TV Muro de Sabará lança nova programação

Menor emissora do planeta também conta com seu mais novo equipamento, o murocop, drone feito de garrafa PET e câmera de celular

por Ana Clara Brant 29/03/2014 06:00

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Edésio Ferreira/EM/D.A Press
Dono, cinegrafista, diretor e repórter da TV Muro, Francisco Dário anuncia atrações de 2014, como a Copa do Muro e o educativo Muroletrando (foto: Edésio Ferreira/EM/D.A Press)


As principais emissoras do país estão lançando sua grade de programação para 2014 e a TV Muro, a menor rede de TV do planeta, não poderia ficar de fora. Com sede em Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, a estação criada e comandada pelo extrovertido funcionário da biblioteca pública da cidade Francisco Dário, o Chiquinho, de 40 anos, também está cheia de novidades.

 

A maior delas é um aparelho de datashow, cedido por um empresário sabarense, que permite a projeção na parede lateral da Igreja de São Francisco de Assis – já que a TV fica localizada ao lado do templo – com uma imagem de até 60 polegadas. “Muitos dos nossos telespectadores reclamavam que a TV que ficava aqui no alto do muro de casa era muito pequena, então a gente conseguiu esse equipamento. Era um sonho antigo. O padre Rogério liberou e disse que só não pode ser na hora da missa e nem ser muito alto. Agora, a TV Muro ficou TV Muro da Igreja”, brinca Chiquinho.


O embrião da rede nasceu há 25 anos com a TV Verde, quando Chiquinho e um amigo transformaram um guarda-chuva de cabeça para baixo em link e “transmitiram” a programação numa caixa de papelão. A TV Verde amadureceu e um ano depois se transformou em TV Muro, que, desde então, vai ao ar de segunda a sábado, das 18h às 22h, sendo que aos sábados, dia de missa, só transmite seus programas quando a celebração termina. Os primeiros equipamentos chegaram praticamente na base do escambo. A câmera veio com o dinheiro da venda de seu único cavalo. “Um pangaré, tadinho”, lembra o dono da emissora. O videocassete é fruto da comercialização de duas cabras. “Eram boas de leite”, assegura Chiquinho. Hoje, a maioria da aparelhagem, como tripé, iluminadores e aparadores, é resultado da doação de gente como os apresentadores Jô Soares e Ana Hickmann.

A grade da TV Muro, que varia entre nove e 10 programas, traz notícias, cinema, documentário, meio ambiente, diversão, utilidade pública e recados da comunidade. Uma das boas-novas deste ano é a volta de atração que fez muito sucesso no passado: o Muroletrando, que faz parte da TV Murinho, um braço da TV Muro, e conta com a participação de crianças que integram o grupo de teatro Biblio em Cena, criado há 25 anos pelo próprio Chiquinho, na biblioteca municipal de Sabará. “Volta com outra cara, totalmente repaginado”, anuncia.

A atração estreou ontem, às 18h, para aproveitar o horário em que a garotada sai da escola. Quem estiver passando na rua tem que adivinhar a palavra e soletrar corretamente. O prêmio para o vencedor é material escolar: lápis, borracha e caderno. O trio de apresentadores, formado pelos aspirantes a atores Otávio Augusto, de 11 anos, e os irmãos Kellen, de 12, e Kayky Oliveira, de 8, estava empolgado com a primeira experiência na televisão. “É muito mais puxado do que eu imaginava. Ensaiamos muito. Ser artista não é fácil”, comenta Otávio. Kellen revelou que estava com um frio na barriga, mas gostou da experiência. “Sempre assisti à TV Muro e estar do outro lado é diferente”, diz. O irmão Kayky, o mais inquieto, estava seguro de que quer mesmo seguir a carreira artística. “Teatro é mais fácil. Mas acho que vai dá pra fazer”, avalia.

Além da meninada que faz teatro gratuito com ele, Chiquinho dá um jeito de “laçar” a família e os amigos para seus projetos. E sempre com bom humor. As mães das crianças, Decivânia Oliveira, de 32, e Lúcia do Rosário Almeida, de 43, foram levar os filhos para as aulas quando, de repente, se viram no meio dos espetáculos. “A gente é meio quebra-galho. Fazemos de tudo um pouco. Fui levar meus filhos e quando vi já tinha me tornado produtora da TV Muro”, conta Decivânia. “E ainda tem salário viu. São 10 chup-chups. Pode escolher o sabor”, devolve o produtor e chefe. Lúcia exalta o trabalho de Chiquinho e sua luta pela preservação da cultura da cidade e não se importa em fazer parte, mesmo de maneira improvisada, da emissora e do teatro. “Ele faz isso com tanto amor e dedicação. A gente fica muito satisfeita. Como acompanhamos de perto o teatro, quando falta algum personagem a gente entra na última hora. Já interpretei muitas pessoas”, revela.

Copa no Muro

Como o ano é de Copa, o futebol não foi esquecido. Em junho, estreia o Copa no Muro, com Chiquinho Galvão e Mamãe Bueno. Durante os intervalos dos jogos do Brasil, eles vão analisar, dar palpites e comentar as partidas da Seleção. “Não entendemos nada de futebol, mas vai dar certo. Vamos estar todos paramentados de verde e amarelo, entrevistando as pessoas na rua, fazendo bolão. Vai ser bacana”, promete. Outro programa relacionado ao torneio é o Coral das galinhas. Não será fácil, mas Chiquinho quer de todo jeito apresentar as aves e o galo Frederico cantando o Hino nacional. A atração só estreia quando os animais estiverem prontos. “Os ensaios são às quartas, porque não quero cansá-los. E quero deixá-los bem bonitos. Cortei as cutículas, pintei as unhas de vermelho com o esmalte da minha irmã. E agora encomendei umas roupas verde e amarelo”, informa o comunicador.

E as novidades não param por aí. Chiquinho tem fôlego para muito mais. O Cine Muro, que já faz parte da grade da emissora, vai se dedicar mais à programação local. Em parceria com estudantes de cinema da UNA, vai exibir documentário sobre as lendas de Sabará, como a da mulher do algodão, um fantasma que aparece nos banheiros de escolas da cidade com algodão no nariz e nos ouvidos, assombrando os estudantes; a noiva do Cemitério do Carmo; e o dono da noite, um menino que se transforma em homem em plena madrugada, na porta da matriz de Nossa Senhora da Conceição.

“Tenho alunos do teatro e gente que participou aqui da TV Muro que já são pais e mães. Alguns até seguiram o caminho na televisão mesmo, em emissoras profissionais. Tomaram gosto pela coisa. Isso é bacana e o que mais me enche de orgulho. Ver que todo esse meu trabalho está valendo a pena”, comemora Chiquinho.

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