Estreia nesta quinta o longa-metragem 'Os filhos do padre', do croata Vinko Bresan

A comédia tem elementos de melodrama e surrealismo em algumas situações e diálogos

por Mariana Peixoto 08/05/2014 08:00

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Pandora Filmes/Divulgação
(foto: Pandora Filmes/Divulgação)
Tratar de assuntos tabus de forma leve e bem-humorada, porém respeitosa, é uma maneira inteligente de se comunicar. Que o diga o cineasta croata Vinko Bresan. Com uma narrativa um tanto farsesca tirada do teatro, fez a segunda maior bilheteria da história do cinema da Croácia e ainda acertou em pontos polêmicos da sociedade atual. Depois de uma semana com pré-estreias diárias (e casa cheia), 'Os filhos do padre' entra em cartaz nesta quinta-feira nos cines Belas Artes e 104.

Numa pequena vila praiana da região da Dalmácia (o principal polo turístico da Croácia, conhecida por suas quase mil ilhas), chega um jovem padre que se surpreende com a ausência de nascimentos. A população vem diminuindo rapidamente – só existem funerais no lugar. Os casais jovens que ali habitam não têm filhos e, ao ouvir uma confissão, o pároco Fabijan descobre o que está acontecendo: a venda de preservativos é altíssima.

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Fabijan representa um sopro de frescor no conservadora igreja da ilha. Com ideias avançadas, ele sofre no começo com a recusa dos paroquianos em abandonar o antigo padre, Jakov, que tem uma relação um tanto paternalista com a população. Mesmo assim, o jovem não pensa duas vezes. Reúne-se com o dono da banca e o farmacêutico e, juntos, resolvem furar todas as camisinhas vendidas na ilha. Os resultados não tardam a aparecer, só que os problemas também chegam com o bebê e o tom de comédia ganha lances de humor negro, por vezes com um pingo de melodrama.

A população de 4,5 milhões de pessoas na Croácia é majoritariamente católica (86%, segundo Censo de 2011). Diante disso, todos os temas mais espinhosos para o Vaticano são levados à tona, como o aborto, o controle de natalidade e a pedofilia – isso sem falar no nacionalismo que domina os sobreviventes da guerra civil da Iugoslávia.

Num dos diálogos surreais do filme, Fabijan recebe a visita de um cardeal que vai à ilha para conhecer o lugar, que não sai da TV devido à explosão de nascimentos – acarretando inclusive em uma corrida por turistas que querem ter um filho. Ao conversar com Fabijan, pergunta-lhe dos pecados. Se não for pedofilia não há problema, diz o cardeal (!)

Em tempo: também leva a assinatura de Vinko Bresan a maior bilheteria da história da Croácia. 'Marsal' (1999), outro filme em tom farsesco, é ambientado numa ilha do Adriático que é assolada por um estranho fenômeno: o fantasma do marechal Josip Tito, o ex-líder comunista da Iugoslávia.

Cotação: Bom

É TUDO VERDADE

Exibido no ano passado nos festivais do Rio e Indie, Um episódio na vida de um catador de ferro-velho (foto) é uma coprodução entre a Bósnia, Eslovênia e França. O docudrama é dirigido por Danis Tanovic (do premiado Terra de ninguém, 2001) e deu o que falar no Festival de Berlim 2013 quando o protagonista Nazif Mujic ganhou o prêmio de ator basicamente por interpretar ele mesmo. Foi essa a proposta do diretor: que os personagens reinterpretassem um episódio da própria vida. No caso, quando a mulher do protagonista teve um aborto e precisava passar por uma cirurgia para retirada do feto. Mujic não tinha a menor condição de arcar com as despesas. O sustento da família vem dos metais que ele cata nos centros urbanos da Bósnia para vender a ferros-velhos. Sem seguro de saúde, o chefe do hospital se recusa a tratar a paciente sem pagamento. É uma corrida pela vida. Com a câmera na mão, Tanovic traça um triste paralelo entre o passado e o presente do país.

Assista ao trailer do filme:


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