Ryan Gosling estreia na direção com filme vaiado em Cannes e criticado pela imprensa

'Lost river' marca empreitada do astro de 'Drive' por trás das câmeras, mas não impressiona

por AFP Fernanda Machado 20/05/2014 17:44

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Recebido com empolgação por centenas de mulheres que o esperavam em frente ao seu hotel, o ator Ryan Gosling foi a estrela nesta terça-feira do Festival de Cannes, mas seu filme, 'Lost river' - o primeiro que dirige - dividiu a crítica. O escuro e sangrento longa-metragem foi apresentado nesta terça-feira, 20, na seleção oficial "Um Certo Olhar".

 

Com elenco encabeçado pela sedutora Christina Hendricks, da série 'Mad men', 'Lost river' era um dos mais esperados deste 67º Festival, e uma fila gigantesca se formou em frente ao teatro duas horas antes da exibição. Vaias e aplausos foram ouvidos na sala após a projeção do filme, uma espécie de metáfora rodada perto de um povoado submerso em um rio e em casas em péssimo estado nos arredores de Detroit, que evocam o colapso dos bancos e o fim da bolha imobiliária nos Estados Unidos.

LOIC VENANCE / AFP
''Se Ryan Gosling não fosse um astro, nunca teriam deixado ele dirigir'', apontou crítico britânico (foto: LOIC VENANCE / AFP)

Muitos críticos se lançaram às redes sociais para expressar sua aprovação ou rejeição, e alguns se perguntavam se o filme - que também conta em seu elenco com Eva Mendes, namorada de Gosling, que executa danças sangrentas em um sórdido clube - estaria na seleção oficial de um dos festivais mais prestigiados do mundo se o seu diretor não fosse um dos atores mais cotados de Hollywood.

Essa foi a opinião de Peter Bradshaw, do jornal britânico The Guardian. "Se Ryan Gosling não fosse um astro, nunca teriam deixado ele dirigir", escreveu o crítico de cinema. Quase todos concordam que a obra-prima do ator canadense de 34 anos tem a influência do cineasta dinamarquês Nicolas Winding Refn, que dirigiu Gosling em 'Drive' - com o qual o diretor ganhou o prêmio de melhor direção em Cannes, em 2011.

 

No ano passado, Refn levou a Cannes o violento 'Only God forgives', também com Gosling, apresentado no concurso pela Palma de Ouro, mas saiu de mãos vazias. "Gosling absorveu as lições de Refn e assina um filme atmosférico, habitado pela morte, pelos fantasmas e pela loucura", escreveu Christophe Narbonne, um jornalista da revista de cinema Premiere.

Alguns também falam da influência do cineasta britânico David Lynch no filme de Gosling, pelo ambiente, entre sonho e pesadelo, que habita sua obra, e pelas luzes de neon que o inundam. Ryan Gosling é "um diretor formidável" e "seu filme de pesadelo" é um "produto experimental, que promete", considera o site Les Cinévores, ressaltando a sombra de Lynch, como muitos outros.

Mas o jornal britânico The Times critica todas essas influências, criticando a "miscelânea de Lynch, Refn e Edward Hooper". Alheias às considerações cinematográficas, muitas mulheres estavam postadas em frente ao hotel de Gosling, ansiosas pela oportunidade de encontrar o ator: "Levarei café da manhã para você na cama, lavarei suas cuecas, farei tudo", estava escrito em um cartaz exibido por uma jovem fã.

ALBERTO PIZZOLI / AFP
Christina Hendricks, consagrada por 'Mad men', protagoniza primeiro longa de Gosling (foto: ALBERTO PIZZOLI / AFP)
 

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