Documentário conta história do teatro Lira Paulistana

Celeiro de talentos, o pequeno teatro lançou Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé e Premeditando o Breque

por Mariana Peixoto 17/11/2013 00:13

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Busca Vida Filmes/Divulgação
Riba de Castro é o diretor e personagem do documentário rodado no palco mais cult de São Paulo (foto: Busca Vida Filmes/Divulgação)

Um porão transformado em teatro que comportava, no máximo, 300 pessoas. Entre 1979 e 1986, na região da Praça Benedito Calixto, em São Paulo, o antigo depósito de uma loja de ferragens fez história. Lira Paulistana, o teatro que aglutinou toda uma geração de músicos – Itamar Assumpção, Arrigo Barnabé, Língua de Trapo, Rumo e Premê, entre vários outros –, ganha documentário definitivo. Lira Paulistana e a Vanguarda Paulista, de Riba de Castro, em cartaz no Cine 104, reconta uma trajetória que foi bem além daquela pequena sala em formato arena.


“Queria contar essa história, porque, se outros o fizessem, ela poderia ficar restrita à Vanguarda Paulista (nome do grupo de músicos que emergiram naqueles anos). Foram feitas muitas outras coisas: tínhamos um jornal, o primeiro que trazia um roteiro cultural com o que era exibido em cineclubes de periferia, além de livrarias abertas 24 horas. Havia também a pequena editora onde lançamos o primeiro livro do Glauco Mattoso e o mural de artes plásticas que levava a arte de rua para a discussão”, conta Riba, um dos cinco nomes à frente do espaço.

Vivendo hoje entre São Paulo e Barcelona, Riba, que era responsável pela programação visual do espaço, começou a pensar no filme quando soube da morte de Itamar Assumpção – cantor e compositor frequente na programação do teatro, falecido há 10 anos em decorrência de um câncer. Na época, o diretor estava radicado na Espanha e começou lá mesmo a organizar sua pesquisa. Na volta ao Brasil, surpreendeu-se com a receptividade dos amigos que procurou. Entrevistou 65 pessoas, entre músicos (Arrigo, Cida Moreira, Ná Ozzetti), escritores, produtores e técnicos. “Tive sorte, porque o Fernando Meirelles, na época, tinha a Olhar Eletrônico, pequena produtora que ficava em frente à Benedito Calixto. Ele registrou muitos momentos e cedeu todo o material, o que enriqueceu bastante”, continua Riba. O diretor conseguiu também material de arquivo nas TVs Cultura e Bandeirantes.

GERAÇÃO
Dada a quantidade e a diversidade de entrevistados, a narrativa vai sendo construída a partir de trechos curtos de conversas informais. A primeira parte fala do espaço em si e de como o Lira, um porão que tinha tudo para dar errado, conseguiu virar a casa de uma geração. A partir disso, é mostrada a história do que se convencionou chamar de Vanguarda Paulista (nome contestado por muitos de seus integrantes). Com sua música por vezes dissonante e longe do convencional, o grupo conseguiu proliferar. Ainda que o Lira e a Vanguarda sejam quase complementares, é interessante ver que o teatro recebeu nomes do rock (Ultraje a Rigor) e do punk (Inocentes).


Em certo momento ao longo de seus sete anos, o Lira ficou pequeno demais. O grupo que o administrava resolveu promover shows fora de seus domínios. “A gente era muito empreendedor. Oferecemos o jornal para uma agência de publicidade, mas eles não se interessaram. Disseram que poderiam patrocinar um show ao ar livre na Praça Benedito Calixto. Com a apresentação, pagamos a dívida e relançamos o jornal. A Elis tinha morrido naquela semana, a música estava de luto, então o primeiro show foi muito emocionante”, relembra Riba.


Depois desse, houve outros até o evento – ainda maior – que comemorou, em plena Avenida Paulista, o aniversário da cidade de São Paulo. “Foi o momento de conquistar a cidade”, conclui Riba de Castro.

 

LIRA PAULISTANA E A VANGUARDA PAULISTA
Sessão às 18h20, no Cine 104 (Praça da Estação, 104, Centro). A sala não funciona terça-feira. O filme pode ser assistido também no site www.vanguardapaulista.com.br (aluguel on-line: R$ 3,90). O DVD está à venda por R$ 17,90 no endereço virtual.  

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