Apaixonado pelo trabalho, Cauã Reymond vive traficante playboy em 'Alemão'

O ator dá duro nas telas. Depois do sucesso como o conquistador de Amores roubados e do vilão de Alemão, ele vai viver um policial na minissérie O caçador e o narrador de Tim Maia

por Ana Clara Brant 15/03/2014 00:13

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Estevam Avellar/divulgação
"Tenho muitos sonhos e desejos, vou me desdobrar para concretizá-los", Cauã Reymond, ator e produtor (foto: Estevam Avellar/divulgação)
O jeitão é tipicamente carioca. Ele já começa o papo soltando um “bora, malandragem”. A entrevista com três jornalistas desperta a curiosidade: “Todo mundo é mineiro?”. Alguém responde: “Não. Só uma é de Minas. A outra é de Brasília e a terceira do Rio Grande do Sul”. De pronto, o ator Cauã Reymond, de 33 anos, identifica quem é quem. “Seu sotaque é forte hein, fia? Uai, sô... Mas é charmoso.” Será interesse sincero por Minas Gerais ou “efeito Ísis Valverde”? Nascida em Aiuruoca, no Sul do estado, a mineira é apontada como a nova namorada do galã.


Ninguém pergunta sobre o suposto affair com Ísis. A entrevista é acompanhada atentamente por Mário Canivello, assessor de Cauã. A única questão mais íntima abordada é sobre onde e com quem ele vai passar as férias, no fim de maio. “Quero viajar com meu pai para fora durante a Copa do Mundo. Isso aqui vai ficar um caos. E vocês, repórteres, vão trabalhar demais. Estou até com pena”, diverte-se ele. “Devo ficar um mês e meio, dois meses bem longe daqui. Espero que o Brasil seja campeão”, avisa.

Apesar de o ano mal ter começado, Cauã Reymond não tem do que reclamar. Em janeiro, ele foi um dos destaques da minissérie Amores roubados, de George de Moura, exibida com grande sucesso pela TV Globo. “A repercussão das duas semanas em que Amores... esteve no ar foi impressionante, praticamente a mesma de uma novela de oito meses. Gostei demais do resultado”, comenta.

Agora, o pai de Sofia, fruto do casamento recém-desfeito com a atriz Grazi Massafera, prepara sua nova empreitada: O caçador, seriado de Marçal Aquino e Fernando Bonassi, dirigido por José Alvarenga Jr. A estreia está prevista para abril, na Globo. A atração – cujo elenco conta com Cleo Pires (par de Cauã), Jackson Antunes, Ailton Graça e Nanda Costa – deve ir ao ar às sextas-feiras, depois do Globo repórter. Para interpretar um policial, o galã teve que raspar a cabeça, aprender a manejar armas e lutar boxe. O corpo ganhou 10 tatuagens falsas.

Paprica Fotografia
Cauã Reymond no filme Alemão (foto: Paprica Fotografia)


Playboy


O novo personagem é justamente o oposto do papel de Cauã em Alemão, filme que estreou esta semana. O traficante Playboy foi pedido do próprio ator, escalado em princípio para viver um policial no longa-metragem dirigido por José Eduardo Belmonte. “Quando o José Alvarenga me chamou para O caçador, havia acabado de terminar Avenida Brasil. Logo depois, pintou o convite do Alemão. Aí pensei: dois policiais de uma vez?. Como o colega que faria o bandido em Alemão teve um problema, pedi o Playboy. Além do desejo de mudar, de me dar um desafio, veio essa coisa um pouco lógica. Quis fazer dois personagens bem diferentes”, explica.

Tanto o filme quanto o seriado deram a Cauã a oportunidade de conhecer de perto a realidade das favelas cariocas. Um se passa no Complexo do Alemão e o outro no Morro da Providência. Algumas questões chamaram a atenção dele, além dos problemas sociais. “Meu Deus, que vista! Se bobear, as vistas mais bonitas do Rio estão nos morros, tanto que há uma explosão imobiliária no Vidigal. Foi muito bacana lá no Alemão: passei dois dias na casa de um dos atores, o MC Smith, para fazer laboratório. Comi bolo da tia, joguei videogame, tomei banho na piscina”, lembra.

