CineOP resgata o passado para discutir o futuro do audiovisual brasileiro

Festival vai homenagear Luiz Rosemberg Filho, referência do cinema experimental no país

por Walter Sebastião 16/05/2014 08:17

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Túlio Santos/EM/D.A Press-30/1/14
O diretor Luiz Rosemberg Filho, pioneiro do cinema experimental, será homenageado em Ouro Preto (foto: Túlio Santos/EM/D.A Press-30/1/14)
Acesso à memória é a palavra de ordem da 9ª Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP), que será realizada de 28 deste mês a 2 de junho, na cidade histórica mineira. Raquel Hallack, diretora do evento, lembra que o Plano Nacional de Cultura dá ao cidadão o direito de conhecer 100% dos acervos públicos. A CineOP é a única mostra dedicada à preservação, conservação e memória do cinema nacional. Foram programadas oficinas, seminários e exibição de filmes afinados com o perfil do festival.


O diretor Luiz Rosemberg Filho, de 70 anos, um dos fundadores do cinema experimental brasileiro, e o montador Ricardo Miranda (1950-2014), que integrou equipes de produções históricas dos anos 1960, são os homenageados desta edição. Também será lembrado um herói de nossas telas: Cosme Alves Netto (1937-1996), que por 25 anos dirigiu a cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM).

“Revisitar décadas de produção, preservar a obra de cineastas esquecidos, resgatar filmes perdidos é outra maneira de falar do presente, do passado e do futuro do cinema”, explica Raquel Hallack, observando que a preservação é “tema esquecido” da cadeia produtiva do audiovisual.

O evento tem discutido também a transformação do cinema, que migrou da película para as novas mídias. “Nos últimos anos, aprofundamos o debate sobre o digital, suporte variadíssimo que vai do game à internet”, lembra ela. Houve avanço nas áreas de arquivo e conservação, mas ainda são muitas as incógnitas referentes ao impacto das recentes transformações tecnológicas e à legislação, por exemplo.

Hallack destaca que as novas tecnologias têm permitido acesso à memória do audiovisual, que, inclusive, vem sendo transformada em inspiração para novas produções. Esse processo impõe desafios ligados a direitos autorais e de imagem, à permissão de uso, à necessidade de telecinagem e ao acesso a acervos.

ESTREIAS Dia 28, a CineOP será aberta com Tudo por amor ao cinema, longa-metragem de Aurelio Michiles sobre o pesquisador Cosme Alves Netto. Foi ele quem salvou as primeiras sequências de 'Cabra marcado para morrer', documentário de Eduardo Coutinho (1933-2014), ameaçadas de destruição durante a ditadura militar. Cosme escondeu os negativos no acervo do MAM, dando àquele “filme” o nome de Rosa do campo.


TESOUROS RESGATADOS
A 9ª CineOP vai exibir fragmentos de As sete maravilhas do Rio de Janeiro (1934) e Festa da primavera (1949), filmes do diretor mineiro Humberto Mauro (1897-1983) considerados perdidos. Jardim de espumas e Imagens, de Luiz Rosemberg Filho, fitas cujo paradeiro era considerado incerto, foram localizadas numa cinemateca francesa. O público poderá assistir também à cópia recuperada de um clássico do underground nacional: Copacabana mon amour (1970), de Rogério Sganzerla (1946-2004).

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