'Capitão Phillips' reproduz sequestro feito por piratas somalis em 2009

Protagonizado por Tom Hanks, filme estreia tem estreia nesta sexta-feira nos cinemas do Brasil. Direção é de Paul Greengrass, conhecido por conduzir a trilogia 'Bourne'

por Helvécio Carlos 08/11/2013 07:50

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Sony Pictures/divulgação
Tom Hanks só conheceu os personagens piratas na hora das filmagens, tática para dar veracidade à trama (foto: Sony Pictures/divulgação)
Paul Greengrass, diretor inglês conhecido por ter feito dois filmes da trilogia Bourne ('A supremacia Bourne', de 2004, e 'O ultimato Bourne', de 2007), decidiu experimentar durante as filmagens de Capitão Phillips, estreia deste fim de semana. E suas experiências vêm causando impacto. Para garantir o maior realismo possível à história baseada em fatos reais, Greengrass decidiu fazer closes filmando bem perto dos atores, colocou a câmera nos ombros.

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Também para garantir veracidade à trama, ele manteve a equipe imersa no navio, durante nada menos que 60 dias. E o ator Tom Hanks, que encarna o capitão em questão, confessou à imprensa que o seu primeiro contato com os intérpretes dos piratas foi somente na hora das filmagens.

O filme é baseado no livro 'Dever de capitão' (Editora Intrínseca), escrito pelo verdadeiro Richard Phillips. Em abril de 2009, o capitão e a tripulação do navio Maersk Alabama foram sequestrados por piratas somalis.

A produção tentou conseguir o navio Maersk Alabama para as filmagens. Não foi possível e eles tiveram que usar um porta-contêineres bem parecido.

Páreo duro no Oscar

Tom Hanks é um grande intérprete. Desde a sua estreia na telona com 'Big' ('Quero ser grande'), de 1988, o californiano atua de forma tão brilhante que cria cenas inesquecíveis. Quem não se lembra dele naquele filme tocando 'Heart and soul' num teclado enorme do piano de uma loja de brinquedos? Dali saiu sua primeira indicação ao Oscar.

Depois de 25 anos e de alguns prêmios da Academia de Hollywood debaixo do braço, Hanks volta ao cinema com mais uma de suas interpretações primorosas. Desta vez, no papel do comandante do cargueiro Maersk Alabama, Richard Phillips, sequestrado por piratas somalis.

Sony Pictures/divulgação
Atores que interpretam os piratas somalis mostram talento (foto: Sony Pictures/divulgação)
Hanks é simplesmente perfeito ao longo de duas horas e 14 minutos de projeção. Tenta persuadir os inimigos, vira moeda de troca para salvar sua reputação. Mas é nos últimos 20 minutos que o ator consegue envolver ainda mais o espectador no drama dirigido Paul Greengrass. A ação dos piratas e a tensão provocada pela invasão do navio e o sequestro do capitão, que passa horas no baleeiro até ele se tornar insalubre, é outro ponto alto do longa.

O único senão fica para o fato de Greengrass deixar de lado questões relativas à ação dos piratas. O que, de forma alguma, desmerece o longa. Em uma das cenas, um dos somalis justifica a ação como sendo retaliação ao fato de eles – os americanos ou quem quer que seja que navegue pela costas da África – “com seus grandes navios, levarem nossos peixes”. Os vilões – atores desconhecidos mas de grande talento – acreditam que o dinheiro é a melhor forma de resolver o problema. Os primeiros minutos do filme mostram que a vida dos piratas é de miséria humana, questão social que precisa ser denunciada. Eles são vítimas de manipuladores que sabem muito bem dominar seu rebanho. Assunto tão bom que renderia novo filme. Quanto a Hanks, anote aí: ele será páreo duro no Oscar de 2014.

ACERVO PESSOAL
O verdadeiro Capitão Phillips (foto: ACERVO PESSOAL)
Realidade além da imaginação


Você já deve ter lido dezenas de vezes antes de um filme: “Baseado em fatos reais”. Quando o aviso aparece, o que vai ser mostrado na tela é uma história tão fantástica que não parece ter acontecido de verdade. Com 'Capitão Phillips' a sensação é a mesma. E para não deixar dúvidas, a Editora Intrínseca está lançando o livro 'Dever de capitão', do autêntico Richard Phillips.

Narrado em primeira pessoa pelo oficial da marinha mercante dos EUA, o livro acompanha a saga do cargueiro Maersk Alabama, que é tomado por piratas na costa da Somália. O capitão se tornou, em razão de sua atitude de resistência, uma espécie de herói, destes que os americanos adoram: um homem comum (ninguém melhor que Tom Hanks para encarar o americano médio), dotado de senso de dever, que supera tudo pela retidão moral e força de vontade. Richard Phillips ficou conhecido em todo o país e foi recebido por Obama.

O livro, narrado como um thriller, em contagem regressiva, vai envolvendo o leitor na trama, com informações sobre os personagens e suas famílias, de modo a criar um ambiente emocional que vai ser recuperado na hora das cenas mais violentas. Afinal, a situação se torna ainda mais dramática quando conhecemos o personagem ameaçado de morte e sabemos que ele é casado e pai de dois filhos. O leitor vai conhecer os bastidores das viagens da marinha mercante, o medo em navegar nas águas da costa da Somália, a evolução da pirataria com sofisticadas táticas e as estratégias de combate que vêm sendo desenvolvidas na região.

Não é um acaso que a resistência de Phillips tenha dado resultado. Ele se preparou para isso e treinou sua tripulação para um possível enfrentamento. Lobo do mar experimentado, ele percebe todos os sinais de perigo e sabe agir com coragem na hora certa. Nem por isso deixa de sofrer horrores nas mãos dos piratas somalis. A atmosfera de perseguição vai se intensificando à medida que os capítulos se sucedem, até chegar ao clímax, num numa verdadeiro jogo de gato e rato. Os piratas vão sendo identificados e ganham nomes como Líder, Musso, Comprido e Jovem, até se tornaram rostos ao mesmo tempo temíveis e próximos.

Um livro feito sob medida para chegar ao cinema, mas que vai dar prazer a quem gosta de uma boa aventura. Dessas “baseadas em fatos reais”.

DEVER DE CAPITÃO
>> De Richard Phillips
>> Editora Intrínseca, 264 páginas, R$ 19,90

Assista o trailer:

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