Cauã Reymond chegou a conhecer alguns projetos sociais desenvolvidos no complexo de favelas, mas diz que ainda há muito a fazer, sobretudo diante da imensa população que vive ali, cerca de 200 mil pessoas. “Gostaria de ver maior inserção social dos moradores. Fui a um centro comunitário superbonitinho e bem cuidado, mas muito pequeno. Deveria ter mais centros, em vários lugares. É muito difícil você oferecer oportunidade para milhares de pessoas onde há apenas um prédio de três andares com quatro salas”, ressalta.

Lixo
As queixas do galã não terminam por aí. Principalmente com relação ao lixo na Cidade Maravilhosa. O problema não se limita à greve dos garis. O ator tem observado sujeira e descaso em vários pontos da capital. Na Zona Sul e nas praias que frequenta – ele adora surfar –, é comum topar com entulho e esgoto. “Não consigo entender como o Leblon tem o metro quadrado mais caro do Brasil, um dos mais caros do mundo. É um absurdo, lá tem esgoto e lixo. Isso me deixa indignado. Adoro correr na areia fofa, a Praia da Barra está entre as mais sujas. É gente com dinheiro, com certa instrução. As pessoas jogam lixo no chão e não estão nem aí. Outro dia, um gringo amigo meu começou a catar lixo, achando que as pessoas tinham esquecido na areia. Você fica até com vergonha”, lamenta.

Depois do desabafo, o bate-papo volta a descontrair. Flamenguista, Cauã comenta que foi dele a sugestão para que Playboy usasse a camisa do rubro-negro em Alemão. A conversa, claro, descamba para o futebol. “Ultimamente, tenho acompanhado pela internet. Sei quem marcou gol e tudo. Aliás, que famoso está jogando no América mineiro?”, pergunta. “O Obina”, respondo. “Ele jogou no Mengão, está fazendo gols à beça. Obina é matador”, diverte-se.

Férias
Logo o taurino volta a falar de trabalho – aliás, característica marcante do signo. O filme de estreia, Ódiquê?, lançado há 10 anos, marcou o início de uma trajetória profícua na telona. Cauã confessa: esperava chegar ao cinema, só não sabia se ia dar certo. “Filmei bastante, tirei poucas férias também. Acabava uma novela e aparecia um bom projeto, aceitava e ia para as locações. Quase sempre foi assim, espero que continue”, diz. Em seu currículo estão os longas Falsa loura, À deriva, Não se pode viver sem amor, Estamos juntos, Meu país e Reis e ratos.

No segundo semestre, estreia o longa Tim Maia. Cauã interpreta Fábio, personagem que aglutina todos os amigos do cantor. Em agosto ou setembro começam as filmagens de Língua seca, road movie de Homero Olivetto que mistura ação, fé e romance. Um grupo de cangaceiros modernos parte em busca de uma santa de ouro. A maratona não para. Cauã será dom Pedro I num longa dirigido por Laís Bodanzky. Vai produzir e atuar em Azuis, do cineasta Felipe Bragança.

O ator não tem dúvida sobre o bom momento de sua carreira, assim como ocorreu em 2008, quando fez A favorita, novela de João Emanuel Carneiro, e Se nada mais der certo, outro filme de José Eduardo Belmonte. “Esta fase é muito bacana, especial. Muitas coisas que foram plantadas vêm dando frutos, mas penso como se fosse o começo. Tenho muitos sonhos e desejos, vou me desdobrar para concretizá-los”, conclui.

CARREIRA

CINEMA

>>  Alemão (2014)
>>  Reis e ratos (2012)
>>  Estamos juntos (2011)
>>  Meu país (2011)
>>  Não se pode viver sem amor (2011)
>>  Borboletas indômitas (2010)
>>  Flordelis – Basta uma palavra para mudar (2009)
>>  À deriva (2009)
>>  Divã (2009)
>>  Se nada mais der certo (2008)
>>  Falsa loura (2007)
>>  Ódiquê? (2004)

NA TV

>>   Amores roubados (2014)
>>  Avenida Brasil (2012)
>>  Cordel encantado (2011)
>>  Passione (2010)
>>  A favorita (2008)    
>>  Eterna magia (2007)
>>  Belíssima (2005)
>>  Como uma onda (2004)
>>  Da cor do pecado (2004)
>>  Malhação (2002)

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