Uruguaios estreiam documentário sobre derrota do Brasil no Maracanã em final de Copa do Mundo

Filme sobre partida consagrada como ''Maracanaço'' chega às telonas meses antes de novo Mundial

por AFP 06/03/2014 17:20

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Coral Cine/Divulgação
Derrota do Brasil para a seleção do Uruguai por 2 a 1 em 1950 ficou conhecida como 'Maracanaço' (foto: Coral Cine/Divulgação)
Um documentário chamado 'Maracanã' estreia na semana que vem no Uruguai, relembrando o episódio que é até hoje o maior orgulho do futebol do país, a vitória da 'Celeste' sobre o Brasil na decisão da Copa do Mundo de 1950. Não é por acaso que o filme chega às telas justamente a três meses de outro Mundial disputado em terras brasileiras.

Depois de divertir com uma bem-humorada campanha publicitária em que o 'fantasma' de 1950 invade o Rio de Janeiro, os uruguaios terão agora a oportunidade de reviver as glórias do passado em forma de aquecimento para a competição, na qual a seleção local integra o 'grupo da morte', junto com Inglaterra, Itália e Costa Rica.

A pré-estreia será em 12 de março, num palco inusitado, o estádio Centenario de Montevidéu. "'Maracanã' é uma trama que tem uma leitura histórica, resultado de uma longa investigação. O mais incrível foi o a descoberta de uma época, de dois países, do ponto de vista humano", contou à AFP o diretor Andrés Varela, que dirigiu o longa com Sebastián Bednarik.

Baseado no livro "Maracanã, a história secreta", do autor uruguaio Atilio Garrido, mostra imagens de arquivo e relatos de protagonistas da partida, disputada em 16 de julho de 1950. Os diretores levaram três anos para juntar o material, com muitas imagens oriundas de coleções privadas e para fazer as entrevistas.

"Durante este período, tivemos a oportunidade de mergulhar na sociedade uruguaia e brasileira da época, com o Brasil em ano eleitoral e o desafio da construção do Maracanã, que é nada menos que um colosso que buscava mostrar a dimensão do país ao mundo", explicou Varela.

O documentário também mostra as diferenças de preparação entre as duas equipes e a fama de invencibilidade dos brasileiros, intensificada pela imprensa, os dirigentes e a torcida local.

Medalhista de ouro nos Jogos Olímpicos de Paris-1924 e Amsterdã e primeira campeã mundial da história (em 1930), a seleção uruguaia não disputou as Copas de 1934 e 1938 por razões políticas.

Coral Cine/Divulgação
Documentário 'Maracanã' aborda a partida pela visão dos vitoriosos, que enfrentaram adversidades antes de conquistar o título mundial na casa da Seleção Brasileira (foto: Coral Cine/Divulgação)
Determinação e superação
O filme exalta a "convicção, determinação desses homens, que transformaram tudo que aconteceu de ruim antes do Mundial (uma greve dos jogadores que paralisou o futebol uruguaio entre 1948 e 1949) em algo positivo, alcançando seu objetivo final de forma incrível", ressaltou Varela.

"Não podemos nos esquecer que esses homens (os uruguaios) jogavam muita bola, e enfrentavam uma seleção (brasileira) com talento similar e uma ótima preparação", lembrou o diretor, chamando a 'Celeste' da época de "seleção de operários". A longa greve no futebol uruguaio levou alguns jogadores a trabalhar em outras áreas para se sustentar, inclusive a construção civil.

Um dos atletas que precisou trabalhar como operário foi o capitão Obdulio Varela, que ganhou o apelido de 'Negro jefe' (Chefe negro). O filme relata o momento em que ele pegou a bola e começou a discutir com o árbitro para "esfriar a partida" depois da abertura do placar pelo brasileiro Friaça.

A 'Celeste' conseguiu a virada histórica com gols marcados por Juan Alberto Schiaffino e Alcides Edgardo Ghiggiam, nos 21 e 34 minutos do segundo tempo. O 'carrasco' Ghiggia é justamente o último sobrevivente daquela geração e foi homenageado em novembro do ano passado no estádio Centenario, antes da partida de repescagem na qual os uruguaios garantiram sua vaga para a próxima Copa.

O documentário vai além do relato esportivo, contando por exemplo com um depoimento da viúva de Julio Pérez, revelando que o ex-atacante, seu noivo na época, havia prometido casar com ela se conquistasse o título no Brasil. "Ela escutou a final na rádio, fazendo crochê e rezando para que a equipe vencesse. Esta imagem reflete muito bem a época", aponta o diretor.

Com este filme, os uruguaios vão poder fazer uma viagem no tempo, revisitando um episódio que aconteceu há 64 anos, antes da seleção atual dos Suárez, Cavani e companhia estrear na Copa, no 14 de junho no Castelão de Fortaleza, contra a Costa Rica, alimentando o sonho de mais um título em terras brasileiras.

Enquanto a 'Celeste' buscará o tri, a seleção brasileira, que superou o trauma do 'Maracanazo' ao se tornar o maior campeão mundial da história, tentará conquistar o hexa em casa.

 

Confira o trailer do documentário uruguaio 'Maracanã':

 

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