Fãs e amigos se despediram do ator e diretor José Wilker, homenageado com gritos de "felomenal"

Na porta do Teatro Ipanema, um cartaz dizia: "Vou lhe usar para lembrar a cidadania digna"

por Estado de Minas 07/04/2014 06:00

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Lucas Figueiredo/EXTRA/Agência O Globo - 6/5/13
(foto: Lucas Figueiredo/EXTRA/Agência O Globo - 6/5/13 )
Rio de Janeiro – Ao som de aplausos e gritos de “felomenal” – bordão do personagem Giovanni Improtta, da novela Senhora do destino –, o corpo de José Wilker foi retirado do Teatro Ipanema e transportado para o Memorial do Carmo, na zona portuária da capital fluminense, onde foi cremado.

Durante o velório no teatro onde o ator fez um de seus trabalhos mais elogiados, a peça 'O arquiteto e o imperador da Assíria', em 1970, amigos e colegas de profissão se reuniram, durante a madrugada de ontem, para dar o último adeus. A cerimônia de despedida seguiu aberta ao público até 15h, com presença de diversos artistas como Suzana Vieira, Claudia Abreu, Veja Holtz, Daniel Filho e muitos outros.

Considerado um dos melhores atores de sua geração, Wilker era lembrado pela inteligência que deixava transparecer em suas interpretações. Uma das fãs carregava um cartaz com os dizeres: “José Wilker, hoje vou lhe usar para lembrar a cidadania digna”, fazendo referência à frase do coronel Jesuíno, do remake da novela 'Gabriela', que virou bordão em 2012.

O ator Ary Fontoura se lembrou do humor e da cumplicidade criada com o amigo e companheiro de trabalho em décadas de convivência: “Foi um dos meus maiores parceiros. A gente tinha o mesmo tipo de humor. Éramos capazes de nos entender com um olhar.Quando tinha uma cena mais tensa, a gente fazia brincadeira para descontrair.”

A atriz Susana Vieira, com quem Wilker viveu diversos casais em novelas, lembrou a delicadeza do amigo. “Sou a mais viúva de todas as atrizes. Foram 42 anos de casamento, que começou com 'O bofe' (1972). Ele era uma pessoa tão delicada... A morte dele foi delicada na medida certa”, disse.

Casada por 10 anos com Wilker, Guilhermina Guinle contou que ele dizia que gostaria de morrer dormindo. “Estava bem de saúde, mas o coração é uma fatalidade. Ele morreu do jeito que queria, sem sentir nada. Para quem fica é mais difícil”, afirmou.

As filhas do ator, Isabel e Mariana, suas mães, Mônica Torres e Renée de Vielmond, respectivamente, e a namorada de Wilker, Cláudia Montenegro, acompanharam a vigília todo o tempo.

 


HOMENAGEM NO PANAMÁ
“Isso é para você, José, meu amor”. Emocionada, Sônia Braga dedicou o Prêmio Platino de honra que recebeu sábado à noite, na Cidade do Panamá, ao colega José Wilker. Aplaudida de pé no Teatro Anayansi, a brasileira lamentou a morte do amigo. “Desfrutei cada pequeno segundo de estar na frente de uma câmera, mas não o fiz sozinha”, afirmou Sônia. “Por isso, gostaria de agradecer a todos que dividiram comigo essa travessia de minha carreira. Queria pedir licença neste momento para, como atriz e amiga, por tudo que vivemos juntos, pelo meu grande amor, dedicar este prêmio e todas as honras e aplausos para este grande ator latino-americano: José Wilker, meu companheiro de Dona Flor e seus dois maridos”, disse a atriz. (Gracie Santos)

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