9ª CineOP começa com um lema conceito: cinema patrimônio

Mostra que começou nessa sexta-feira em Ouro Preto confirma: a história do cinema se confunde com a da luta pela preservação e conservação de filmes no país

por Walter Sebastião 31/05/2014 06:00

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Leo Lara/Universo Produção
Homenageado do CineOP, o cineasta Luiz Rosemberg ao lado da atriz Helena Ignez e do cineasta Geraldo Veloso (foto: Leo Lara/Universo Produção)


Ouro Preto –
A paixão pelo cinema deu o tom da abertura da 9ª CineOP, que começou ontem na cidade histórica com a exibição de Tudo por amor ao cinema, de Aurélio Michiles. O documentário apresenta retrato de um herói da produção cinematográfica brasileira, desconhecido fora do meio: o amazonense Cosme Alves Netto (1937-1996), curador por mais de duas décadas da Cinemateca do Museu de Arte Moderna (RJ). Homem cuja história pessoal se confunde com a da preservação e conservação de filmes no Brasil. A singular história de personagem preso e torturado durante a ditadura por ativismo político-cultural foi vista com respeito pelo público.

Tudo por amor ao cinema apresenta a trajetória de um filho esquerdista de um rico empresário que se entrega à paixão pela exibição de filmes antigos. Atividade que se estende em outras de apoio ao cineclubismo e aos cineastas. Estão no filme vários depoimentos que reconhecem não só o pioneirismo da ação dele, mas também a ousadia e a coragem de Cosme Alves Netto, que inclusive escondeu, na Cinemateca, filmes que corriam o risco de serem destruídos pela censura da ditadura militar. Luiz Rosembeg, homenageado do CineOP, recordou que, em tempos de censura agressiva aos filmes dele, ouviu do curador: “Aqui na Cinemateca seu filme passa”.

O clima do CineOP, como em todos os anos, é de encontro entre artistas e pesquisadores. O lema em 2014 é um conceito: cinema patrimônio. “Acervo – explica Raquel Hallak, coordenadora-geral – que é produto do sonho, da ousadia e do apuro artístico.” Ela cita Martin Scorcese, para falar de filmes que tocam o coração, abrem portas e mentes, mudam as formas de ver as coisas, motivo pelo qual o cinema deve se manter vivo. Este ano, holofotes foram postos especialmente sobre a geração dos anos 1970, que criou o cinema experimental, defendendo pesquisa estética como caminho.

Integrante ilustre da geração homenageada é a atriz Helena Ignez. Ela está em três filmes no CineOP: O poder dos afetos, que tem direção dela; Copacabana mon amour, de Rogério Sganzerla; Paixão e virtude, de Ricardo Miranda. “Bom cinema é atemporal. E é esse o cinema que estamos celebrando aqui”, afirma Ignez. Com relação à importância de festival dedicado à memória, ela é didática: “Como aprender cinema sem conhecer o que foi feito antes?”. A atriz trabalhou com praticamente todos os diretores do cinema experimental brasileiro. Está às voltas com projeto a ser realizado com Luiz Rosemberg Filho, com quem ainda não tinha filmado. “Mas é segredo”, brinca.

Clarissa Ramalho, viúva de Ricardo Miranda, homenageado do CineOP que morreu em março, agradeceu a reverência ao cineasta, montador e professor. “É um momento forte para mim, está sendo emocionante”, afirmou. Ela considera que a mostra, ao exercitar o rever e o recordar, e cuidar do realizado, coloca questão essencial para o cinema e para a sensibilização: “É memória. E memória é a ficção da nossa realidade”, observou.

O repórter viajou a convite da realização do evento.

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