Com escudo e ironia, 'Capitão América 2' traça retrato crítico da sociedade contemporânea

Segundo longa do herói exercita aspectos humanos de personagens consagrados em HQ

por Walter Sebastião 18/04/2014 11:36

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Disney/Divulgação
Capitão América (Chris Evans) e Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) na nova aventura da Marvel (foto: Disney/Divulgação)
A Marvel, editora que renovou os gibis tornando os heróis mais humanos, depois de marcar época no mundo das histórias em quadrinhos, parece decidida a marcar presença no cinema. E com filmes que vêm fazendo singular combinação de diversão com visões críticas do mundo contemporâneo. 'Capitão América 2 – O soldado invernal' mais uma vez afirma esse perfil.

 

É filme de suspense, aventura e ação e também mostra visão irônica do gênero. Tudo que faz a graça desses filmes – lutas acrobáticas, explosões espetaculares, histórias mirabolantes etc. – está na tela e levado a extremos. E, ao mesmo tempo, é graphic novel cinematográfica, que alfineta, de forma zombeteira, sociedade com obsessão por segurança, ordem e terrorismo.

Exemplo das amalucadas peripécias dos filmes de aventura, homenagem e ironia com os filmes de ação, é a cena de luta envolvendo cerca de 15 sujeitos usando diversas armas dentro de um elevador. É hilária. A trama, por sua vez, vale-se de imaginação e humor acido, que beira o sarcasmo. Investigando a morte do diretor de uma agência de espiões, o Capitão América chega à H.I.D.R.A, organização de nazistas que existe desde a Segunda Guerra Mundial, que criou o caos no mundo, para que as pessoas abram mão da liberdade em favor da segurança. Responsáveis pela H.I.D.R.A, depois de espionarem tudo e todos na internet, munidos de programa que analisa o passado das pessoas, planejam matar centenas de indivíduos que no futuro serão terroristas. Tudo em nome da paz.

Enredo envolvente, que deixa a sensação de história contemporânea em momento em que integrantes dos serviços de inteligência se voltam contra o sistema, e deixam não poucos governos em apuros. O velho Capitão América, homem da época que o mundo tinha o certo e o errado, agora, fica em apuros diante do que descobre e que envolve superiores dele. Fica sem saber em quem confiar (e o que fazer).

O longa é cuidado em todos os aspectos, da direção de arte aos diálogos, que, do início ao fim, apimentam a trama com provocações (em cena rápida, o vilão empunha o famoso escudo do herói, criando imagem irônica). Todo o elenco dá um show na difícil arte de, com cara séria, evidenciar a delirante situação. A força do filme vem, também, do fato de o Capitão América (Chris Evans) ser apenas um entre vários personagens interessantes da história. São tantos, tão diversos e divertidos que fica a vontade de que cada um tenha seu filme, a começar pela esperta e ousada Natasha Romanoff (Scarlett Johansson).

Às vezes, o filme soa frio, mental, mostra tudo com distanciamento, o que acaba se revelando acertado. Até porque o mais importante está mantido: uma história à altura de personagem com biografia complexa, já desenhado por grandes artistas (não por acaso, ícone pop), criado e desenvolvido por gênios das histórias em quadrinhos, como Jack Kirby e Stan Lee. O último faz ponta no longa como guarda de museu em apuros.

BIOGRAFIA DO HERÓI
O Capitão América foi criado por Joe Simon e Jack Kirby, em 1941. Ele é Steve Rogers, rapaz franzino com problemas de saúde, que deseja de qualquer forma integrar o Exército norte-americano durante a Segunda Guerra Mundial. Recusado no alistamento, torna-se parte de experimento para a criação de supersoldados, a partir de soro especial e radiação, que gera físico atlético, veloz e ágil.

 

Depois do fim da guerra, as histórias do personagem foram suspensas e, em 1964, ele foi revivido pela Marvel. Que acrescenta novo elemento à biografia do herói: o Capitão América não teria morrido, mas caído de um avião, no Atlântico Norte, nos últimos dias da guerra, passando décadas congelado, num estado de morte aparente. Depois de enfrentar nazistas e neonazistas, o herói se liga à agência de espiões S.H.I.E.L.D. Nos anos 1970, enfrenta organizações racistas e ultraconservadoras, em parceria com o Falcão Negro. É esse perfil dos anos 1970 que o filme resgata.

 

Confira o trailer de 'Capitão América 2 - O soldado invernal':

 

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