com longos planos e closes. É uma câmera que saber esperar o tempo de cada ator. O trio central tem interpretações intensas em igual medida.

Mas é a dúbia Rosa, de Leandra Leal, quem mais brilha na tela grande. Uma cena resume o esforço da atriz (premiada pelo papel no Festival do Rio) quando ela, maltratada e abandonada pelo amante, fica sentada numa mesa. Com sutileza, a câmera (de Lula Carvalho) se aproxima pouco a pouco dela, que se desfaz em desespero. É diante de cenas assim que 'O lobo atrás da porta' vai além do mero suspense bem-acabado. Aqui, as relações humanas – com seus desejos e perversidades – falam mais alto.

Assista ao trailer do filme:


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